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Torção testicular: saiba como reconhecer os sintomas

Foto: Freepik

A dor súbita e intensa no testículo, que pode acordar um adolescente de madrugada ou surgir em um momento inesperado, é um cenário que nenhum pai ou jovem deseja enfrentar. No entanto, é justamente em situações como essa que a agilidade e a informação correta se tornam cruciais.

Essa dor pode ser um sinal de algo muito sério: a torção testicular, uma condição de emergência médica que exige atenção imediata.

Não se trata de uma dor qualquer; ela indica que o tempo é um fator determinante, e cada minuto conta para preservar a saúde e a função do órgão.

O que é a torção testicular e por que ela é tão urgente?

A torção testicular é uma condição urológica aguda que acontece quando o testículo gira em torno de seu próprio eixo. Esse movimento inesperado, portanto, acaba torcendo o cordão espermático (a estrutura que leva o sangue e os nervos para o testículo).

A interrupção do fluxo sanguíneo que resulta dessa torção provoca algo chamado isquemia, ou seja, a falta de oxigênio e nutrientes essenciais para o testículo. A isquemia é uma situação de extrema urgência, pois a falta prolongada de sangue pode causar danos permanentes ao tecido testicular, levando à sua perda.

Entenda como a rotação impede o sangue de chegar ao testículo

A fim de compreender a urgência, é preciso visualizar o que ocorre: 

O cordão espermático é como um “cabo de vida” para o testículo, contendo vasos sanguíneos, nervos e o canal que transporta os espermatozoides.

Quando o testículo rotaciona, ele “aperta” esse cordão. Da mesma forma que um nó em uma mangueira impede a água de passar, a torção impede que o sangue chegue e retorne do testículo.

Por consequência, sem o suprimento adequado de oxigênio e nutrientes, as células do testículo começam a sofrer e, se o problema não for corrigido rapidamente, podem morrer.

Quem corre mais risco e quando a torção testicular pode ocorrer?

A torção testicular, embora possa surpreender a qualquer um, tem uma incidência maior em certas faixas etárias. Primordialmente, ela afeta meninos e homens jovens, com maior prevalência entre os 12 e 18 anos.

Contudo, essa não é uma regra exclusiva, visto que pode ocorrer em qualquer idade. Além disso, a torção pode se manifestar em diversas situações, por exemplo, após uma atividade física intensa, durante o sono (quando os músculos estão mais relaxados) ou até mesmo sem nenhuma causa aparente.

Existe uma predisposição anatômica que aumenta o risco em alguns indivíduos, conhecida como “deformidade em badalo de sino” (bell-clapper deformity). Nesses casos, o testículo não fica fixado adequadamente dentro do escroto, permitindo que ele se mova e gire mais facilmente.

Mesmo que a torção seja intermitente, ou seja, a dor apareça e suma por conta de uma “destorção” espontânea, o risco de recorrência é alto e a atenção médica ainda é fundamental.

A torção testicular pode acontecer em qualquer idade?

Sim, a torção testicular pode acontecer em qualquer idade. Ainda que seja muito mais comum na adolescência, conforme mencionado, ela também pode afetar bebês recém-nascidos (torção neonatal) e, embora menos frequentemente, homens adultos.

Os mecanismos e os sinais de alerta podem variar ligeiramente entre os grupos etários, mas a necessidade de tratamento emergencial permanece inalterada em todos os casos.

Quais são os sinais de alerta que indicam a necessidade de ir ao hospital?

O sintoma mais marcante e que exige atenção imediata é a dor súbita e intensa no testículo, que geralmente afeta apenas um lado. Esta dor pode ser tão forte a ponto de acordar o indivíduo durante o sono.

Outros sinais importantes incluem:

  • Náuseas e vômitos: frequentes devido à intensidade da dor.
  • Escroto inchado e avermelhado: a pele da bolsa escrotal pode ficar edemaciada e com coloração alterada.
  • Testículo mais alto ou “de lado”: o testículo afetado pode parecer mais elevado ou ter uma posição diferente do usual.
  • Dor abdominal: a dor pode se irradiar para a região da virilha ou do abdômen inferior.
  • Durante o exame, o médico também pode notar a ausência do reflexo cremastérico, que é a contração do músculo que eleva o testículo quando a parte interna da coxa é levemente tocada.

Qualquer um desses sintomas, isolado ou em conjunto, é um forte indicativo para procurar um pronto-socorro.

E se a dor aparece e desaparece?

Uma dor testicular que surge e depois desaparece espontaneamente não deve ser ignorada. Episódios de torção e destorção intermitentes, chamados de torção intermitente, podem ocorrer e aumentar significativamente o risco de uma torção completa e permanente no futuro

Mesmo que a dor suma, a condição de predisposição anatômica persiste, e a avaliação médica é necessária para investigar a causa e, se for o caso, considerar medidas preventivas.

As primeiras horas são cruciais: o que fazer imediatamente?

Ao identificar qualquer um dos sinais de torção testicular, a conduta imediata é vital: vá para a emergência de um hospital sem esperar. Não hesite, não tente adivinhar o que está acontecendo e, principalmente, não adie a busca por ajuda. A velocidade no atendimento é o fator mais importante para o sucesso do tratamento e a preservação do testículo.

Para ilustrar a urgência, considere as seguintes probabilidades de salvamento, que são um reflexo direto do tempo:

  • Mais de 90% se o atendimento e a cirurgia ocorrerem em até 6 horas após o início da dor.
  • Cerca de 20% se o atendimento se estender para depois de 12 horas.
  • Próximo de zero após 24 horas.

