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O protagonismo da mulher no agronegócio capixaba

Na foto, o retrato de duas gerações que originaram a marca capixaba de laticínios ‘Reserva dos Imigrantes’. Karla Lievore com a mãe, Hermínia Lievore e a cunhada, Andressa Marquezine Lievore.

Elas agregaram ao papel de mães e esposas outras funções. As mulheres do agronegócio desempenham atualmente o papel de gestoras, produtoras, esposas, mães, sucessoras, profissionais, empreendedoras e estudantes.  Cada vez mais capacitadas, elas protagonizam a gestão do agronegócio em todo o País e no Espírito Santo não é diferente. Entre os anos de 2006 e 2017, o número de estabelecimentos rurais liderados por mulheres no Estado teve uma variação de 71%, índice superior à média nacional, que foi de 44%. Esse dado é do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Instituto cita ainda que cerca de 31% das propriedades rurais no País são comandadas por mulheres.

O protagonismo da mulher na agropecuária e seus negócios associados tem crescido nos últimos anos, segundo o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli. “A representatividade feminina está em todas as áreas do agronegócio e as mulheres estão participando ativamente do setor. O Governo do Estado segue investindo em políticas públicas para oportunizar o desenvolvimento de programas e projetos, para entender os avanços e desafios no intuito de estimular a geração de renda e fortalecer o empreendedorismo”, ressaltou.

“Políticas públicas que dão protagonismo e espaço para as mulheres agricultoras e pescadoras são necessárias para a criação de ambientes mais inclusivos e dinâmicos, e para o crescimento e a sucessão dos negócios no setor”, salientou a coordenadora de projetos para mulheres da Secretaria de Estado da Agricultura, Patrícia Ferraz.

Aos poucos, elas vão conquistando ainda mais espaço e demonstrando competência para atuar no ramo, como é o caso da Tatiana Belz, produtora de gengibre, no município de Santa Leopoldina. “Há uns 13 anos que eu trabalho com gengibre. Para mim, trabalhar com gengibre é uma terapia. Sou feliz pelo meu trabalho, sustento da minha família, que é o meu marido Alexandre e meus dois filhos. Não é uma rotina fácil para quem é mãe, esposa e tenta se dividir para não faltar carinho e atenção, mas a recompensa logo vem. A natureza retribui com plantas lindas, saudáveis”, comentou.

Fazendo negócios, ocupando cargos de gestão, no campo ou inovando, a proporção entre homens e mulheres na gestão das propriedades rurais no Estado cresceu 40%. A atuação feminina é mais forte nas atividades de produção das lavouras permanentes, que concentra 57% das mulheres, seguido pela produção da pecuária e criação de animais (24%), produção de lavouras temporárias (9%), horticultura e floricultura (8%) e produção florestal (1%), mas também há mulheres nas atividades de aquicultura e pesca, e na produção de sementes e mudas certificadas.

São em propriedades como essas que atuam mulheres como a Karla Lievore, pecuarista leiteira em Colatina. Ela trabalha na pecuária leiteira de alta produção com foco na agroindústria própria, que leva a marca Laticínio Reserva dos Imigrantes. Apesar de todo o trabalho ser feito em equipe, a pecuarista se orgulha de ter a oportunidade de trabalhar com os familiares, principalmente com outras mulheres da família, como a mãe e a cunhada. 

“Na fazenda, produzimos desde a genética dos animais até os produtos finais, que são o queijo minas fresco e a ricota fresca (puína italiana). Estamos na atividade por várias gerações da família Lievore, há ao menos 70 anos. Há 17 anos, registramos a agroindústria e a marca”, comenta Karla Lievore. 

Além das iniciativas do Governo do Estado, diversas associações de diferentes culturas são formadas por mulheres para apoiar o trabalho umas das outras. Márcia Ribeiro é produtora de café e cacau no município de Rio Bananal há dois anos e meio e, nesse período, se tornou presidenta da Associação das Mulheres do Cacau, onde se encontra regularmente com as colegas para falar sobre experiências, sobre o trabalho e as dificuldades de produzir o cacau.

