Os produtores rurais, que vinha bloqueando, sistematicamente, a BR 101 no KM 807, em Itamaraju, no Sul da Bahia, em protesto contra as invasões de terras e a insegurança, decidiram suspender por dez dias o movimento enquanto as autoridades apresentam uma solução para a instabilidade social na região.
A decisão foi tomada no final da tarde desta quarta-feira (25), logo após o encerramento do bloqueio da rodovia Governador Mário Covas pelo terceiro dia consecutivo, das 7 às 16 horas.
Em Corumbau, a população também bloqueou rodovias e manteve a interdição até a chegada da Polícia, conforme promessa do Governo e que levou à suspensão do movimento em Itamaraju.
A chegada das forças especiais da Polícia Militar foi saudada com aplausos e euforia pela população, depois que no final de semana um grupo armado invadiu uma fazenda na Aldeia Veleiros.
De acordo com uma nota divulgada na tarde desta quarta-feira (25), a decisão foi tomada após diálogo entre Polícia Federal, o Governo do Estado da Bahia, e representantes das vitimas das invasões, em reunião ocorrida nesta tarde.
Nessa reunião ficou acordada a apresentação de um plano de ação no prazo de até 10 dias, contendo medidas concretas para conter a crise e restabelecer a ordem nas áreas invadidas.
O Governo do Estado também se comprometeu a implantar imediatamente, ainda nesta quarta-feira (25), policiamento permanente na região do conflito, em especial em “Corumbal e Cumuruxatiba”, com o objetivo de evitar novas invasões e garantir a segurança de produtores, comerciantes, trabalhadores rurais e moradores.
Em outra frente, está prevista a realização de reunião do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no dia 23 de março, com as vítimas das invasões, visando avanço nas reintegrações de posse das áreas ocupadas ilegalmente. A data foi ajustada numa reunião virtual de representantes dos proprietários rurais com a comsisão do CNJ que trata de conflitos fundiários.
“Os produtores rurais, comerciantes e moradores locais ratificam seu compromisso com a legalidade e a ordem, e esperam que os acordos firmados sejam integralmente cumpridos, pelas autoridades encarregadas de aplicar a lei, a fim de evitar uma nova escalada de tensões e violência na região, para isso permaneceremos atentos vigilantes na busca pela paz e a harmonia de todos envolvidos nesse conflito”, diz a nota.
Na nota, ainda, os produtores pedem desculpas à população que foi prejudicada pelos bloqueios, “mas reforçamos que essa foi a única alternativa encontrada para chamar a atenção das autoridades para um problema grave, que não afeta apenas a Bahia, mas o Brasil”.
Produtores rurais, comerciantes e moradores da região reafirmam, ainda, que sempre houve convivência harmônica e pacífica com a comunidade indígena, e que “grupos de interesse externos e o crime organizado têm patrocinado a discórdia entre irmãos brasileiros que constituemum um só povo, situação que infelizmente já resultou na perda de vidas inocentes”.
E, por fim, agradeceram “a todos que contribuíram para o resultado”.











