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Rosas de Ouro e Dragões da Real encantam em noite marcada por atraso nos desfiles em SP

ANDRÉ FLEURY MORAES E CRISTINA CAMARGO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro dia de desfiles do grupo especial do Carnaval de São Paulo, entre...

Rosas de Ouro e Dragões da Real encantam em noite marcada por atraso nos desfiles em SP

ANDRÉ FLEURY MORAES E CRISTINA CAMARGO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro dia de desfiles do grupo especial do Carnaval de São Paulo, entre a noite desta sexta-feira (13) e a madrugada e manhã deste sábado (14), teve atrasos, carros enormes e tecnológicos, além de luxuosas alegorias.

A segunda noite do grupo especial começa neste sábado, às 22h30, com outras sete agremiações.

A escola com maior nota dos dois dias será campeã. As duas piores acabarão rebaixadas. A apuração ocorre na terça-feira (17) à tarde.
Dragões da Real e Rosas de Ouro fizeram apresentações que encantaram o público no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

Acadêmicos do Tatuapé, Colorado do Brás e a multicampeã Vai-Vai, maior vencedora do Carnaval paulistano, com 15 títulos, realizaram bons desfiles.

A organização do Carnaval neste ano teve mudanças. Torres foram espalhadas pelos 530 metros de pista para que jurados pudessem avaliar as escolas de perto ou de longe.
É o posicionamento dos últimos avaliadores que pode ameaçar a nota de evolução do bom desfile da Mocidade Unidos da Mooca, agremiação da zona leste paulistana, que reverenciou a força da mulher negra.

Estreante no grupo especial, a escola levou a filósofa, escritora e ativista antirracista Sueli Carneiro como um dos principais destaques.

A agremiação apresentou o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, que destacou a força da mulher negra e fez referências à ancestralidade iorubá. O enredo é uma homenagem ao Geledés – Instituto da Mulher Negra, fundado por Sueli.

A escola emocionou o público com as paradinhas da bateria e com os punhos levantados de seus componentes, em gestos de luta contra o racismo.

Outro destaque foi a presença da deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), com a faixa de “presidenta”, como já havia feito no desfile da Paraíso do Tuiuti, em 2025, no Rio de Janeiro.
A escritora Conceição Evaristo também foi homenageada em um dos carros alegóricos.

A escola precisou correr no final. Encerrou o desfile com 1h5min40s, ou seja, a apenas 20 segundos do limite de tempo. Nitidamente, os convidados que fechavam o desfile apertaram o passo e quase chegaram a correr, o que pode comprometer notas de evolução.

A segunda escola a entrar na pista, a Colorado do Brás, “soltou as bruxas”, em um desfile colorido.

Entre os destaques estava a ala das baianas. As componentes tinham braços falsos que seguravam um arranjo de folhas. Os verdadeiros se transformavam em enormes asas de coruja.

A atriz Fabi Bang, intérprete de Glinda na montagem brasileira de “Wicked”, desfilou com o figurino da personagem.

O terceiro carro, “Convenção das Bruxas”, carregou personagens da infância e da ficção, como a Cuca, do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato. Crianças se espalhavam em meio a guloseimas.

Um dos fundadores da Colorados do Brás, o aposentado Albertino José Guedes disse que o desfile da agremiação “deu certinho”.

Tino nunca saiu da Colorado desde que ajudou a inaugurar a agremiação, em 1975. “Prefiro o Carnaval de hoje”, afirma, ao lembrar de um passado mais artesanal e amador.

Terceira escola na ordem dos desfiles, a Dragões da Real apresentou o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, o primeiro de temática indígena de sua história.

Nascida de uma torcida uniformizada do São Paulo, a escola levou para o Anhembi torcedores com faixas de cidades do interior do estado, como de Presidente Prudente, município a mais de 550 km da capital paulista.

