O governador Ricardo Ferraço (MDB) seria eleito, em segundo turno, com uma vantagem de quase 300 mil votos sobre Lorenzo Pazolini (Republicanos), se as eleições fossem hoje e se houvesse a confirmação dos dados da pesquisa de intenção de votos feito pelo Instituto Quaest.
A pesquisa foi encomendada pela TV Gazeta, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número ES-04444/2026 e foi divulgada no último dia 27 de agosto.
Da mesma forma como fez com a pequisa nacional para Presidente da República, realizada Estado por Estado pelo mesmo instituto, o jornal Tribuna Norte-Leste utilizou uma ferramenta de Inteligência Artificial para estimar o que representariam, em número de votos, os percentuais de intenções de votos divulgados pela Quaest para as eleições no Espírito Santo.
No primeiro turno, Ricardo Ferraço chegaria com uma vantagem de pouco mais de 200 mil votos sobre o segundo colocado.
Uma informação revelada nessa ponderação é que o número de eleitores indecisos ou que votariam em branco/nulo ou não votariam é praticamente o mesmo da soma dos três outros candidatos: Helder, Breno e Rafael – mais de 700 mil.
A ponderação estadual usou como base os 2.990.490 eleitores aptos do Espírito Santo em 2026, número oficial consolidado pela Justiça Eleitoral. (tre-es.jus.br)
Governo do Espírito Santo — 1º turno
Aplicando percentual da Quaest × eleitorado apto:
| Candidato / opção | Quaest | Eleitores equivalentes |
|---|---|---|
| Ricardo Ferraço (MDB) | 35% | 1.046.672 |
| Lorenzo Pazolini (Republicanos) | 28% | 837.337 |
| Helder Salomão (PT) | 10% | 299.049 |
| Breno Barcelos (Missão) | 2% | 59.810 |
| Rafael Demuner (UP) | 1% | 29.905 |
| Brancos/nulos/nenhum | 9% | 269.144 |
| Indecisos/não sabem | 15% | 448.574 |
| TOTAL | 100% | 2.990.491* |
* A diferença de uma unidade decorre do arredondamento individual dos percentuais.
A diferença aritmética entre 35% e 28% é de 7 pontos percentuais, que, aplicada ao eleitorado capixaba, corresponde a aproximadamente 209.334 eleitores.
Outro dado matemático relevante é que 24% estão nas categorias indecisos + brancos/nulos/nenhum. Sobre o eleitorado total, isso equivale a aproximadamente 717.718 eleitores.
Cenário de 2º turno
| Opção | Quaest | Eleitores equivalentes |
|---|---|---|
| Ricardo Ferraço | 45% | 1.345.721 |
| Lorenzo Pazolini | 35% | 1.046.672 |
| Brancos/nulos/indecisos | 20% | 598.098 |
| TOTAL | 100% | 2.990.491* |
Nesse cenário, a diferença aritmética entre 45% e 35% é de 10 pontos percentuais, equivalente a aproximadamente 299.049 eleitores sobre o eleitorado apto.
Comparação matemática entre os dois cenários
Considerando apenas a transformação dos percentuais em equivalentes do eleitorado total, Ferraço passa de 35% (1,047 milhão) no cenário de primeiro turno para 45% (1,346 milhão) no cenário de segundo turno. Pazolini passa de 28% (837 mil) para 35% (1,047 milhão).
Isso representa, aritmeticamente, +10 pontos (≈299 mil eleitores equivalentes) para Ferraço e +7 pontos (≈209 mil) para Pazolini. Essa conta, porém, não permite afirmar de onde vieram esses pontos — isto é, não podemos atribuí-los aos eleitores de Helder Salomão, dos demais candidatos ou aos indecisos sem dados de migração de voto da própria pesquisa.
Há ainda uma diferença entre as categorias residuais: no primeiro turno, indecisos + brancos/nulos/nenhum somam 24%; no cenário de segundo turno, a categoria agrupada brancos/nulos/indecisos é 20%, redução aritmética de 4 pontos, equivalente a cerca de 119.620 eleitores.
Esses números são equivalências matemáticas sobre o eleitorado apto, não garantia de projeções de votos, comparecimento ou votos válidos.
A ponderação mais detalhada — equivalente ao que fizemos ao dividir a presidencial pelas cinco regiões brasileiras — exigiria os percentuais da Quaest para o governo por regiões do Espírito Santo ou outro recorte geográfico e a respectiva distribuição do eleitorado.
ELEIÇÃO DE PRESIDENTE
O Espírito Santo tem 2.990.490 eleitores aptos a votar nas Eleições de 2026, conforme os dados consolidados pelo TSE e divulgados pelo TRE-ES em 20 de julho.
Aplicando exatamente o mesmo método — percentual informado × eleitorado total -, a Tribuna Norte-Leste usou a ferramenta de Inteligência Artificial para realizar a ponderação de votos baseado na pesquisa da Quaest para Presidente no Espírito Santo.
Veja o resultado:
| Candidato / opção | Pesquisa | Equivalente em eleitores |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 37% | 1.106.481 |
| Lula (PT) | 30% | 897.147 |
| Renan Santos (Missão) | 4% | 119.620 |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 3% | 89.715 |
| Romeu Zema (Novo) | 2% | 59.810 |
| Augusto Cury (Avante) | 2% | 59.810 |
| Branco/nulo/não vai votar | 7% | 209.334 |
| Indecisos | 15% | 448.574 |
Nesse exercício matemático, os 37% atribuídos a Flávio Bolsonaro correspondem a aproximadamente 1,106 milhão de eleitores, enquanto os 30% atribuídos a Lula equivalem a cerca de 897,1 mil.
