Passados 250 dias de 2026 e, apesar de momentos de pico como nos primeiros dias de setembro, o Espírito Santo não registrou homicídios nas últimas 48 horas e projeta fechar o ano abaixo de 700 homicídios, o menor número da série histórica desde 1996, que fechou com 796.
O Observatório de Segurança Pública registra, até esta segunda-feira (07.09), o número de 477 homicídios e feminicídios, uma redução de 10% em relação aos 530 do mesmo período em 2025, exatos 10%.
Os cinco primeiros dias de setembro tiveram um pico, com 15 crimes intencionais contra a vida (e um latrocínio), fazendo com que o mês apresente 50% de elevação em ralação aos sete primeiros dias de setembro de 2025.
CORPO ENCONTRADO
Uma mulher de 46 anos, que morava sozinha, foi encontrada morta na manhã desta segunda-feira (7), em uma área da zona rural de Boa Esperança, Noroeste do Espírito Santo.
A Polícia Militar (PM) foi acionada e encontrou o corpo, já em estado de decomposição, em um quarto próximo à residência principal. A Perícia Técnica é que dirá se foi morte natural.

ESTADO PRESENTE
Houve significativa redução de homicídios após o mês de maio, depois que as forças de segurança intensificaram as operações para cumprir mandados judiciais de busca e apreensão e de “prisões qualificadas”, fruto de investigações da Polícia Civil.
Houve registros importantes também de prisões e apreensões feitos pelo trabalho ostensivo da Polícia Militar, notadamente na Região Metropolitana, a partir de trabalhos de inteligência, permitindo menos confrontos entre policiais e criminosos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, os resultados refletem a continuidade das ações do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que integra prevenção, repressão qualificada, investigação, inteligência e presença das forças de segurança em todo o território capixaba.
Esse programa foi implementado em 2011, no primeiro governo de Renato Casagrande, e teve breve interrupção entre 2015 e 2018, justamente o período em que houve o “Fevereiro Sangrento” de 2017 com 210 mortes em meio a uma crise na segurança.
Para a cúpula da Segurança Pública do Estado, a análise permanente dos indicadores permite identificar áreas prioritárias e direcionar operações, efetivo e recursos de acordo com as características e necessidades de cada região.
“A estratégia reúne o trabalho integrado das instituições de segurança pública, aliado aos investimentos do Governo do Estado em tecnologia, equipamentos, inteligência e valorização dos profissionais”, diz nota da instituição.
O secretário Leonardo Damasceno registrou que os números apontam que se está conseguindo reduzir a violência letal no Espírito Santo e alcançar resultados históricos. “Isso é fruto de um trabalho diário das nossas forças de segurança, baseado em planejamento, integração e análise permanente dos indicadores”, acentuou.
Ao mesmo tempo em que celebra esse resultado, o secretário enfatizou que o setor continua atento às regiões que apresentam aumento dos registros, “direcionando esforços e ações específicas para reduzir a violência e proteger a população capixaba”.
O mês de agosto apresentou o melhor desempenho da história, com 55 homicídios e feminicídios, contra 67 casos no mesmo mês do ano passado, uma redução de 18%.
SUL LIDERA REDUÇÕES
A análise dos dados por região demonstra que a redução dos homicídios tem sido sustentada por resultados expressivos em diferentes áreas do Estado, mas especialmente o Sul do Estado (-26,8%) e a Região Metropolitana (-20,7%).
A Metropolitana, que concentra 48,98% da população do Estado, registrou 215 casos até dia 7 de setembro, contra 271 no mesmo periodo em 2025. Isso representa 45,07% dos homicídios totais do Estado. No mês de agosto, a região contabilizou 19 registros.
A Região Sul apresentou a maior redução percentual entre as cinco Regiões Integradas de Segurança Pública nos indicadores no acumulado do ano, com . O significado disso aumenta quando se analisam os números de 2025 e se encontra que a região já havia feito uma redução de quase 35% sobre os números de 2024.
O Sul vem numa redução significativa desde 2023, quando teve 90 casos. Em 2024, caiu para 87 (-3,33%). Em 2025, teve 58 (-33,33%). A projeção para 2026 é de ficar abaixo de 45, o que significaria uma redução de 50% em relação a 2023 e de 22,41% sobre 2025.
Neste ano, a RISP Sul registrou 30 homicídios em 250 dias, uma redução de 11 em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos relativos, a região, com 15,15% da população capixaba, responde com 6,28% dos homicídios contra homens e mulheres.
A Região Noroeste também manteve trajetória de redução, passando de 83 para 71 registros, o que representa uma queda de 14,5%. A Região tem 11,95% da população capixaba e responde com 14,88% dos homicídios.
Já a Região Norte registrou 122 casos no acumulado do ano, contra 110 no mesmo período de 2025, aumento de 10,9%. Com 14,85% da população do Estado, a RISP Norte (a maior territorialmente) representa 25,57% dos homicídios no período.
A Região Serrana, que disputava com a Sul até o ano passado os maiores índices de redução de homicídios, neste ano contabilizou 39 registros, frente a 25 no ano passado, aumento de 56%. Com 9,06% da população capixaba, a RISP Serrana representa 8,17% dos homicídios do ano até agora.

CIDADES DE PAZ
Os números gerais das regiões são representados nas suas cidades.
Iconha, na Região Sul, é a cidade do Espírito Santo há mais tempo sem homicídios: 1.361 dias, seguida de Alfredo Chaves (Serrana) com 970 dias (importante registrar que o último homicídio registrado na cidade foi no dia 11 de janeiro de 2024, foi o da enfermeira Íris Rocha de Souza, 30 anos, que foi levada de Vitória pelo namorado para ser morta numa estrada rural no interior do município).
Nos últimos 15 anos, Alfredo Chaves teve apenas três homicídios envolvendo pessoas da comunidade, uma média de um crime a cada cinco anos.
Na sequência, as cidades há mais de um ano sem homicídios: Rio Novo do Sul (Sul) – 849 dias; Bom Jesus do Norte (Sul) – 733 dias; Divino de São Lourenço (Sul) – 614; Guaçuí (Sul) – 526 (no período, houve um latrocínio); Muqui (Sul) – 387; Santa Leopolidina (Serrana) – 387; Mucurici (Noroeste) – 379.
No Norte, a cidade há mais tempo sem homicídio é Conceição da Barra, com 77 dias. No início do mês chegou a ser anunciado um duplo homicídio no município, mas depois corrigido para São Mateus, próximo aos limites municipais.
Na Região Metropolitana, Viana está há 85 dias sem homicídios. O município está com redução de 50% no números de crimes intencionais contra a vida, depois que as forças de segurança conseguiram prender vários integrantes de uma organização criminosa que atuava no município.
Vila Velha reduziu neste ano seus homicídios em 27%, Vitória caiu 25%, Cariacica – 16%, Guarapari – 14% e Serra – 10%. Em números absolutos, Viana teve sete, Guarapari – 12, Vitória – 21, Cariacica – 53, e Vila Velha e Serra – 61 crimes.











