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Comerciantes sentem dificuldades para fechar as contas de fevereiro

O mês de fevereiro pode ser mais difícil de fechar as contas para alguns comerciantes. Por causa do período de festas de carnaval e saída da cidade, as rotinas foram alteradas durante o mês. Enquanto parte do comércio e o turismo se beneficiaram desse clima carnavalesco, outras tiveram dificuldades. 

Cenário que já vem sendo percebido pela cozinheira Joelma Pereira, 40, dona de um restaurante no Gama, no Distrito Federal. Ela conta que, neste mês, não tem conseguido manter as contas em dia. Os produtos que ficaram mais caros também têm contribuído para mudanças no estabelecimento. 

“Estou tendo que escolher qual conta pago hoje, qual deixo para amanhã, em vez de manter os pagamentos diários, como estava fazendo antes. Infelizmente, em fevereiro eu tenho que escolher no dia, por causa desse aumento que tenho sentido no resultado final. Quando pago tudo que costumava comprar, por exemplo, em dezembro e janeiro dava um valor e em fevereiro tem dado R$ 200, R$ 300 a mais”, relata. 

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) — que abrange sete capitais do país — da terceira quadrissemana de fevereiro de 2024 variou 0,60% e acumula alta de 3,64% nos últimos 12 meses.

Cinco dos oito setores que compõem o índice registraram alta: Transportes (0,36% para 0,63%), Habitação (0,11% para 0,23%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,50% para 0,61%), Vestuário (-0,20% para 0,06%) e Comunicação (0,34% para 0,48%) apresentaram avanço em suas taxas de variação. A gasolina saiu de 0,84% para 1,70%. 

De acordo com o economista Raimundo Souza, o aumento nos Transportes pode ser um dos motivos para os comerciantes da área de alimentação sentirem os preços mais altos. 

“Essa variação positiva no item transportes traz um impacto no bolso do consumidor. E isso é influenciado bastante por conta de variações no preço dos combustíveis, principalmente da gasolina, então isso realmente impacta no dia a dia das pessoas”, avalia. 

Já o grupo Educação, Leitura e Recreação teve queda de 0,73% na segunda quadrissemana para -0,14% na terceira. Alimentação (1,38% para 1,18%), principalmente hortaliças e legumes, e Despesas Diversas (2,33% para 1,81%) também registraram reduções. 

Normalidade

No entanto, o economista Luigi Mauri explica que não há motivos para preocupação porque essa variação não impacta diretamente no dia a dia da população, já que é um acompanhamento semanal, —e é saudável que os preços subam em uma economia em expansão. 

“Uma economia em deflação, com os preços em queda, é uma economia que não cresce, em que os salários não estão aumentando. Em uma economia como a nossa, em que os salários reais estão crescendo, o PIB está crescendo, economia em expansão, é saudável que se tenha uma inflação. O Brasil está cumprindo as metas de inflação e é muito importante que se olhe para agregados do dado e não somente para dados isolados”, comenta.

Seis das sete capitais pesquisadas registraram decréscimo no IPC-S: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Apenas São Paulo teve aumento, de 0,76% para 0,82%. 

Nas vendas no varejo, em geral, neste ano, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta um avanço modesto, com um crescimento estimado de 1,1% em comparação com 2023, mesmo com as perspectivas positivas de queda da inflação. No início de fevereiro, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou que o varejo cresceu 1,7% em 2023 — abaixo dos patamares observados antes de 2018, quando o setor registrava índices acima de 2%.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil