
Na manhã dessa segunda-feira (23), a Secretaria da Justiça (Sejus) promoveu a 5ª Reunião das Lideranças dos Segmentos Religiosos, um encontro que reuniu representantes de diversas denominações que atuam diretamente no sistema prisional do Espírito Santo. O encontro foi realizado no Cineteatro das Artes, em Vila Velha.
Organizado pela Subsecretaria da Ressocialização e pelo Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Prisional (Ginter), o evento teve como tema a “Assistência Religiosa como Política Pública e Instrumento de Reintegração Social”, buscando consolidar o diálogo entre o poder público e as instituições que garantem o suporte socioespiritual aos internos.
Ao longo da manhã, as discussões abordaram desde o funcionamento prático da assistência nas unidades e o papel estratégico dos assessores teológicos até a relevância do trabalho voluntário, que hoje conta com mais de 3.100 colaboradores no Estado.
O secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, enfatizou a importância dessa união de esforços, destacando que, além de estar prevista na Lei de Execução Penal (LEP), a convergência da assistência religiosa com o cumprimento da pena é um pilar essencial da gestão e da segurança pública.
“A assistência religiosa não deve ser vista apenas como um suporte espiritual isolado, mas como uma política pública robusta que oferece benefícios concretos para a reintegração social. Essa rede de esforços não só humaniza o sistema penitenciário e traz ganhos, mas também para a segurança, pois prepara o indivíduo para o retorno à sociedade”, enfatizou Rafael Pacheco.
O encontro foi encerrado com a leitura e assinatura da “Carta do Espírito Santo”, documento que consolida o compromisso entre o Estado e as instituições religiosas para o fortalecimento da assistência socioespiritual como política pública no sistema prisional capixaba.
A reunião das lideranças dos segmentos religiosos também foi incluída no calendário anual da Sejus, garantindo a continuidade e o fortalecimento dessa rede de apoio para a reintegração social das pessoas privadas de liberdade.
Temas apresentados
A abertura dos trabalhos teve início com o subsecretário de Estado da Ressocialização, Marcelo de Araújo Gouvêa, que detalhou o panorama da assistência socioespiritual nas unidades prisionais do Espírito Santo. Na sequência, o Pastor Cristian Tatagiba Franco, membro do Ginter, discorreu sobre a atuação estratégica dos assessores teológicos no cotidiano carcerário, seguido pelo Pastor Romerito Oliveira da Encarnação, que destacou o impacto direto do voluntariado religioso na eficácia das políticas de reintegração.
Arley Nascimento Silva, coordenador da Política de Assistência Socioespiritual da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), trouxe reflexões sobre diversidade, tolerância e a importância do diálogo inter-religioso no ambiente de privação de liberdade.
Encerrando o ciclo de falas, o secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, abordou a relevância institucional da assistência religiosa, enfatizando-a como um instrumento fundamental de gestão, humanização e de segurança pública.
Depoimentos
“O encontro foi de grande importância para todos os voluntários, pois sentimos que nossa contribuição realmente faz a diferença na vida de muitas pessoas que estão atrás grades, sem esperança, sem Deus, precisando de uma palavra amiga, de um conselho, de uma orientação para um novo caminho. Saímos do evento ainda mais motivados a continuar com o trabalho voluntário nos presídios”, disse Evaldo Nunes Cassotto, presidente Regional da Convenção de Ministros da Assembleia de Deus Rio De Janeiro/ Espírito Santo (Comaderj/ES) e presidente da Assembleia de Deus Central de Porto de Santana, Cariacica.
“Ao evento de hoje, foi o resgate de uma proposta de integrar a sociedade civil no atendimento espiritual ao encarcerado. Além de unir as lideranças religiosas para atuação em outros campos de dificuldades, como em atividades fora do sistema prisional, como atendimento em hospitais, clinicas, comunidades terapêuticas e abrigos. Vimos que é possível conviver com os diferentes, respeitar suas atividades e forma de pensar, sem hostilizá-los. Ao contrário, quem não é contra nós, é por nós, disse Jesus”, destacou José Carlos Fiorido, membro do Ginter e da Federação Espírita do Estado do Espirito Santo.
“O encontro reuniu as diversas lideranças de grupos religiosos e pudemos vivenciar um momento especial, demonstrando a disponibilidade de cada grupo a fazer a caminhada coletiva em prol daquelas pessoas que estão em privação de liberdade. Foi um encontro potente, que abre possibilidades de um caminho de transformação, um caminho que vai possibilitar que muitas pessoas possam encontrar também o seu caminho de ressocialização”, concluiu Maria de Fátima Castelan, representante da Pastoral Carcerária do Espírito Santo.










