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Polícia Federal faz buscas contra suspeito de espalhar dinheiro falso em Nova Venécia

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quarta-feira (27), uma ordem de busca e apreensão autorizada pela Justiça Federal contra um suspeito de produzir,...

Mensagens revelam esquema de propina que levou prefeito de Pedro Canário para a cadeia

 

A decisão judicial que determinou a prisão preventiva do atual prefeito de Pedro Canário, Kleilson Martins Rezende (PSB), e do ex-prefeito do município, Bruno Teófilo Araújo (PDT) partiu do desembargador Pedro Valls Feu Rosa, do Tribunal de Justiça(TJES), em documento assinado eletronicamente no dia 20 de maio de 2026.

Os dois mandados de prisão preventiva e outros 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal nesta terça-feira, dia 26 de maio. A operação apura um suposto esquema criminoso envolvendo fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, superfaturamento contratual, desvio de verbas públicas (peculato), lavagem de dinheiro e organização criminosa na execução do evento “XXXIV Forró da Tábua Lascada”, realizado em agosto de 2025 na cidade.

De acordo com a investigação, o esquema foi descoberto de forma fortuita após a análise do celular do então secretário municipal de Cultura, Fúlvio Trindade de Almeida, apreendido em uma operação anterior. No aparelho, os policiais encontraram conversas explícitas combinando o valor dos desvios e o pagamento de propinas.

A decisão do Tribunal de Justiça detalha todos os alvos envolvidos no inquérito policial:

  • Kleilson Martins Rezende (Prefeito de Pedro Canário)
  • Bruno Teófilo Araújo (Ex-prefeito e atual Superintendente Regional de Saúde)
  • Adailton dos Santos Sousa
  • Arnaldo Gomes de Oliveira
  • Fúlvio Trindade de Almeida (Ex-secretário de Cultura)
  • Gustavo Nunes Massete
  • Itagildo Marques Vieira
  • Kayky Ferreira de Souza Mota
  • Tiago Raimundo da Silva

Empresas:

  • Marques Estruturas LTDA
  • Oliveira Serviços Profissionais LTDA
  • Tiago Raimundo da Silva – Produções TR
  • Três Pontos Serviços LTDA

O desembargador Pedro Valls Feu Rosa apontou em sua decisão que os diálogos mantidos entre os envolvidos trazem provas contundentes das irregularidades. Em um dos trechos destacados pelo magistrado, o secretário de Cultura negocia o retorno financeiro com base na liberação de dinheiro público: “Tô com Gustavo aqui. Pra voltar 180 mil ele quer que dê ordem de serviço de 1 milhão e 200. E aí? Se puder, liga aqui.”

O magistrado ressaltou que a situação aponta para uma divisão clara dos recursos desviados entre a estrutura, a contratação de bandas e o rodeio do evento: “200 estrutura + 80 bandas + 50 rodeio = 330k”

A investigação aponta que o valor total da contratação para a festa chegou a R$ 1.269.242,73, com um sobrepreço estimado de R$ 380 mil. Esse montante superfaturado serviria justamente para pagar as propinas acordadas nas mensagens.

Ao fundamentar a necessidade das prisões e do afastamento cautelar dos cargos públicos por 180 dias, o relator foi enfático sobre a gravidade das ações e o perigo de manter os investigados em posições de liderança na cidade.

“A necessidade da prisão preventiva decorre da conjugação de três vetores. Primeiro, a gravidade concreta da conduta, marcada por possível captura da estrutura municipal, manipulação de contratos públicos e desvio de recursos escassos de município de pequeno porte. Segundo, o risco de reiteração delitiva, pois os investigados ligados ao núcleo político permanecem próximos da gestão pública e de fornecedores. Terceiro, o perigo concreto à instrução criminal, diante do poder hierárquico sobre servidores, acesso a documentos, capacidade de alinhar versões, apagar mensagens, movimentar valores e influenciar testemunhas”, diz o desembargador na decisão.

O desembargador também chamou a atenção para o fato de que os envolvidos tentaram apagar as provas do crime logo após o início das investigações: “A própria IPJ registra que parte das mensagens foi apagada ou não recuperada. Esse dado não é neutro. Em contexto de investigação envolvendo crimes de colarinho branco, corrupção e lavagem de dinheiro, a supressão de comunicações indica risco concreto de destruição de prova e justifica intervenção cautelar firme.”

Além das prisões de Kleilson Martins Rezende e Bruno Teófilo Araújo, a Justiça determinou o bloqueio de bens, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e a proibição de que os investigados entrem em prédios da Prefeitura de Pedro Canário ou mantenham contato com servidores públicos.

 

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