A diferença entre os percentuais informados é de 7 pontos percentuais, que, aplicada ao eleitorado capixaba, corresponde a aproximadamente 209.334 eleitores.
CENÁRIOS COMPARADOS
Nas eleições de 2022, no primeiro turno no Espírito Santo, Jair Bolsonaro (PL) teve 1.160.030 votos, o equivalente a 52,23%, enquanto Lula chegou em segundo com 897.348 votos (40,4%).
No segundo turno, Jair Bolsonaro teve 1.282.145 votos (58,04%) e Lula ficou com 926.767 votos (41,96%).
Na disputa estadual, no primeiro turno, Renato Casagrande, disputando a reeleição, chegou com 976.652 votos (46,94%), enquanto Manato (PL), o segundo colocado, teve 800.598 votos (38,48%). O PT não teve candidato a governador, portanto, Lula não teve palanque no Estado.
No segundo turno, Casagrande obteve 1.171.288(53,8%), enquanto Manato teve 1.006.021 votos (46,2%), uma diferença de 165.267 votos garantindo a reeleição de Renato Casagrande na época.
PERFIS POLÍTICOS
Comparando-se esse cenário ponderado pela Inteligência Artificial, com base nos dados da pesquisa da Quaest e o número de eleitores aptos a votar, com o cenário final das eleições de 2022 no Espírito Santo, pode-se inferir que há uma mudança relevante que pode estar associada ao perfil político-ideológico dos candidatos.,
Nas eleições de 2022, até por conta de sua história política e sua filiação partidária, o governador Renato Casagrande, concorrendo à reeleição, foi afetado pela extrema polarização nacional Bolsonaro x Lula.
Hiuve a exploração de seu perfil como “de esquerda” contra um adversário identificado, diretamente, com o bolsonarismo militante: o então deputado federal Humberto Manato (PL).
O mesmo cenário não se tem hoje, quando o governador Ricardo Ferraço (MDB) não tem nenhuma tradição política de esquerda.
Pelo contrário, sua derrota na busca da reeleição para o Senado em 2018 foi, em muito, atribuída à sua posição como relator da Reforma Trabalhista de 2017, quando recusou mais de 200 emendas à proposta vinda da Câmara, mantendo o texto aprovado pela “Casa do Povo”.
Em função disso, na época Ricardo foi muito atacado por sindicatos e partidos de oposição, que criticaram duramente o relatório, afirmando que a flexibilização tirava direitos históricos dos trabalhadores.
A tentativa de impor a Ricardo a “pecha” de esquerdista, em função de ter sido vice-governador de Paulo Hartung, oriundo de quadros do PCB, e agora de Renato Casagrande, do PSB, não colou.
Já na condição de governadro, Ricardo Ferraço fez um movimento relevante para agradar, especialmente, ao pessoal do agro: retirou a mediação de conflitos de terra da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e transferiu a coordenação para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Com isso, conflitos de terra no Espírito Santo passaram a ter tratamento, no Governo de Ricardo, como caso de polícia e não de caráter social.
E ainda fez declarações neste sentido. Durante sabatina da Rede Gazeta em agosto de 2026, Ferraço afirmou, categoricamente, ser contra ocupações promovidas pelos movimentos de sem-terra, comparando a invasão de terras no campo à ocupação forçada de imóveis urbanos por facções criminosas.
E mais: sobre uma área estadual ocupada pelo MST na região de Palhal (em Linhares), o governador indicou que o local pode vir a abrigar um polo industrial voltado a novos investimentos, e a Justiça determinou a desocupação, que está sendo negociada.
Por outro lado, Ricardo Ferraço seguiu o conselho de pessoas próximas, como o prefeito Enivaldo dos Anjos, seu coordenador de campanha na região Noroeste, e tem desvinculado as eleições estaduais das nacionais.
O governador declarou em entrevistas que está preparado para governar o estado com quem os eleitores escolherem para presidente, rejeitando disputas ideológicas nacionais nas eleições estaduais.
As pesquisas mostram que, enquanto os eleitores de Flávio Bolsonaro são, majoritariamente, Lorenzo Pazolini, os que dizem votar em Ricardo Ferraço estão entre os eleitores de todos os candidatos a Presidente no Estado, inclusive com bom percentual dos que, no Espírito Santo, têm preferência por Lula.
HERANÇA FAMILIAR
A isso tudo some-se o fato de Ricardo ser filho do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Theodorico Ferraço, o político mais longevo em atividade no Pais, com mais de 60 anos de vida pública, sempre bem-sucedido e expoente da direita brasileira.
Registre-se: da direita e não da extrema direita. No início do regime militar, Theodorico chegou a ser inquirido pela ditadura por seu apoio àsLigas Camponesas (uma espécie de MST da época) em Cachoeiro.
Ricardo, hoje com 63 anos completados dia 17 de agosto, é um leonino que começou como vereador de Cachoeiro, aos 20 anos, e demorou a se livrar do rótulo de que somente ganhava eleição por ser filho de quem é. (Da Redação, com dados da Quaest, do TSE e uso de IA)

Montagem por IA com fotos de campanha dos candidatos










