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Dois carros se envolveram em um acidente na zona rural de Pancas, no Norte do Espírito Santo, na noite de sexta-feira (9). Um dos...

Por que a Delegacia Regional de Barra de São Francisco precisa subir de nível

Já passou da hora de a 14ª Delegacia Regional de Barra de São Francisco passar do Tipo 3 para Tipo 2, comportando aumento de equipe e instalação de Delegacias Especializadas, conforme as disposições da Lei Complementar Estadual nº 04/90, que estrutura a organização da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES).

A Superintendência de Polícia Regional Noroeste da Polícia Civil é composta por três Delegacias Regionais: Colatina e Nova Venécia, ambas classificadas como Tipo 2, e a de Barra de São Francisco, de Tipo 3.

Esta classificação, em termos práticos e operacionais, resulta em uma significativa desvantagem estrutural para a Regional de Barra de São Francisco, pois impede a instalação de Delegacias Especializadas, como a de Investigações Criminais (DEIC), a de Narcóticos (DENARC), a de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e as delegacias de proteção a vulneráveis, como a DEAM (Proteção à Mulher) e a DPCAI (Criança e Adolescente).

A realidade revelada pelos fatos e as estatísticas não justifica a discriminação. Numa comparação direta com a 17ª Delegacia Regional de Nova Venécia, percebe-se uma paridade nos índices de criminalidade que torna a diferenciação estrutural injustificável.

O município de Nova Venécia possui uma população de 49.065 habitantes, segundo o último censo, estimada atualmente pelo IBGE em 52.324 em 2025, ao passo que Barra de São Francisco registra 42.498 habitantes, estimada em 2025 em 45.415, uma diferença pouco expressiva que não sustenta, por si só, a disparidade no aparato policial.

A análise aprofundada das ocorrências registradas no biênio 2024-2025 corrobora a tese da promoção da Delegacia Regional de Barra de São Francisco ao nível 2. No que tange aos Crimes Contra a Pessoa, Barra de São Francisco registrou um total de 217 ocorrências (incluindo ameaças, lesões e homicídios), número muito próximo das 259 ocorrências de Nova Venécia.

Em 2025, entretanto, Barra de São Francisco registra o segundo maior número de homicídios dolosos da Superintendência Regional Noroeste de Polícia Civil, com 13 registros até o momento, já superando os números de 2024, ao passo que Nova Venécia teve 11, também número maior do que 2024. Barra de São Francisco só perde para Colatina, que teve 17 homicídios, mas com população quase duas vezes maior.

Em relação aos crimes de drogas, a 14ª Regional  somou 199 registros, enquanto a 17ª Regional, de Nova Venécia, teve 301. Nos crimes contra a dignidade sexual, os números são praticamente idênticos: 73 em Barra de São Francisco contra 78 em Nova Venécia.

Embora Nova Venécia apresente um volume maior de crimes contra o patrimônio (2.384 contra 1.573), os números de Barra de São Francisco são, por si sós, alarmantes e demandam uma estrutura investigativa mais robusta e especializada.

A desproporcionalidade torna-se ainda mais flagrante quando se expande a comparação para outras regionais do Estado. Como exemplo a Delegacia Regional de Venda Nova do Imigrante, classificada como Tipo 2 e vinculada à Superintendência de Polícia Regional Serrana.

Venda Nova do Imigrante possui uma população de apenas 23.831 habitantes, estimada em 25.395 em 2025, praticamente a metade da população de Barra de São Francisco. Ainda assim, dispõe de uma estrutura mais completa.

A disparidade no volume de ocorrências é igualmente notável: no biênio 2024-2025, Venda Nova do Imigrante registrou 1.004 crimes patrimoniais e 210 crimes contra a pessoa, números consideravelmente inferiores aos 1.573 e 217, respectivamente, de Barra de São Francisco.

Numa comparação específica sobre os homicídios consumados nos municípios de Barra de São Francisco, Nova Venécia e Venda Nova do Imigrante para os anos de 2024 e 2025, verifica-se que, no ano de 2024, a análise dos dados de ocorrências revela os seguintes números de homicídios consumados.

Barra de São Francisco reegistrou um total de 11 homicídios consumados. Deste total, 10 foram cometidos com o uso de arma de fogo. Nova Venécia teve nove homicídios consumados. Venda Nova do Imigrante teve o menor número entre os três, com um total de três homicídios consumados.

Em 2024, Barra de São Francisco liderou as estatísticas de homicídios consumados, seguido de perto por Nova Venécia. Venda Nova do Imigrante, por sua vez, apresentou um número significativamente inferior, correspondendo a menos de um terço dos registros de Barra de São Francisco.

Para o ano de 2025, os números de homicídios consumados apresentaram a seguinte configuração, faltando menos de 30 dias para o encerramento do ano: Barra de São Francisco – 13 homicídios; Nova Venécia – 11; e Venda Nova do Imigrange – um homicídio.

No ano de 2025, os números de Barra de São Francisco e Nova Venécia permaneceram próximos e elevados, enquanto Venda Nova do Imigrante se destacou pela ausência de registros durante quase dez meses.

A consistência dos dados, especialmente a proximidade entre Barra de São Francisco e Nova Venécia, reforça a importância de avaliar a estrutura policial e as estratégias de segurança pública em cada localidade, considerando o impacto direto que este crime tem na aferição da qualidade de vida e nas metas do programa Estado Presente.

Ademais, é fundamental considerar a peculiaridade geográfica da área de abrangência da 14ª Delegacia Regional. O município de Barra de São Francisco é uma zona de divisa direta com o estado de Minas Gerais, notadamente com a cidade de Mantena.

Esta condição geográfica, por si só, já representa um fator de complexidade para a segurança pública, potencializando a incidência de crimes como o tráfico de entorpecentes e o contrabando, que exigem uma atuação investigativa especializada e de inteligência, justamente a que é provida por unidades como a DENARC (Delegacia Especializada em Narcóticos), da qual não dispõe.

Some-se a este cenário a iminente realização de concurso público para recomposiççao dos quadros de Oficial Investigador de Polícia (OIP) da Polícia Civil. É notório que a distribuição de novos servidores, bem como de recursos materiais essenciais – como viaturas, armamentos e tecnologia –, obedece a critérios de necessidade e estrutura das unidades.

A manutenção da 14ª Delegacia Regional como Tipo 3 certamente a colocará em posição de desvantagem no vindouro processo de alocação de efetivo e de investimentos, perpetuando um ciclo de carência que impacta diretamente na qualidade do serviço prestado à população francisquense.

A reclassificação da unidade não se trata de um mero pleito administrativo, mas de uma medida de justiça, isonomia e, acima de tudo, de estratégia de segurança pública. A população de Barra de São Francisco, que arca com seus impostos e anseia por paz social, é merecedora de um aparato de polícia judiciária compatível com seus desafios e sua realidade criminal.

 

 

Por que a Delegacia Regional de Barra de São Francisco precisa subir de nível
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