Mais de 20 bois morreram ao serem atingidos por um raio que caiu em Barra de São Francisco, durante um temporal na noite de quarta-feira (3). O produtor rural Almir Fanti contou que perdeu 29 animais e calcula um prejuízo de aproximadamente R$ 130 mil.
O caso aconteceu após um forte temporal atingir várias cidades em todo o estado. Casas foram destelhadas, rios transbordaram e até uma escola foi alagada e ficou com cascatas de água pela unidade.
Moradores de Barra de São Francisco conseguiram registrar alguns raios que caíram na cidade durante a chuva.
A morte dos bois ocorreu na Região da Secadeira, área rural do município. O agricultor disse que não viu a chuva e que nunca tinha passado por uma situação parecida.
Fanti soube da notícia da morte dos bois pelo sobrinho. A prefeitura da cidade foi acionada para enterrar os bois próximo ao local.
“Fiquei sabendo por volta das 7h desta quinta-feira mesmo. Os moradores da região contaram para o meu sobrinho, que me avisou. Eu ia embarcar três desses bois para venda e o resto estava sendo cuidado no pasto, em preparo para abate posterior. Vou começar de novo. Sempre dá pra recomeçar. O importante é a vida e a saúde, o resto a gente corre atrás”, relatou.
O produtor comentou que tem outros animais e que a morte dos bois foi o único prejuízo obtido.
Os animais foram encontrados entre algumas árvores no pasto. De acordo com o professor de engenharia elétrica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Pablo Rodrigues Muniz, a morte causada pela descarga elétrica é frequente nesses casos devido ao processo chamado “tensão de passos”.
“Um raio é uma corrente elétrica muito grande, de curta duração. Quando atinge o solo, se espalha, e, na medida que vai passando pelo solo, vai causando diferença de potencial. O que acontece especialmente com o gado é que a distância entre as patas é grande, cada pata está submetida a uma tensão elétrica diferente, o que acaba ocasionando o choque”, explicou.
Além disso, um dos alertas é que as pessoas não se abriguem embaixo de árvores, mas os animais acabam procurando justamente esses locais, como por instinto.
“Os animais tendem a se proteger próximo a árvores durante tempestades. Então, não é uma situação que pode ser evitada em pastos abertos. Só se houvesse um local coberto, com sistema de proteção de cargas, para que eles ficassem abrigados”, falou Pablo.











