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Deslizamento de terra mata criança de 5 anos em Barra Mansa, no RJ

Alana Gandra Uma menina de 5 anos de idade foi vítima de um deslizamento de terra que ocorreu na noite de segunda-feira (9), na cidade...

Ação da Polícia estanca mortes em Barra de São Francisco

O município de Barra de São Francisco chegou a liderar as estatísticas de homicídios no interior do Espírito Santo no mês de janeiro, mas a ação rápida das Polícias Civil e Militar do município colocaram na cadeia 80% dos responsáveis pelos crimes.

A informação é do delegado Daniel Nogueira Azevedo, avaliando que essa ação estancou a sangria aberta na guerra por território entre duas facções: o Terceiro Comando Puro (TCP), atuando no Morro da Colina e o Comando Vermelho (CV), operando no Morro do Estrela.

Entre as duas frentes criminosas fica o fundo do vale cortado, de um lado, pelo rio Itaúnas (Centro e adjacências), e de outro pelo rio São Francisco (Bambé, Campo Novo e Rua Mineira) até se encontrarem nas imediações de Irmãos Fernandes e seguirem para o leito do rio São Mateus/Cricaré com destino ao mar.

Um dos últimos a ser preso está um indivíduo chamado Jogador (foto na capa), do Comando Vermelho. É o único dos traficantes identificados nessa guerra do tráfico que não é natural de Barra de São Francisco.

Daniel Nogueira (E) e Leonardo Foratini (D), chefe da 14a Regional da PC em Barra de São Francisco (Foto: Divulgação)

OPORTUNIDADE

“Não houve nenhum evento especial para que isso acontecesse, mas eclodiu a tensão que já havia entre os dois grupos quando surgiu a oportunidade. As mortes começaram a ocorrer e um começou a vingar-se do outro”, disse Daniel.

O delegado elogiou o trabalho da delegada Jessica Bohrer, com apenas sete meses de carreira, nas investigações logo que os casos começaram no início das férias dos dois delegados mais experientes da 14ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Barra de São Francisco.

MPE Conecta: encontro onde promotor fez alerta sobre o Colina

EXPLOSÃO ANUNCIADA

Para o Ministério Público, a explosão da violência entre traficantes de Barra de São Francisco não chegou a ser surpresa.

Um promotor do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público do Espírito Santo disse,  ao participar do evento “MPES Conecta”, em 24 de setembro, na cidade, que o bairro Colina, em Barra de São Francisco, é o terceiro bairro mais propenso a conflitos por disputas de tráfico no Espírito Santo.

“O Colina só perde para a Ilha do Príncipe,  em Vitória,  e Central Carapina,  na Serra”, disse o promotor.

A declaração deixou assustados os desavisado, mas tanto a Polícia Civil quanto a Militar já monitoravam a situação. Várias operações estavam sendo feitas desde agosto.

No dia 30 de setembro, uma semana depois do alerta do promotor, bandidos reagiram a bala à presença da Força Tática. Dois foram presos, sendo um ferido pela reação dos policiais.

DOIS IRMÃOS 

A guerra recruscedeu logo no primeiro dia do ano. Um homem identificado como Romário Garcia Florêncio, 30 anos, foi encontrado morto a facadas nas “casinhas populares” de Colina.

A Polícia suspeita de crime passional, mas com ação do tráfico. O corpo teria sido jogado perto das casinhas para desviar o foco das investigações.

No mesmo dia 1° de janeiro, dois irmãos, Uálafe e Adriano, que eram do Colina, foram asssassinados a tiros na Vila Landinha, região sob controle do tráfico do Morro do Estrela (um deles morreu na hora e o outro morreu seis dias depois), assim como a Vila Gonçalves.

No dia 8, um traficante identificado como Whashington Alves Lopes, 25 anos, conhecido como Coleiro, foi atacado a tiros, tentou fugir e acabou caindo morto no Condomínio dos Anjos, no final do morro que liga Colina ao Bambé.

