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Escola de Fotógrafos Cegos começa a preparar próxima exposição para este ano

A nova mostra reúne, ao todo, 72 imagens produzidas pelos fotógrafos cegos (Foto: Manoel Peçanha)

A Escola de Fotógrafos Cegos já está em fase de produção de sua próxima exposição, “Novos Olhares: Territórios”, prevista para ser inaugurada em setembro, em cinco pontos de Vila Velha. Com uma nova curadoria, a mostra vai reunir imagens diferentes da exposição anterior, realizada em 2023 no Parque Moscoso, em Vitória.

O projeto é desenvolvido pela Associação Sociedade Cultura e Arte (Soca Brasil) com a metodologia trabalhada pela Cia Poéticas da Cena Contemporânea com os participantes. A mentoria do projeto, bem como o recorte curatorial das imagens, fica por conta da artista Rejane Arruda.

A exposição reúne, ao todo, 72 imagens que não estiveram presentes na exposição anterior, intitulada “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”. Neste segundo processo formativo, cada fotógrafo cego vai aprofundar a relação com sua própria obra e construir narrativas sobre a própria produção, a partir de novos estudos, encontros e debates sobre fotografia, inclusão e arte contemporânea.

“Novos Olhares: Territórios” conta com patrocínio da ES Gás, viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura (MinC), e por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), da Secretaria da Cultura (Secult).

Rejane Arruda e o fotógrafo cego Antonio Fadini (Foto: Cia Poéticas da Cena Contemporânea)Rejane Arruda e o fotógrafo cego Antonio Fadini (Foto: Cia Poéticas da Cena Contemporânea) Rejane Arruda e o fotógrafo cego Antonio Fadini (Foto: Cia Poéticas da Cena Contemporânea)

“Neste ciclo formativo da Escola de Fotógrafos Cegos, os autores vão construir narrativas sobre a própria produção fotográfica, dialogando com a cena da fotografia contemporânea e outros autores. Teremos também um segundo recorte curatorial, tecendo novos olhares sobre as obras e recortando conjuntos para serem expostos nos territórios das cinco regiões de Vila Velha”, afirma Rejane Arruda. 

Manoel Peçanha, que participou da exposição anterior, no Parque Moscoso, acredita que o momento agora é de consolidar aquilo que o coletivo vem defendendo e propondo. “Tem sido uma experiência muito gratificante, até porque tivemos uma resposta bem expressiva do público que prestigiou nosso trabalho. Isso nos motivou e nos deu ainda mais inspiração para esta segunda etapa da Escola de Fotógrafos Cegos, com a qual esperamos ter um retorno maior, já que vamos estender nossas fronteiras para outras cidades e, quem sabe, para outros estados depois de algum tempo”, afirma. 

Outra participante da Escola, Geovana Santos descreve que a fase atual do projeto é importante para fortalecer ainda mais o potencial artístico da fotografia cega. “Estamos aprendendo agora a brincar com as imagens na fotografia, a brincar com o olhar do vidente. Podemos produzir imagens como metade de um corpo, ou de um braço, e isso pode parecer banal para muitas pessoas, mas tem um significado para mim, como fotógrafa cega, e um valor para a arte contemporânea”, pontua.

Geovana Santos, participante da Escola de Fotógrafos Cegos (Foto: Alberto Contarato)Geovana Santos, participante da Escola de Fotógrafos Cegos (Foto: Alberto Contarato) Geovana Santos, participante da Escola de Fotógrafos Cegos (Foto: Alberto Contarato)

Mostra anterior

A exposição “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”, que ficou aberta a visitação entre 27 de maio e 25 de junho de 2023, no Parque Moscoso, em Vitória, apresentou 32 fotografias que resultaram do trabalho dos 12 fotógrafos cegos, participantes do projeto. 

As imagens ficaram dispostas em oito totens iluminados com quatro fotos em cada estrutura. Cada fotografia contou com um QR code em uma plaqueta que direcionava para as audiodescrições a partir da câmera de telefone celular, recurso de acessibilidade para pessoas cegas. Durante o funcionamento da exposição, também esteve disponível no período da manhã o atendimento em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, feito por mediadores fluentes. 

Essa mesma exposição agora percorre outros municípios do Espírito Santo, fora da Grande Vitória, e chega a Colatina, Linhares, São Mateus e Cachoeiro de Itapemirim neste ano. A primeira cidade a receber a mostra é São Mateus, no dia 12 de abril, no Centro Cultural Amélia Boroto, e ficará aberta ao público durante um mês.

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