“Vale muito a pena investir no agronegócio para as mulheres, sobretudo na cultura do cacau. Sei que a cultura, apesar das dificuldades, é a que mais desperta interesse das mulheres que começam a trabalhar com essa planta. Vejo nas nossas trocas de conversas e experiências o quanto as mulheres gostam e se sentem realizadas em trabalhar com o cacau”, contou Karla Lievore. 

O cenário do mercado brasileiro de chocolates hoje é promissor, assim como os negócios da produtora de Cacau, Adelma Grigoleto Bissol, que trabalha com a cultura há mais de 20 anos no município de São Gabriel da Palha.

“Produzo chocolate há 5 anos e de lá para cá o mercado melhorou muito. Sou muito feliz e amo o que faço. São anos de aperfeiçoamento e aprendizado para produzir um produto de qualidade e entrar no mercado de vendas. Os desafios são muitos, mas desistir não é uma opção”, ressaltou.

Ela ainda deixou uma mensagem para tantas mulheres que trabalham no setor da agropecuária. “Mulheres, persistam, se aperfeiçoem e vejam o seu trabalho render frutos incríveis”, ressaltou.

Mulheres no campo

Com o intuito de promover a visibilidade, a valorização do trabalho feminino e a autonomia econômica e financeira das mulheres agricultoras e pescadoras capixabas, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), realiza importantes investimentos para o desenvolvimento rural e econômico das mulheres do campo. Entre 2019 e 2022, o projeto atendeu 5.128 mulheres em todo o Estado. No ano de 2023, foram atendidas 674 mulheres.

Outro resultado a ser pontuado foi a criação de uma linha específica de financiamento de projetos para grupos de mulheres, dentro do edital do Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf) do Espírito Santo. Em 2023, foram aprovados outros cinco projetos, no valor total de R$ 927.174,67.  A Seag também financia e acompanha outros três projetos executados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e operacionalizados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). São eles:

O “Mulheres do Cacau” atende 185 mulheres nos municípios de Linhares, Rio Bananal, Colatina, São Roque do Canaã e Santa Teresa, e busca a igualdade de gênero na produção de cacau, aproximando as mulheres das tecnologias de produção e processamento, e garantindo-lhes assistência técnica de qualidade.

Outro projeto se refere à produção de cultivares de morangueiro em sistema semi-hidropônico. Esse projeto tem como objetivo recomendar cultivares de morango por meio de estudos da adaptabilidade e estabilidade no sistema semi-hidropônico, sem agrotóxico, além de fomentar a qualidade, conservação e processamento dos frutos para atender e capacitar as agricultoras de base familiar nos municípios de Colatina, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Guaçuí, Santa Maria de Jetibá e Venda Nova do Imigrante.

A coordenadora de projetos para mulheres da Secretaria da Agricultura, Patrícia Ferraz, comenta ainda que, neste ano, foi iniciado o projeto Mulheres do Café. “Ele tem como objetivo realizar ações para agregar valor à produção cafeeira, valorizando o trabalho feminino na cafeicultura capixaba, promovendo a igualdade de gênero e trazendo empoderamento e visibilidade às trabalhadoras do campo. A previsão inicial é o atendimento de um mil cafeicultoras do Estado”, ressaltou.

Ainda nesse contexto destaca-se também o projeto “Elas”, que foi vencedor do Prêmio Inoves Ciclo 2020 – programa do Governo do Estado, que estimula o desenvolvimento de uma cultura de inovação e empreendedorismo no serviço público capixaba –, em duas categorias, na categoria Projeto de Resultados e na categoria Votação Popular. Também foi lançado, em 2023, um livro interativo pelo projeto, com a sistematização de relatos de histórias de vida e trabalho e experiências do projeto, cujas protagonistas são as mulheres. O livro já conta com mais de 1.300 acessos.