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Escola Família Agrícola de Boa Esperança celebra 40 anos formando gerações fortalecendo o campo

 

A Escola Família Agrícola de Boa Esperança (EFABE), está celebrando 40 anos de uma história marcada pela formação de jovens, fortalecimento das comunidades rurais e promoção de uma educação voltada para a realidade do campo. A comemoração aconteceu ontem, reunindo estudantes, ex-alunos, educadores, parceiros e toda a comunidade escolar.

Fundada em 1986, a instituição se consolidou como referência na pedagogia da alternância, metodologia que une o aprendizado em sala de aula à vivência prática junto às famílias e às propriedades rurais. Ao longo dessas quatro décadas, a escola já formou 783 estudantes em 38 turmas concluintes.

Durante entrevista concedida à Rádio Notícia FM, a diretora da escola, Júlia Helmer, destacou a importância histórica da instituição para o Norte do Espírito Santo. “A gente agradece a oportunidade de estar aqui dialogando um pouquinho nessa celebração tão marcante para a nossa escola, que são os 40 anos de trajetória”, afirmou.

Segundo Júlia, a escola surgiu a partir de uma articulação regional para garantir a oferta do ensino médio técnico em agropecuária no Norte capixaba. “Nossa escola surge aqui em Boa Esperança em 1986. Ela inicia as atividades como uma articulação de toda a região norte do Espírito Santo para a garantia da pedagogia da alternância”, explicou.

A diretora lembrou que, naquela época, já existiam escolas famílias agrícolas na região, mas apenas com ensino fundamental. “A gente já tinha diversas escolas aqui no norte do estado que ofertavam o ensino fundamental, mas não tínhamos escolas que ofertassem o ensino médio com curso técnico em agropecuária, que era ofertado no sul do estado”, contou.

Ela destacou ainda a união entre poder público, organizações sociais, comunidades e Igreja Católica para tornar o projeto realidade. “Os municípios aqui da região norte, com a participação muito intensa do Poder Público de Boa Esperança, das organizações sociais, das comunidades e da Igreja Católica na época, se mobilizam em vista de garantir que aqui na região norte a gente tivesse uma escola que ofertasse o ensino médio e o curso técnico em agropecuária.”

Ao falar sobre o principal diferencial da escola, Júlia ressaltou a pedagogia da alternância, modelo educacional criado na França na década de 1930 e difundido em vários países. “A escola Família Agrícola, o principal diferencial é a pedagogia da alternância”, afirmou.

Ela explicou que a metodologia busca promover uma formação integral dos estudantes. “A pedagogia da alternância preza principalmente por uma educação contextualizada e uma formação integral. A escola não visa só o desenvolvimento técnico ou só o desenvolvimento científico da pessoa, mas esses elementos integrados ao desenvolvimento humano, ao desenvolvimento ecológico, ao desenvolvimento ético”.

Segundo Júlia, a proposta pedagógica está diretamente ligada à realidade vivida pelos estudantes e suas famílias. “É uma pedagogia que está vinculada e que se desenvolve a partir da realidade das pessoas”.

A diretora também esclareceu as siglas frequentemente utilizadas pela comunidade escolar. Ela explicou que o MEPES é a entidade mantenedora da escola, enquanto EFABE é o nome oficial da instituição. “O MEPES é o Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo. Hoje ele tem 18 escolas em todo o estado e responde legalmente pelas escolas famílias agrícolas. A EFABE é a Escola Família Agrícola de Ensino Médio e Educação Profissional de Boa Esperança”, explicou.

Atualmente, a escola conta com quatro turmas: uma de primeira série, uma de segunda e duas de terceira série do Ensino Médio integrado ao Técnico em Agropecuária, totalizando 115 estudantes dos municípios de Boa Esperança, a escola atende estudantes de São Mateus, Pinheiros, Nova Venécia e Conceição da Barra.

Ao analisar os impactos produzidos pela escola ao longo dos 40 anos, Júlia afirmou que o maior legado da EFABE é a formação humana dos estudantes. “A formação humana talvez seja o nosso principal legado”, declarou.

Ela destacou que ex-alunos frequentemente relatam a importância da escola em suas vidas. “Onde você encontra um ex-estudante da Escola Família Agrícola de Boa Esperança, a gente sempre ouve esse relato do quanto a escola foi importante para o desenvolvimento humano, para o desenvolvimento social e profissional dessas pessoas”.

A diretora também ressaltou a contribuição da escola para o desenvolvimento técnico da região. “Pensando no desenvolvimento da produção agropecuária de forma sustentável, que cuide também dos recursos da natureza, das pessoas, das comunidades e do território”.

Segundo ela, a EFABE teve papel pioneiro na formação técnica agrícola no Norte capixaba. “Nós somos pioneiros na oferta do curso técnico em agropecuária aqui na região Norte”.

Além da celebração, a escola também pretende deixar um marco simbólico para as futuras gerações. “A gente tem a perspectiva de construir o Bosque dos 40 anos na escola, que é um espaço de plantas nativas, que deixem ali também um legado desses 40 anos para os próximos estudantes, famílias e comunidade”.

Estudantes destacam transformação pessoal proporcionada pela escola

Os estudantes Natanael Guerra Nunes e Marina dos Santos Coutinho, ambos da terceira série do Ensino Médio integrado ao Técnico em Agropecuária, também participaram da entrevista e compartilharam suas experiências na EFABE.

Natanael contou que escolheu estudar na escola por causa do curso técnico e da pedagogia da alternância. “Ela ajuda a formar estudantes capacitados que questionam a própria realidade”, afirmou.

O estudante destacou que a metodologia incentiva o protagonismo juvenil. “A gente aprende a questionar a nossa realidade e buscar meios a fim de que a gente possa mudar essa realidade”.

Ele também ressaltou o aprendizado coletivo proporcionado pela convivência escolar. “A gente aprende muito lá nas práticas, a ajuda mútua com os outros colegas”.

Para Natanael, a escola teve papel fundamental na construção dos seus objetivos de vida. “Me ajudou muito a tomar decisões sobre o futuro, ajuda a gente a decidir a nossa realidade, a sermos protagonistas do nosso próprio futuro”, declarou.

Já Marina contou que sua ligação com as escolas famílias agrícolas começou ainda na infância. “Eu já venho de uma escola família agrícola. Em toda a minha vida já estudei em escola do campo”, relatou.

Ela disse que foi incentivada por familiares que estudaram na EFABE. “Meu irmão e alguns familiares já estudaram na EFABE. Eles me indicaram e eu gostei muito”.

A estudante afirmou que a escola vai além da formação técnica. “A EFABE, além de formar profissionais, nos ajuda a formar boas pessoas. A escola expressa muito sobre protagonismo, empatia e respeito”, destacou.

“Tenho muito orgulho de participar desses 40 anos. Estou há três anos na escola e espero voltar novamente no ano que vem”, finalizou.

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