Uma pesquisa recente revelou uma evolução marcante no mercado de redes virtuais privadas (VPN) no Brasil. Conhecida por sua capacidade de alterar o endereço IP dos usuários, essa ferramenta era antes utilizada majoritariamente no intuito de acessar catálogos de streaming estrangeiros e contornar restrições geográficas. No último ano, contudo, esse cenário mudou e agora as VPNs são empregadas por um motivo muito mais sério: proteger a privacidade pessoal e a segurança online.
Essa mudança no foco da tecnologia representa não apenas uma alteração no comportamento digital, mas também um reflexo de um desenvolvimento social mais amplo. Os brasileiros estão se tornando mais conscientes de como suas informações pessoais circulam pela internet e dos riscos potenciais da exposição delas.
Crescimento da conscientização digital
De acordo com o estudo “VPN Awareness, Usage and Consideration Tracker 2025”, o Brasil está entre os países que mais usam essa tecnologia no mundo, com cerca de 38% dos internautas brasileiros usando uma VPN regularmente (um aumento notável em relação aos 31% de apenas quatro anos atrás). A conscientização sobre o que é uma VPN também aumentou significativamente, com 82% da população conectada relatando familiaridade com o conceito, em comparação com 78% em 2024.
A maior taxa de usuários cientes da existência das VPNs aponta para uma tendência mais abrangente, a qual atinge todos os cantos do país, incluindo comunidades menores onde o uso da internet se expandiu rapidamente. Conversas sobre cibersegurança, roubo de identidade e rastreamento de dados não são mais exclusivas de círculos especializados em tecnologia; elas se tornaram cotidianas em todos os núcleos.
Grandes mudanças
Para além do crescimento do uso da ferramenta, o Brasil também apresentou evoluções importantes no mercado da tecnologia. Até recentemente, a motivação mais comum para o uso de VPNs no país era o entretenimento: desbloquear catálogos de vídeo estrangeiros, acessar sites restritos ou obter melhores ofertas em serviços digitais. Os novos dados mostram um cenário diferente.
Em 2025, quase metade de todos os usuários brasileiros de VPN afirmam ter como principal motivo a privacidade online. Outros 24% relatam usar VPNs para aumentar a segurança de seus dispositivos e contas online. Essa é uma mudança cultural singular, onde a segurança cibernética começa a superar a conveniência e o entretenimento.
Outra diferença digna de nota é a crescente transição dos usuários rumo a serviços premium. Embora o dilema VPN grátis vs VPN paga continue central nas discussões sobre a ferramenta, os resultados da pesquisa mostraram que mais brasileiros estão migrando para opções pagas em busca de melhor qualidade de conexão e mais privacidade e segurança digital. Em 2024, 17% dos usuários optaram por pagar por um servidor VPN; em 2025, essa cifra subiu para 19%.
Ainda que seja verdade que as VPNs gratuitas seguem dominando o mercado, principalmente entre os usuários casuais, a migração constatada pelo estudo rumo a modelos pagos representa um passo considerável na maturidade digital do país.
O futuro da confiança digital
O que essas mudanças nas prioridades dos brasileiros significam para o futuro? Em escala global, a demanda crescente por ferramentas digitais seguras reflete uma preocupação mais ampla sobre como as empresas de tecnologia lidam com os dados dos usuários. As pessoas exigem clareza, responsabilidade e práticas éticas nos serviços digitais que utilizam.
No Brasil, a maior adoção de VPNs pagas simboliza mais do que uma simples tendência de mercado, ela reflete uma profunda transformação cultural. Os usuários estão começando a enxergar a privacidade como um investimento, e não como algo secundário ou negligenciável. A disposição em pagar por uma proteção confiável demonstra uma compreensão mais clara de que a verdadeira liberdade digital depende de confiança, comprometimento e transparência.
Então, em 2025 o cenário das VPNs no Brasil trouxe uma verdadeira virada de jogo: o país caminhou da curiosidade à convicção, ganhando mais conscientização e aplicando esse novo conhecimento em ações concretas para aprimorar sua segurança cibernética. Focando-se mais na privacidade que no entretenimento e priorizando ferramentas premium para tal, os brasileiros sinalizaram um desejo latente por mais autonomia e proteção contra rastreamento virtual, vazamentos de dados e golpes digitais. Caso essa tendência seja mantida, não restam dúvidas que o futuro online no país será promissor.











