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Moradora de Nova Venécia completa 109 anos trazendo a fé como segredo para longevidade

Completar dez décadas não é para qualquer um, e que tal, poder apagar as velinhas de 109 anos? A proeza faz parte da história da dona Philomena Queiroz de Oliveira que, no último dia 22 de maio, comemorou mais um ano de vida, ao lado dos familiares. “Em meus 110 anos eu quero uma festa grande. Eu vou viver muito ainda”, fala.

Moradora da Fazenda do Veloso, que fica há cerca de 30 km da sede de Nova Venécia, dona Philó, apesar da idade, desfruta de muita saúde, já que não tem nenhuma doença, muito menos toma qualquer medicação, único problema é que ela ouve muito pouco. “Até uns dois anos, ela comia tudo, sempre gostou de uma galinha com polenta e quiabo. Mas, atualmente, ela se alimenta através de suplementos, sempre gostou muito de carne, às vezes ela ainda pede, coloca um pedaço na boca, mas, não engole”, conta a primogênita da centenária, a dona Madalena.

Mesmo com toda idade, dona Philó senta sozinha na cama e, quando quer ir à cozinha, varanda, ou qualquer outro lugar, pede de um jeitinho diferente. “Ela não quer dar trabalho, então, ela fala: quando você estiver indo lá na sala, você me leva, tá!”, fala a filha mais nova, Ana Maria.

Como todos da família Veloso, receber bem as visitas é mais uma preocupação da centenária. Enquanto nossa equipe esteve por lá, ela perguntou por quatro vezes, se já tinham oferecido café à nossa equipe, e, mais, convidou para que voltássemos no domingo, para o tradicional almoço, e também, na festa dos 110 anos de vida. “Ela adora gente, sempre amou casa cheia e muita comida, fartura, tem que ter mesa cheia. O orgulho dela sempre foi trabalhar e ajudar os outros”, explicam as filhas.

Festeira, passeadeira, contadora de causos, ainda, aos 109 anos, dona Philomena, a centenária, foi narrando um pouco de sua vida, e lembrou até quando deu à luz à sua primogênita. “Depois que ela nasceu, foi servido comida para comemorar”, fala dona Philó.
Casada com o seu Eraclides José de Oliveira (In Memória), o casal teve nove filhos: Maria Madalena, 88, Luiz Gonzaga, 86, Berenice, 84, Jorge Miguel (In Memória), João Batista (In Memória), Pedro José, 78, Maria da Penha, 74, Francisco José (In Memória), e Ana Maria, 68. Ainda, são 33 netos e mais cinco falecidos, 36 bisnetos e outros quatro falecidos, e 13 tataranetos.

Quando perguntada sobre o segredo da longevidade, a centenária deu conta de responder: “Ajudar todo mundo, comida boa”, diz. As filhas também completam: “Ela sempre foi uma mulher de muita fé, até hoje ela reza lá dentro do Centro, ela pede para ir lá e a gente a leva”, contam.

E para quem pensa que vai chegar lá e encontrar uma senhorinha de pijama e roupa velha, está enganado. “Ela é vaidosa, a Ana Maria a arruma igual a uma boneca, está sempre cheirosinha, arrumadinha e, se ela souber que tem gente na casa, é no meio que ela gosta de estar”, conta a filha, dona Madalena.


» Dona Philó com a filha caçula, Ana Maria, e a primogênita, Madalena

» “Em meus 110 anos eu quero uma festa grande, com muita comida. Eu vou viver muito ainda”, disse dona Philomena Queiroz de Oliveira
O repórter da Rede Notícia, Jhon Martins, é bisneto da dona Philomena e pai do gemêos, Joaquim e Helena, que são tataranetos da centenária. O pai do Jhon, Luiz César, é filho da dona Berenice, que é filha da dona Philomena. São cinco gerações em uma foto com muita história

Nascimento e família

Dona Philomena nasceu no dia 22 de maio de 1925, em Bom Jesus de Itabapoana, município situado ao norte do estado do Rio de Janeiro, e quando a centenária mudou-se para a região do Veloso, em Nova Venécia, em 1956, ela já era casada e já tinha tido todos os filhos. “Quando mudamos, viemos em 13 famílias na primeira etapa e, mais cinco depois. Isso já tem 67 anos. O Agostinho Baptista Vellozo (In Memória) veio aqui a passeio visitar uma neta, gostou do lugar e resolveu fazer a mudança, foi assim que viemos, liderados por ele, e assim se instalou aqui o Centro Espírita Senhor dos Passos”, destaca a dona Madalena.

