Três advogados e três guardas municipais lotados na Guarda Municipal de Vila Velha foram presos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por envolvimento com as ações criminosas de integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV) na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
As investigações apuraram a prática de tráfico de entorpecentes como contrapartida ao desvio de função pública, a comercialização de drogas desviadas de apreensões policiais e a apropriação ou desvio de dinheiro e materiais sob custódia em razão do cargo.
O caso se assemelha à prisão e afastamento de funções públicas de policiais da Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil do Espírito Santo, em investigação da Polícia Federal, que descobriu o envolvimento deles com criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) no bairro Ilha do Príncipe, em Vitória.
De acordo com o que foi levantado pelo GAECO nas investigações de Vila velha, os advogados estariam envolvidos na transmissão de mensagens ilícitas entre detentos e criminosos em liberdade, por meio de bilhetes — conhecidos popularmente como “catuques” — levados durante visitas aos presos.
OPERAÇÃO
Oito pessoas foram presas na terceira fase da Operação Telic, deflagrada na tarde desta quarta-feira (25.03), por meio do GAECO, com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Justiça (SEJUS). A ação teve continuidade na manhã desta quinta-feira (26).
A investigação, que tramita em sigilo, foi instaurada pelo GAECO/MPES para identificar as ações criminosas de integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV) que atuam na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
As apurações produziram provas de tráfico de drogas, formação de organização criminosa, aquisição e porte ilegal de armamentos e munições, além de outras práticas violentas.
A investigação revelou que a liderança do grupo emite ordens de dentro das unidades prisionais por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados, cumpridas pelos integrantes em liberdade, cada qual com função definida na estrutura da organização.
Com o aprofundamento das investigações, foram identificadas evidências consistentes de vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos — entre eles guardas municipais —, caracterizando violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em diligências policiais.
PRISÕES
A operação cumpriu oito mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra.
Entre os alvos, estão três advogados e três guardas municipais lotados na Guarda Municipal de Vila Velha. As buscas e apreensões foram acompanhadas por representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB/ES) e da Corregedoria da Guarda Municipal de Vila Velha, em cumprimento a decisão da 7ª Vara Criminal de Vila Velha.
Foram apreendidos celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados.
As ações contaram com a participação de policiais militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, agentes de inteligência do SIPOM/DINT, do BME, do BAC e de policiais penais da SEJUS, que atuaram nas buscas, apreensões, prisões e conduções dos investigados. (Da Redação com MPES)











