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ES: mulher perde mais de R$ 500 mil com vício em apostas on-line

O que começou como uma distração no celular se transformou em um problema que afetou toda a família. Uma moradora do Espírito Santo, que prefere não ser identificada, contou que uma parente dela perdeu mais de R$ 500 mil por causa do vício em apostas on-line. A informação é de Tarciane Vasconcelos, do g1 ES.

O dinheiro seria usado para quitar uma casa. A familiar foi diagnosticada com ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos de azar. Segundo a jovem, a doença mudou completamente a rotina da família.

Coloridos e chamativos, muitos jogos on-line também usam uma linguagem infantil para chamar atenção do público. “Hoje, essa familiar diz que fica ouvindo eles quando tá tomando banho ou quando tá tentando dormir.”

A familiar que relata o drama explicou que muitos jogos também são apresentados de forma aparentemente inofensiva, o que facilita o envolvimento dos usuários. E, consequentemente, o vício.

“Tem aviãozinho, tigrinho, gatinho… Sem nem perceber, coisas que parecem inofensivas, a pessoa acaba caindo no vício. Sem nem perceber mesmo!”

Segundo a jovem, um dos maiores desafios é identificar quando o comportamento deixa de ser lazer e passa a ser uma compulsão.

“É muito complexo porque não é um vício como o álcool ou as drogas. Um familiar passa horas no celular e você acha que é normal, que ele está entediado em casa, mexendo nas redes sociais, mas é muito difícil, porque a pessoa está tendo um comportamento compulsivo com algo que não se tira dela, que é o próprio celular. É um vício que precisa de rede de apoio forte para conseguir combater.”

Ela contou que a compulsão chegou a um ponto em que necessidades básicas passaram a ser deixadas de lado.

“A compulsão pelo jogo se tornou tão grande que as suas necessidades básicas viram secundárias, porque a pessoa só quer jogar pelo vício da aposta.”

No fim do ano passado, o governo federal lançou uma ferramenta de autoexclusão para pessoas que desejam interromper o acesso às plataformas de apostas regulamentadas.

Pelo sistema, disponível no portal Gov.br, o próprio usuário pode solicitar o bloqueio do acesso às casas de apostas autorizadas, definir o período da restrição e deixar de receber publicidade relacionada ao tema.

O professor de Segurança Digital da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Rodolfo Villaça, explicou que a medida tem limitações, mas pode ajudar quem enfrenta o problema.

“É importante deixar claro que esse bloqueio só funciona para casas de apostas que estão legalizadas na Receita Federal. Aquelas que operam na ilegalidade continuam livres desse bloqueio, mas, considerando que a maioria das casas de apostas está legalizada, é uma solução que ajuda a mitigar o problema.”

Para o psiquiatra João Paulo Cirqueira, a ferramenta representa uma importante estratégia para reduzir a exposição das pessoas ao jogo.

“Tem uma eficiência importante, no sentido que reduz a chance da pessoa se expor ao dano. Nesse sentido, sim, é uma medida importante para qualquer pessoa que tenha um quadro de dependência de jogos.”

A familiar da paciente reforça que o apoio da família é essencial para identificar os primeiros sinais da doença e incentivar a busca por tratamento.

“É muito importante que a família fique de olho nas pessoas que amam, se estão isolando, irritabilidade, perdendo dinheiro, deixando de pagar contas.”

 

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