A dona Philomena, é uma das irmãs da médium Alexina (In Memória), que era esposa do seu Agostinho Vellozo.

A Fazenda Veloso iniciou com 200 alqueires de terra e chegou a 600, dedicada inicialmente à extração de madeira para serrarias de Colatina, e depois, criação de gado. Mas, o grande forte do local é o tratamento espiritual. “Já veio gente de todo Brasil e de vários paises do exterior, para tratamento espiritual com a médium Alexina, cerca de 60 pessoas por semana, e a família precisou aumentar o centro, pois a hospedagem e alimentação sempre foi ofertada de graça pela fazenda, e cada visitante permanecendo cerca de nove dias, que é o tempo do tratamento espiritual, de depressão e alcoolismo ofertado. Já temos mais de 60 mil pessoas catalogados, que já passaram pelo centro de tratamento”, contam as filhas.

» Dona Philomena e seu Eraclides formaram uma família enorme, com direito a filhos, netos, bisnetos e tataranetos
» Fundador do Centro Espírita do Veloso, seu Agostinho Baptista Vellozo, e a esposa, Alexina da Silva Veloso, irmã da dona Philomena

Centro Espírita Senhor dos Passos, local onde mora dona Philomena

Criado em 1896, por Francisco Hilário da Silva, que estava prestes a se tornar padre, o Centro Espírita Senhor dos Passos surgiu após o seu criador ter saído de Diamantina (MG), onde morava, e ido até Bom Jesus do Itabapoana, dar uma espécie de susto em uma comunidade espírita que estava crescendo por lá, pois era aonde parte de sua família que morava.

“Pediram a ele para dar um susto no pessoal ali, e ele foi e deu uns tiros para cima lá, e assim, o susto, serviu para espalhar o pessoal, e acabar com a comunidade espírita que estava se formando lá. Foi o que ele fez. Só que ele teve uma espécie de surto e desapareceu por vários dias. Ninguém sabia aonde ele estava. Foi aí que ele apareceu na casa de um familiar ali, desorientado, e com a roupa toda rasgada”, conta Braz Veloso Pianassoli, 29 anos, tesoureiro do centro e tataraneto de Francisco Hilário.

Depois do episódio, Francisco Hilário foi levado para o Rio de janeiro, e esteve com Bezerra de Menezes, considerado um grande líder espiritual do País, e que teria identificado a mediunidade em Francisco, dando-lhe nova missão: a de criar um centro espiritual.
Desta maneira surgiu o Centro Espírita Senhor dos Passos, que rompeu com a Federação Espírita Brasileira, justamente porque, seu fundador trazia em suas origens, o catolicismo, afinal, ele estava prestes a se tornar padre quando tudo isso aconteceu.

O primeiro centro foi erguido em Laje de Muriaé (RJ), distrito de Itaperuna, e depois transferido para Bom Jesus do Itabapoana, na divisa do Rio de Janeiro com o Espírito Santo, e chegando em Nova Venécia, em 1956, se tornando a maior obra Espírita do Espírito Santo.

O centro realiza novenas, cânticos de ladainhas, sacramento de batizado, terço, rosário, procissão, via sacra na Semana Santa e Devoção a uma santa católica. Já às quartas, quintas e sábados, são realizados os passes, conforme o Evangelho espírita, codificado por Allan Kardec.

Por Francisco Hilário, a filha Alexina foi preparada para a sua sucessão, o que levou o descontentamento do primogênito entre os filhos, o “Tio Dico”, que um dia, sem ninguém saber, levou todos os pertences e manuscritos do centro, e abriu um novo centro espírita no Rio de janeiro, por volta da década de 1920, antes de Francisco Hilário morrer. Após sua morte, em 1926, Alexina assumiu a mediunidade do Centro, e aí que surgiu a figura lendária do seu marido, Agostinho Baptista Vellozo. “Enquanto o católico Agostinho cuidava da herança deixada por Francisco Hilário, Alexina dedica-se totalmente à obra espírita”, fala Braz.

E foi assim, o sincretismo entre catolicismo e espiritismo, foi o que se deu naquilo que se tornaria a marca da história Festa do Veloso.

Após Alexina, Agneu, Lorenço e agora, a Maria Helena Veloso Poeys, mais conhecida como Conceição, assumiram os cargos de chefes-médiuns do centro.

Com informações da Rede Notícia

» Dona Philó é uma senhora de muita fé e frequentar o Centro Espírita Senhor dos Passos é rotina para a centenária