A Polícia Civil já estava investigando as mortes do início do mês e fez, no dia da morte de Coleiro, a primeira prisão, mantida em sigilo até esta segunda-feira (9): um indivíduo conhecido como “Zoio de Gato”, preso em flagrante por posse de arma e levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Domingos do Norte e sobre quem havia suspeitas de ter participado da morte de Coleiro.

A delegada Jessica conseguiu juntar indícios contra ele e, quando “Zoio de Gato” já havia passado pela audiênica de custódia e pago a fiança pelo flagrante, e preparava-se para deixar o CDP, a delegada enviou a ordem de prisão temporária dada pela Justiça e “Zoio de Gato” voltou para a cadeia.

“Conseguimos a decretação da prisão menos de meia hora antes. Se ele saísse,  seria difícil de achar de novo.  Não divulgamos para não espantar os cúmplices”, disse Jessica.

No dia 14, Fábio da Silva Laia, morador do Bambé, foi visto subindo na garupa de uma motocicleta e despareceu. Dois dias depois, foi encontrado morto na zona rural de Mantenópolis. A Polícia não tem dúvidas de que foi executado por traficantes.

No dia 15, o jovem Vitor Venâncio da Silva Rocha, 19 anos, foi atacado a tiros próximo a um supermercado no bairro Bambé e saiu gravemente ferido. Cinco dias depois, no dia 20, Vitor, que era envolvido com o tráfico do Colina, morreu no hospital em São Mateus. Os médicos constataram que ele tinha 10 ferimentos a bala.

Vitor Venâncio já era a sexta vítima de homicídio na guerra do tráfico, em Barra de São Francisco somente no mês de janeiro, em apenas duas semanas.

Vitor Venâncio era investigado como suspeito também do ataque aos dois irmãos no dia 1º de janeiro, crime que parece ter desencadeado a onda de mortes na cidade. Já estava com pedido de prisão e, de acordo com a delegada Jessica Bohrer, somente não está preso porque está morto.

O adolescente de 17 anos, que foi encontrado morto pela família dentro do quarto na manhã do último dia 1º, já estava também com pedido de apreensão encaminhado pela delegada Jéssica.

O rapaz era apontado como integrante do grupo do outro menor de 17 anos e suspeito de envolvendo em pelo menos um dos casos de homicídios de janeiro. Teria suicidado.

Delegada Jéssica na operação que “apreendeu” menor

MENOR NO COMANDO

No dia 22 de janeiro, as Polícias Civil e Militar, atuando de forma conjunta, conseguiram a prisão mais importante em meio às investigações: um menor de 17 anos que, segundo a polícia, era quem comandava o TCP no Morro da Colina e havia fugido para o meio de faccionados de São Gabriel da Palha, onde foi surpreendido pela Força Tática do 11º Batallhão e equipes do 2º Batalhão da PM.

Apesar da pouca idade, o menor apreendido por ordem judicial já tem uma extensa ficha criminal, de acordo com declarações da delegada à época, quando garantia que o Estado daria resposta firme contra os bandidos que aterrorizavam Barra de São Francisco.

No dia 27, a Força Tática da Polícia Militar prendeu, no bairro Estrela, um dos principais suspeitos de participação nos homicídios, conhecido como Jogador, faccionado ao Comando Vermelho.

O homem veio de Teófilo Otoni (MG) há cerca de três anos para atuar no tráfico em Barra de São Francisco..

Jogador é suspeito de participação na morte de Vitor Venâncio, que era braço direito do menor de 17 anos apreendido (termo técnico do Estatuto da Criança e Adolescente para a prisão de menores de idade) pela Polícia em São Gabriel da Palha e apontado como o principal envolvido nos crimes em Barra de São Francisco.

A PC já havia conseguido um mandato de prisão contra Jogador, cumprido pela Força Tática, que ainda liberou um casal de idosos mantido em cárcere privado pelo bandido.

Wadria “migrou” para Monte Senir, onde foi preso em operação conjunta PC-PM

PRISÃO QUALIFICADA

Na manhã de 3 de fevereiro, com apoio do 11º Batalhão da Polícia Militar, a Polícia Civil fez mais uma prisão qualificada.

