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Defesa Civil Nacional aponta caminhos para fortalecer atendimento a animais em emergências

A atuação da Defesa Civil na proteção de animais em situações de desastre foi tema de um bate-papo realizado nesta quinta-feira (26), promovido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e disponível no canal do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no Youtube. O encontro reuniu especialistas para discutir desafios e caminhos para aprimorar a gestão voltada aos animais em cenários de emergência.

A coordenadora-geral de Assistência Humanitária da Sedec, Júnia Ribeiro, destacou que a demanda por atendimento a animais em desastres não é recente e, historicamente, tem sido atendida principalmente por voluntários. “A demanda por atendimento emergencial dos animais afetados por desastres é antiga e, na maior parte das vezes, é feita pelo voluntariado e pelos protetores de animais. Após o desastre no Rio Grande do Sul, em 2024, essa necessidade ficou ainda mais evidente, e hoje buscamos estruturar um atendimento em nível nacional”, afirmou.

Durante o encontro, também foi ressaltada a importância do planejamento prévio e da integração entre diferentes setores do poder público. O diretor do Departamento de Proteção à Vida Animal de Peruíbe (SP), Raphael Barreiros, enfatizou que a preparação é essencial para uma resposta eficiente. “Planejar, prevenir, mapear e ter um plano de contingência é fundamental. Em Peruíbe, já trabalhamos com uma atuação integrada entre várias secretarias e investimos na capacitação das equipes para garantir uma resposta mais rápida e organizada”, explicou.

Outro ponto central do debate foi o conceito de Saúde Única (One Health), que considera a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental. A advogada e voluntária da Defesa Civil em Niterói (RJ), Yasmin Radef, destacou que esse entendimento é cada vez mais necessário. “Não é possível cuidar da saúde das pessoas sem considerar os animais e o meio ambiente. Se um desses pilares está em desequilíbrio, todos os outros também estarão”, disse.

A veterinária e presidente do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD), Carla Sassi, chamou atenção para o reconhecimento das famílias multiespécie e os impactos disso na gestão de desastres. “Hoje, o conceito de família multiespécie já é juridicamente reconhecido. Em situações de desastre, isso fica evidente, porque muitas pessoas se recusam a sair de áreas de risco sem seus animais ou acabam se colocando em risco para não se separar deles”, destacou.

Ela também ressaltou a importância de incluir os animais no planejamento das ações de resposta. “Quando são feitos levantamentos em áreas vulneráveis, não basta saber apenas quantas pessoas vivem ali. É fundamental entender também quantos animais fazem parte dessas famílias para garantir um planejamento mais eficiente, humano e realista”, completou.

O debate reforçou a necessidade de fortalecimento de políticas públicas, integração entre órgãos e inclusão dos animais nos planos de contingência, como forma de garantir respostas mais eficazes e humanizadas em situações de desastre.

Imagem: Reprodução/MIDR
Imagem: Reprodução/MIDR

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