Dois médicos foram indiciados pela Polícia Civil por lesão corporal culposa após uma jovem de 19 anos sofrer queimaduras de terceiro grau durante o parto, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. A informação é de Enzo Teixeira, da TV Gazeta.
A investigação concluiu que houve negligência na condução do procedimento.
O caso aconteceu em maio do ano passado, no Hospital Santa Casa de Misericórdia da cidade. Kauany Merlo deu entrada na unidade já com contrações e foi levada para a sala de cirurgia. Durante a cesariana, um incêndio atingiu as pernas e as partes íntimas da paciente.
Segundo a apuração, o fogo começou quando uma fagulha de um bisturi elétrico entrou em contato com um produto químico inflamável usado na assepsia do corpo da paciente.
“Segundo as informações que nós colhemos, foram feitos os procedimentos de assepsia e utilizados dois bisturis, um frio e um elétrico. Na hora de se usar o elétrico, é que teriam ocorrido as queimaduras”, informou o delegado Édson Felix, titular da Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo) de Colatina.
A polícia apontou que os médicos obstetras, de 41 e 51 anos, agiram com negligência, imprudência e imperícia ao deixarem de observar protocolos técnicos essenciais. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça. Os dois não tiveram os nomes divulgados.
“Não houve intenção de lesionar a vítima, mas aconteceu e poderia não ter acontecido se os médicos tivessem mais prudência, tivessem mais cautela na hora da cirurgia”, afirmou o delegado.
A bebê não sofreu ferimentos. Já Kauany precisou ser transferida para o Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, na Grande Vitória, referência no tratamento de queimados, onde ficou internada por 26 dias, longe da filha recém-nascida.
Desde a cesariana, a jovem passou por cirurgias plásticas de reconstrução e ainda sente os efeitos das lesões.
“Elas doem ainda, ficam latejando, doendo, parecendo que estão fazendo a raspagem de novo. E o meu corpo ficou muito feio, com umas marcas que não vai ter nem como tirar. Vão fazer os procedimentos, mas não vão me dar o meu corpo como era antes”, falou Kauany.
A mãe lembrou também dos dias internada e contou que não conseguiu amamentar a filha depois que voltou para casa.
“Entrei na ambulância [para ser transferida de hospital] e já chorei. Dali em diante foi só choro, todos os dias. Quando eu voltei, a neném não quis pegar o meu peito, ela ficou só na mamadeira mesmo. Eu tentei dar, mas ela não quis”, lembrou.
A Santa Casa de Misericórdia de Colatina informou que não foi oficialmente comunicada sobre a conclusão do inquérito e que abriu uma investigação interna para apurar o caso. Disse ainda que prestou assistência à paciente e colaborou com as autoridades.
O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo informou que também instaurou sindicância, que tramita sob sigilo, para apurar os fatos. Após a apuração, podem ser aplicadas sanções administrativas previstas em lei.