Um elemento conhecido como Wadria, 20 anos, que é do Colina, foi preso numa operação que visou ao cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão domiciliar.,

Durante o cerco tático à residência do alvo, as equipes policiais ordenaram a abertura imediata da porta. Nesse momento, os agentes ouviram uma movimentação suspeita e o som de descarga sanitária vindo do interior do imóvel.

Uma mulher que estava no local tentou retardar a entrada dos policiais, alegando estar sozinha com a filha, mas os agentes visualizaram o investigado no recinto e efetuaram a entrada.

Wadria é considerado um indivíduo de alta periculosidade, tendo ligações diretas com a facção TCP, atuante no Colina, e é supeito de diversos crimes, incluindo: dupla tentativa de homicídio; roubo a estabelecimentos comerciais; tráfico de drogas e associação para o tráfico; receptação e porte ilegal de arma de fogo.

Além disso, diligências indicam que o suspeito utilizava um menor de 13 anos para auxiliar na comercialização de entorpecentes na localidade.

Embora não haja evidências de que esteja ligado aos recentes homicídios na cidade, Wadria é conhecido por sua ligação com o grupo da Colina, vinculado ao menor de 17 anos que comando o movimento na região e a guerra com os rivais do CV no Estrela.

Sua prisão em Monte Senir pode ser um indicador para a Polícia de que, apertados na cidade, traficantes estejam se deslocando para pequenas comunidades do interior, como já tem sido demonstrado ser prática de organizações criminosas que utilizam-se de pequenas cidades perto das maiores para realizar seus negócios ilícitos de tráfico.

MAIS CALMO

Depois da sequência de crimes, Barra de São Francisco acalmou nos últimos 20 dias, sem registros de homicídios.

Com os principais líderes presos ou morto, como é o caso de Vítor, e os que estão soltos podendo ser presos a qualquer momento, a Polícia acredita ter dado um recado claro.

“E o recado é esse: em Barra de São Francisco, nenhuma organização vai se estabelecer. A Polícia Militar faz um excelente trabalho, é grande parceira da Polícia Civil. Estamos juntos estrangulando essas organizações criminosas”, disse a delegada Jéssica.

O delegado Daniel Nogueira, que reassumiu suas funções na Delegacia de Homicídios da 14ª Delegacia Regional da Polícia Civil, reforça a opinião da delegada.

“A gente sabe que o tráfico não para. Eles devem estar recebendo drogas e armas, mas estamos monitorando para devolver a tranquilidade à população”, disse Daniel.

A Polícia Militar fez duas grandes apreensões de drogas no ano passado, comprovando que o tráfico em Barra de São Francisco já não  era coisa de amadores locais, mas de grandes organizações criminosas, com prejuízo de mais de R$ 1 milhão para o crime.

Em curto intervalo de tempo, as apreensôes totalizaram quase 100kg de entorpecentes: mais de 30kg na Colina (do TCP) e outra de mais de 50kg na Vila Landinha (do CV). As pessoas presas nos locais haviam sido pagas para guardar as drogas e não tinham relação direta com o tráfico.

Além disso, várias outras apreensões foram sendo feitas pela Força Tática desde agosto até dezembro, especialmente no Colina. Além disso, vários líderes do tráfico foram presos, o que pode ter levado à eclosão desse conflito em disputa por território.

Um ponto estratégico disputado pelas organizações é a Escadaria Sete de Setembro, de acesso ao Colina, e que é considerado o ponto de maior movimentação do tráfico em Barra de São Francisco.

No ano passado, a Polícia Civil prendeu rm Mantena uma advogada de tradicional família de Barra de São Francisco, acusada de comandar o tráfico de drogas no Colina junto com o namorado, velho conhecido das autoridades.

“Barra de São Francisco tem localização geográfica estratégica, na divisa com Minas Gerais, e várias rotas alternativas na zona rural. Nosso trabalho é de inteligência para monitorar o tráfico”, disse a delegada Jéssica.

Guerra TCP x CV: ação da Polícia estanca mortes em Barra de São Francisco
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