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Para negociar com suspeitos, delegada de fingiu ser mãe de adolescente sequestrada em Barra de São Francisco

  Uma delegada da Polícia Civil fingiu ser a mãe de uma adolescente sequestrada para negociar diretamente com os criminosos e ganhar tempo para localizar...

Para negociar com suspeitos, delegada de fingiu ser mãe de adolescente sequestrada em Barra de São Francisco

 

Uma delegada da Polícia Civil fingiu ser a mãe de uma adolescente sequestrada para negociar diretamente com os criminosos e ganhar tempo para localizar o cativeiro. O grupo exigia R$ 950 mil para libertar a vítima, que é parente de um ganhador da Mega-Sena de Barra de São Francisco.

A policial assumiu o WhatsApp da mãe e respondeu às mensagens enviadas pelo responsável pela negociação. Enquanto mantinha o contato, equipes tentavam identificar os envolvidos e descobrir onde a adolescente estava.

“Eu assumi o WhatsApp da mãe da vítima e me passei por ela, negociando com o sequestrador na tentativa de ganhar tempo para que pudéssemos identificá-lo e localizar o cativeiro”, contou a delegada Jéssica Bohrer, da Delegacia Regional de Barra de São Francisco.

A estratégia ajudou a polícia a encontrar a adolescente em menos de 48 horas. Ela foi resgatada com vida e a família não precisou pagar o valor exigido.

A vítima de 16 anos foi sequestrada em uma segunda-feira à noite. Na madrugada do dia seguinte, a mãe começou a receber mensagens com ameaças, além de imagens e vídeos da filha vendada e sendo levada dentro de um carro.

A mulher procurou a Delegacia Regional de Barra de São Francisco e pediu ajuda. A investigação foi assumida pela equipe da unidade, com apoio da Divisão Antissequestro e das forças de segurança da Bahia.

Inicialmente, os criminosos pretendiam sequestrar outro parente do ganhador da Mega-Sena. Diante das dificuldades para chegar ao primeiro alvo, o grupo acabou levando a adolescente.

O prêmio que despertou a cobiça dos criminosos foi de quase R$ 100 milhões e havia sido conquistado no ano anterior.

Durante a investigação, a polícia descobriu que o homem responsável por negociar o resgate estava dentro de um presídio em Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia.

Ele seria um dos responsáveis por transmitir as exigências da organização criminosa à família. O grupo começou pedindo R$ 950 mil e reduziu o valor ao longo das negociações.

Enquanto a delegada prolongava a conversa, as equipes conseguiram identificar o interlocutor e localizar o cativeiro em Posto da Mata, distrito de Nova Viçosa, também na Bahia.

O cativeiro foi localizado na tarde de quarta-feira, antes que o sequestro completasse 48 horas. A adolescente foi resgatada sem ferimentos por uma equipe da Polícia Militar da Bahia.

Um homem que estava no imóvel entrou em confronto armado com os policiais e morreu. Segundo informações repassadas por moradores, outro suspeito teria deixado o local cerca de cinco minutos antes da chegada das equipes.

No cativeiro, foram encontrados um carro roubado com placas clonadas, drogas e uma arma. A família não chegou a entregar dinheiro aos sequestradores.

As investigações continuaram após o resgate e resultaram na Operação Sorte Reversa. Três pessoas suspeitas de participar do crime foram presas neste fim de semana.

Duas mulheres foram localizadas em Teixeira de Freitas, na Bahia. Um homem foi preso em Linhares, no Espírito Santo.

Segundo a investigação, uma das mulheres teria atuado como batedora para o grupo. A outra teria alugado o carro usado para buscar a vítima. A Polícia Civil não detalhou qual função foi atribuída a cada investigada.

Pelo menos cinco pessoas já foram identificadas como participantes do sequestro. A polícia apura se outros integrantes também ajudaram a planejar ou executar o crime.

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