Foram os enormes carros alegóricos e seus efeitos especiais que chamaram a atenção. O abre-alas tinha um dragão de 12 metros e comprimento 9 metros de altura, que mexia a cabeça, abria as asas e soltava fumaça. Logo atrás havia uma indígena de 10 metros de altura com um arco e flecha nas mãos.

Entre gigantescas cobras, uma onça se transformava em mulher quando abria a boca.

Madrinha de bateria, Lexa fez sua estreia no Carnaval paulistano. A cantora protagonizou um dos momentos de efeitos especiais da agremiação. Para representar o poder de sentinela da mata, ela “produziu” luz verde e fumaça com as próprias mãos na avenida.

A Acadêmicos do Tatuapé entrou no sambódromo para recuperar o título que viu escorrer pelas mãos no ano passado. A escola somou os mesmos 269,8 pontos que a campeã Rosas de Ouro, mas ficou em segundo lugar nos critérios de desempate.

“Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra” foi o enredo de 2026, em uma crítica à concentração fundiária no Brasil e uma ode à esperança por dias melhores.

O jornalista Chico Pinheiro e o ex-jogador Raí participaram do desfile em homenagem ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Cantando alto o tempo todo, os foliões chamaram a atenção pela empolgação no percurso. O desfile terminou em celebração pela fartura das colheitas, com esculturas de violeiro e sanfoneiro para animar a festa.

Agricultores familiares doaram frutas para enfeitar um dos carros alegóricos e, após a apresentação, elas serão distribuídas para famílias da comunidade do Tatuapé.

A Acadêmicos do Tatuapé tinha uma equipe de apoio em todas as alas do desfile. Parte de seus integrantes carregava um pequeno defumador com ervas como alecrim, guiné, sal grosso e mesmo café.

O objetivo, diz a terapeuta ocupacional Bianca Zanardi, 34, era “limpar toda a energia e garantir um caminho próspero” à escola.
A atual campeã, Rosas de Ouro, compensou com luxo e precisão as últimas adversidades. A escola da região da Brasilândia, zona norte de São Paulo, foi punida com a perda de 0,5 ponto por descumprir o prazo de entrega das pastas técnicas aos jurados.

Um vazamento de óleo da escola anterior atrasou em mais de uma hora o início do desfile da Rosas em relação à programação oficial. Mas a agremiação fez um desfile com fantasias e alegorias luxuosas e sem críticas. Os grandes carros chamavam a atenção com a iluminação. A escola empolgou o público.

A astróloga Márcia Sensitiva foi uma das atrações do enredo “Escrito nas Estrelas”, com cortejo que mostrou o universo desde sua criação até o uso como guia do pensamento e destino humano.
Com sol nascendo, a Vai-Vai fez uma apresentação, literalmente, cinematográfica. A apresentação homenageou os trabalhadores de São Bernardo do Campo a partir da Companhia de Cinema Vera Cruz, que se tornaria o maior parque cinematográfico da América do Sul e fez história.

Como nos anos anteriores, o samba-enredo da escola da Bela Vista, centro de São Paulo, colocou o Anhembi para cantar em um desfile sem sustos.

Ele foi executado “com garra e vontade”, disse Diogo Santos, 32, que elaborou a coreografia ao lado de Priscila Paciência, 41. Foi a estreia da dupla na Vai-Vai.

“Se for pela energia que a galera transmitiu para a gente a escola será campeão”, afirmou Priscila.

Última da leva, a Barroca da Zona Sul desfilou em plena luz do dia com uma ode a Oxum, a orixá das águas doces e a divindade da beleza, do amor, da riqueza e do ouro.

A escola teve um pequeno problema no segundo carro e fez um desfile compacto.

O carro seguinte ficou disperso em relação à alegoria à frente em determinado ponto do desfile. Como nos outros anos, também colocou quem ainda estava no sambódromo para cantar.

A última escola do dia não estourou o tempo por pouco, com 1h5min1s.

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