spot_img

― PUBLICIDADE ―

MP denuncia empresários e dirigentes por suposto esquema milionário na saúde pública em Mantena

  O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia criminal contra empresários e dirigentes de entidades hospitalares por um suposto esquema de irregularidades envolvendo...

MP denuncia empresários e dirigentes por suposto esquema milionário na saúde pública em Mantena

 

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia criminal contra empresários e dirigentes de entidades hospitalares por um suposto esquema de irregularidades envolvendo a gestão de recursos públicos da saúde no município de Mantena (MG). A ação tramita na Justiça e envolve acusações graves como fraude à licitação, cartel, falsidade ideológica, sonegação fiscal e desvio de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a denúncia, o grupo teria articulado, a partir de 2022, a transferência da gestão integral de dois hospitais filantrópicos o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) e o Hospital Evangélico de Mantena (HEM) para a empresa privada UNIRAD Unidade de Radiodiagnóstico São Francisco Ltda., sem que houvesse previsão legal ou participação em processo licitatório.

Segundo o Ministério Público, os contratos firmados entre os hospitais e o município proibiam expressamente a subcontratação dos serviços. No entanto, poucos dias após a assinatura desses contratos públicos, os dirigentes das instituições celebraram acordos com a empresa privada, entregando a ela o controle total da gestão hospitalar.

A investigação aponta que o esquema teria permitido à empresa acessar recursos públicos destinados à saúde, incluindo repasses do SUS, que somam valores superiores a R$ 964 milhões ao longo dos anos. Parte desses recursos teria sido direcionada à iniciativa privada por meio de cláusulas contratuais consideradas irregulares, como a retenção de percentual sobre o faturamento dos hospitais.

Ainda conforme o MP, há indícios de formação de cartel e domínio de mercado na região, uma vez que os envolvidos teriam atuado de forma coordenada para eliminar a concorrência e centralizar os serviços hospitalares sob controle da mesma empresa.

Outro ponto destacado na denúncia é a suposta confusão patrimonial entre a empresa privada e os hospitais filantrópicos. Documentos indicam que a UNIRAD utilizava os mesmos endereços das unidades hospitalares como locais de funcionamento, o que, segundo o órgão, evidencia a integração operacional entre as entidades.

O Ministério Público também sustenta que houve uso indevido de benefícios fiscais concedidos às instituições filantrópicas, como a imunidade tributária garantida pelo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). De acordo com a acusação, esses benefícios teriam sido aproveitados por uma empresa com fins lucrativos, o que é vedado pela legislação.

Além disso, a denúncia aponta possível exercício irregular de atividade na área da saúde, já que a empresa investigada teria assumido funções típicas de gestão hospitalar sem habilitação legal para tal atuação.

Diante dos fatos, o MP requer o recebimento da denúncia pela Justiça, a continuidade das investigações, a produção de provas incluindo auditorias e quebra de sigilo bancário — e, ao final do processo, a condenação dos envolvidos, além da reparação dos danos causados aos cofres públicos.

 

spot_img
spot_img
spot_img