Wilson Rodrigues, da Rede Notícia, conversou, neste domingo (1º), com um casal de empresários de Nova Venécia, no Noroeste do Espírito Santo, Diane Ferrari e Gustavo Sacconi. Eles estão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e relatam tensão, medo e o susto ao ouvirem explosões provocadas por contra-ataques do Irã contra bases dos Estados Unidos (EUA) espalhadas pelos Emirados desde sábado (28), após ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã que resultaram na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
“Nós estamos em Dubai; chegamos aqui na terça-feira (24). Eu e o Gustavo, de terça até sábado (28) de manhã, tivemos tudo muito tranquilo. Sábado, nós locamos um carro para tentar ir a Abu Dhabi para conhecer a cidade. Por questões nossas, de quilometragem do carro, acabou que ficamos em Dubai mesmo e deixamos Abu Dhabi para um outro momento. Quando deu duas da tarde [horário local], nós estávamos almoçando em um restaurante na orla da Marina, aqui em Dubai, e escutamos uma explosão”, detalha a empresária Diane Ferrari.
“Já era o primeiro míssil caindo sobre uma base dos Estados Unidos em Abu Dhabi. E aí a gente viu a tensão no rosto das pessoas, pedimos a conta e viemos para o hotel. Chegamos ao hotel e começaram, por volta das seis da tarde, as outras notícias. Caiu mais um míssil em um hotel, na Marina, e logo em seguida no Burj Al Arab. Depois teve um outro atentado ao lado do Burj Khalifa. Então foi um atrás do outro, uma tensão muito grande. Muita gente chegando de todo lugar do mundo, porque o aeroporto também foi atingido; se não me engano, foi o segundo míssil que caiu”, contou Diane.
“Na medida do possível, está tudo indo bem, estamos tentando ficar em segurança. O saguão do hotel está sempre muito cheio, chegando muita gente, porque o aeroporto está fechado. Todo o espaço aéreo encontra-se fechado neste momento, sem previsão para voar”, detalhou a empresária.
O empresário Gustavo Sacconi falou sobre o clima na região diante das retaliações iranianas. “Nosso sentimento é de muita tensão. Depois desses ataques de ontem que ela relatou, ficamos no hotel até umas 4h30 da manhã, horário local. Quando subimos para descansar, recebemos uma mensagem diferente no aparelho. Não é SMS, não é WhatsApp; é um alerta que fica na tela bloqueada, no qual as autoridades pedem para se afastar das janelas, de portas e descer de andares mais altos, porque poderíamos sofrer ataques de mísseis e drones”, disse.
“Acordamos assustados; é uma sensação de impotência. Conseguimos descansar por volta das 6h da manhã. O dia amanheceu bonito, a cidade tranquila e todos falavam que os conflitos tinham acabado, mas aí começaram as retaliações agora. Estávamos almoçando próximo ao Burj Khalifa quando ouvimos uma forte explosão e corremos para o hotel de novo. A tensão aqui é muito grande”, conta Gustavo.
“Estamos entrando em contato com o consulado em Abu Dhabi. Eles estão dando assessoria sobre o que fazer com a companhia aérea e a agência. Estamos aqui em um stopover, pois íamos a trabalho para Hong Kong, na China. Pelo que conversamos, vamos abortar a missão e tentar o primeiro voo disponível para voltar ao Brasil, assim que liberarem o espaço aéreo”, afirmou o empresário.
“O clima é muito tenso. Várias pessoas minimizam, mas não é brincadeira. Nosso medo é de tudo, porque não sabemos se há um carro-bomba ou qualquer ameaça. Estamos no 23º andar de um prédio de 72; as malas estão prontas, pegamos o essencial e dinheiro vivo. Estamos seguros, mas aflitos. Nosso maior medo é que cortem a comunicação, mas nossos familiares já têm nossa localização. Rezamos para que isso acabe logo e para estarmos perto da nossa família”, finalizou.
Para você entender melhor:
Durante a entrevista, o empresário Gustavo Sacconi disse que está em Duabi com a esposa, Diane Ferrari de “stopover”. Stopover é uma parada programada de 24h ou vários dias em uma cidade de conexão, permitindo conhecer dois destinos pelo preço de uma passagem.
O conflito no Oriente Médio:
Uma operação militar conjunta entre os Estados Unidos e Israel atingiu o Irã na manhã de sábado (28). Pouco tempo após a ofensiva, o presidente americano Donald Trump declarou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morreu durante os bombardeios.
A confirmação da morte também veio por parte do governo do Irã. Por meio do Conselho Supremo de Segurança Nacional, as autoridades informaram que Khamenei faleceu em seu escritório enquanto “realizava tarefas”. O anúncio na televisão estatal foi marcado por comoção, com o apresentador visivelmente emocionado ao decretar luto oficial de 40 dias no país.
Em pronunciamento, Trump descreveu o líder iraniano como “uma das pessoas mais perversas da história”. O presidente dos EUA defendeu que o momento representa “a maior oportunidade que o povo iraniano já teve para recuperar seu país”, indicando um incentivo à mudança de governo na nação persa.
A resposta militar de Teerã ocorreu neste domingo (1º). A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou a retomada de ataques contra Israel e bases dos EUA no Oriente Médio, classificando a nova fase como a “operação ofensiva mais devastadora da história das forças armadas da República Islâmica”. Relatos indicam explosões em locais como Dubai (Emirados Árabes), Doha (Catar), Bahrein e Kuwait.
Paralelamente, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram novos bombardeios contra alvos governamentais “no coração de Teerã”. Segundo o comando israelense, as incursões visam garantir a “superioridade aérea” na região. Veículos de comunicação locais já confirmam o som de fortes explosões na capital iraniana.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota sobre o conflito no Oriente Médio. Leia, na íntegra:
O Governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.
Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.
Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa, ainda, solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário.
O Brasil reafirma que o diálogo e a negociação diplomática constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura, cabendo às Nações Unidas papel central na prevenção e na resolução de conflitos, nos termos da Carta de São Francisco.