Por isso, em virtude dessa janela de tempo tão restrita, cada minuto que passa aumenta o risco de danos irreversíveis.

O que não fazer para evitar perder tempo valioso

Em hipótese alguma tente realizar “truques” caseiros, massagens ou qualquer tipo de manobra em casa. Essas ações podem agravar a situação ou, o que é pior, fazer com que você perca um tempo precioso.

Da mesma maneira, não tome analgésicos e espere a dor passar. A dor pode diminuir temporariamente, mas a torção ainda estará lá, causando dano. A avaliação de um profissional de saúde em um ambiente hospitalar é insubstituível.

Como o médico faz o diagnóstico e qual é o tratamento?

O diagnóstico da torção testicular é fundamentalmente clínico. O médico realizará um exame físico cuidadoso, avaliando os sintomas, a posição do testículo, o inchaço e a sensibilidade.

Para confirmar a suspeita e diferenciar a torção de outras condições, ele poderá solicitar um ultrassom Doppler (um exame de imagem que verifica o fluxo sanguíneo). É importante ressaltar que, em casos de alta suspeita clínica, o ultrassom não deve atrasar a ida para a cirurgia, pois o tempo é o fator crítico.

Há também escores clínicos, como o TWIST (Testicular Workup for Ischemia and Suspected Torsion), que podem auxiliar na avaliação do risco de torção. Contudo, o tratamento padrão para a torção testicular é a destorção cirúrgica, realizada o mais rápido possível para restaurar o fluxo sanguíneo.

Durante o mesmo procedimento, é comum realizar uma orquidopexia bilateral (fixação dos testículos) para evitar que o problema ocorra novamente no testículo afetado ou no outro, que também pode ter predisposição.

Distorção manual: quem pode fazer e por que a cirurgia ainda é necessária?

Em algumas situações específicas, e apenas quando a cirurgia imediata não é uma opção, um profissional de saúde treinado pode tentar uma manobra de distorção manual para tentar aliviar a torção temporariamente.

Apesar de essa manobra poder restaurar parcialmente o fluxo sanguíneo, ela não garante que a torção será totalmente corrigida ou que não ocorrerá novamente. E, mesmo que a distorção manual seja bem-sucedida em aliviar a dor e o fluxo, a cirurgia de orquidopexia continua sendo necessária com o propósito de fixar o testículo e prevenir futuros episódios.

Nem toda dor no testículo é torção: saiba as diferenças

Da mesma maneira que um sintoma pode indicar diferentes doenças, nem toda dor no testículo significa torção. Existem outras condições que causam o que os médicos chamam de “escroto agudo”, ou seja, dor súbita na região escrotal.

Similarmente, as principais condições que podem ser confundidas com a torção testicular incluem:

  • Epididimite/orquite: inflamação do epidídimo (um tubo atrás do testículo) ou do próprio testículo, geralmente causada por infecção. A dor costuma ser mais gradual e pode vir acompanhada de febre.
  • Torção de apêndice testicular: uma pequena estrutura vestigial no testículo ou epidídimo pode torcer, causando dor. Muitas vezes, o médico pode observar um “ponto azul” através da pele.

É fundamental lembrar que apenas um exame médico cuidadoso pode diferenciar essas condições da torção testicular. Não tente diagnosticar a si mesmo, pois o erro pode ser gravíssimo.

Quando procurar um serviço com urologia?

Se houver qualquer suspeita de torção testicular, o fluxo é direto: emergência médica imediata. Não se trata de uma consulta de rotina, mas sim de uma situação que demanda atendimento urgente.

Posteriormente, após a resolução do quadro agudo, o acompanhamento com um médico urologista será essencial para verificar a recuperação e discutir quaisquer medidas preventivas.

Recuperação, riscos e possíveis impactos na fertilidade

Após a cirurgia de destorção, a recuperação é um processo que varia de pessoa para pessoa. Como resultado, o desfecho pode ser positivo, com a completa recuperação do testículo.

No entanto, se houve atraso no atendimento, há um risco de o testículo sofrer atrofia (diminuição de tamanho) ou até mesmo ser perdido, exigindo uma orquiectomia (remoção cirúrgica do testículo).

Em consequência de um dano prolongado ou da perda de um testículo, pode haver um impacto potencial na fertilidade e na produção hormonal. Felizmente, na maioria dos casos em que um testículo é preservado e o outro está saudável, a fertilidade não é drasticamente afetada. Ainda assim, é um tema que exige acompanhamento e discussão com o urologista.

É possível prevenir novos episódios de torção testicular?

Sim, é possível tomar medidas para prevenir novos episódios, especialmente para aqueles que já experimentaram uma torção ou que possuem a predisposição anatômica da “deformidade em badalo de sino”.

Com o intuito de evitar recorrências, a orquidopexia – a cirurgia para fixar os testículos à parede do escroto – é o método mais eficaz. Além disso, essa cirurgia não só fixa o testículo que já torceu, mas geralmente também é realizada no outro testículo, que pode ter a mesma predisposição, garantindo assim uma proteção mais completa.

A importância de reconhecer rápido e agir certo

A torção testicular é uma emergência urológica onde o tempo é, literalmente, um salva-vidas para o testículo. Por último, reforçamos dois pontos cruciais: a importância de reconhecer os sinais de alerta rapidamente e a necessidade de procurar atendimento médico imediato.

O diagnóstico preciso é sempre médico, e o encaminhamento ágil para a cirurgia pode preservar a função testicular e evitar consequências mais graves.

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