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Segundo episódio da série “Velha Venécia” resgata a história do primeiro cemitério público de Nova Venécia

  A história de Nova Venécia ganha mais um capítulo na série de vídeos “Velha Venécia”, uma produção da Rede Notícia em parceria com o...

Segundo episódio da série “Velha Venécia” resgata a história do primeiro cemitério público de Nova Venécia

 

A história de Nova Venécia ganha mais um capítulo na série de vídeos “Velha Venécia”, uma produção da Rede Notícia em parceria com o historiador Rogério Piva, que tem como proposta resgatar fatos, personagens, lugares e acontecimentos que ajudam a compreender a formação e as transformações do município.

Depois do episódio de estreia, dedicado à história da Rua Salvador Cardoso e às antigas construções da região central, a série chega ao segundo episódio, desta vez lançando um olhar para um local conhecido por praticamente todos os venecianos: a Igreja Matriz de São Marcos.

Mas, o que poucos sabem é que o terreno onde hoje está a igreja já teve outra função. Antes da construção da atual Matriz, o espaço abrigava o primeiro cemitério público de Nova Venécia, em uma época em que a localidade ainda era conhecida como Vila de Barracão.

Segundo o historiador Rogério Piva, o primeiro cemitério teria sido construído por volta de 1892, para atender ao núcleo colonial de Nova Venécia. O espaço possuía dimensões relativamente pequenas, com aproximadamente 36 metros por 37,5 metros.

A área não correspondia exatamente a toda a extensão ocupada atualmente pela Igreja Matriz. O antigo cemitério se estendia desde uma região próxima ao início do presbitério até os fundos do terreno, abrangendo áreas que hoje correspondem, entre outros pontos, ao estacionamento e à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

A construção da atual Igreja Matriz de São Marcos só aconteceria décadas depois. O cemitério foi extinto em 1960, mesmo ano em que foi lançada a pedra fundamental da igreja.

A transformação do espaço, porém, não apagou completamente as marcas de seu passado.

Entre os anos de 2010 e 2016, Rogério Piva realizou, por meio do projeto “Exumando Memórias”, um levantamento dos registros de pessoas sepultadas no antigo cemitério.

A pesquisa identificou mais de 700 inumações registradas entre 1899 e 1938. A estimativa apresentada no episódio é de que, até 1955, o número de pessoas sepultadas no local possa ter ultrapassado mil.

Os registros também revelam um retrato da população que vivia na região no final do século XIX e início do século XX. Entre os sepultados estavam imigrantes, famílias vindas de outras regiões do Brasil e moradores de diferentes comunidades do município.

Um dos registros mais antigos encontrados na pesquisa é de 1899 e corresponde a um bebê de nove meses chamado Francelino. No mesmo ano, também foram identificados os sepultamentos de Teresa Luisa Frigério de Azevedo, uma jovem imigrante italiana de 27 anos, e Sabina, uma mulher de 90 anos, natural de Itapemirim.

Os registros também chamam atenção para a quantidade de crianças entre os sepultados, incluindo recém-nascidos e crianças de pouca idade.

Embora o antigo cemitério tenha sido oficialmente extinto, o episódio mostra que a história não desapareceu completamente.

Durante as obras realizadas no local ao longo das décadas, foram encontrados vestígios de sepultamentos que permaneceram no terreno.

Em 1995, durante uma obra relacionada à antiga maternidade que funcionava nos fundos da Matriz, escavações revelaram estruturas de sepulturas e restos mortais que ainda estavam no local.

Anos depois, em 2018, durante a construção do Muro de Arrimo Sul da área da Matriz, seis sepulturas foram atingidas pelas obras. Segundo o levantamento apresentado por Piva, todas ainda possuíam restos humanos.

Os restos encontrados durante esse trabalho foram posteriormente exumados e colocados em um cruzeiro localizado próximo à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

Para a arqueologia, portanto, o espaço continua sendo considerado um cemitério extinto, ainda que não seja mais utilizado como cemitério ativo.

A história ganha ainda outro elemento simbólico com a construção da cripta da Igreja Matriz.

Em 2023, durante as comemorações dos 70 anos da Paróquia São Marcos, restos mortais de padres combonianos que estavam sepultados no Cemitério São Marcos foram transferidos para a cripta construída sob o presbitério da Matriz.

Atualmente, 12 padres estão sepultados no local, que ainda possui espaço para novos sepultamentos.

A cripta também passou a funcionar como um espaço de preservação da memória do antigo cemitério. Banners instalados no local apresentam parte dos nomes, anos e idades das pessoas identificadas no levantamento realizado por Rogério Piva.

Dessa forma, quem visita a Igreja Matriz de São Marcos também pode conhecer um pouco da história das centenas de pessoas que passaram por aquele espaço antes mesmo de a atual igreja existir.

O segundo episódio de “Velha Venécia” reforça a proposta da série de revelar histórias que permanecem escondidas sob lugares conhecidos do cotidiano.

A parceria entre a Rede Notícia e Rogério Piva busca aproximar a população da história local, através de vídeos, e mostrar que ruas, prédios, igrejas e outros espaços da cidade carregam memórias que ajudam a explicar a formação de Nova Venécia.

Neste episódio, a viagem no tempo passa pela Igreja Matriz de São Marcos para revelar uma história que esteve literalmente sob os pés de gerações de venecianos: a existência do primeiro cemitério público da antiga Vila de Barracão.


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