Morreu em Brasília, aos 86 anoa completados no último dia 5 de maio, o ex-deputado estadual (1979-83) e ex-deputado federal, inclusive constituinte de 1988, Nelson Alves de Aguiar.
O corpo do ex-deputado será velado a partir das 13 horas deste domingo (28.06), na capela 6 do Cemitério Campo ds Esperança, na Asa Sul de Brasília, onde será sepultado no final da tarde.
Nascido em Pinheiros, no Norte do Espírito Santo, Nelson Aguiar foi um democrata e um dos maiores nomes do MDB dos tempos de oposição ao regime militar de 1964.
Foi jornalista, advogado criminalista e professor, tinha paixão pelo parlamento e pela tribuna jurídica. Foi advogado de defesa do governador José Ignácio Ferreira quando denunciado no escândalo de corrupção do seu governo
Esquanto morava em Vitória, Nelson costumava aparecer na Assembleia Legislativa, algumas vezes indo ao plenário, mas na maioria das vezes conversando, com seu jeito contundente, com quem encontrasse nas áreas comuns.

Nelson Aguiar foi casado com Beatrice Eugenie Maciel de Aguiar, com quem teve quatro filhos. Desde que ficou viúvo de Beatrice há cerca de 10 anos, Nelson passou a demonstrar um estado de tristeza profundo.
Uma das coisas que as pessoas pouco se lembram de Nelson foi sua participação na fundação do PT no Espírito Santo em 1979. Era admirador de Leonel Brizola e esteve filiado ao PDT depois que o MDB/PMDB perdeu seu espírito mais combativo.
Nelson foi membro da Igreja Batista a vida inteira, mas nunca integrou a chamada “bancada evangélica”.
ESTATUTO DA CRIANÇA
Nelson Aguiar morreu carregando o ressentimento de nunca ter sido reconhecido pela autoria do Estatuto da Criança e Adolescente, militante que sempre foi dessa causa.
O seu trabalho em favor da infância e da juventude concentrou-se na transição institucional do antigo Código de Menores para uma política de proteção integral.
Foi o autor do Projeto de Lei nº 1.506 de 1989, uma das propostas fundamentais que tramitaram no Congresso e que serviram de base para a redação final e a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, cuja relatoria coube à deputada Rita Camata (MDB/ES).
Presidiu a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem) no Rio de Janeiro entre 1985 e 1986, período em que começou a formular críticas ao modelo de internamento e a defender a descentralização do atendimento para os municípios.
Escreveu e publicou livros voltados para a causa, como “Menor abandonado — ação social integrada nos municípios” e “O menor e a constituinte”, pautando a necessidade de colocar os direitos da juventude como prioridade absoluta no texto constitucional de 1988.
Na Assembleia Nacional Constituinte, integrou a Subcomissão da Família, do Menor e do Idoso; presidiu a Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação em 1987; foi suplente da Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, da Comissão da Ordem Social.
Cursou Letras na Sanda Nona University – 1972; Comunicação, Instituto Técnico de Jornalismo, Rio de Janeiro, RJ, 1965 – 1968; Letras, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina (FAFIC), Colatina, ES, 1968 – 1971; Direito, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES, 1972 – 1977. (Da Redação)










