spot_img

― PUBLICIDADE ―

Mãe é presa ao tentar levar drogas para filho em unidade socioeducativa no ES

Uma mulher de 35 anos foi presa após tentar entrar com drogas em uma unidade do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases),...

Nossa luta, por Pedro Valls

Na aurora de 2020, a conceituada Universidade de Cambridge entregou à humanidade um sério alerta na forma de um relatório denominado “Satisfação Global com a Democracia”.

Ao término de longa pesquisa de opinião pública (quatro milhões de consultas entre 1973 e 2020), os pesquisadores detectaram um fenômeno preocupante: a maioria da população mundial está desiludida com a democracia.

A nível global o índice de insatisfação subiu de 47,9% para 57,5% desde meados da década de 1990. Um dos autores do estudo, Dr. Roberto Foa, bem sintetizou o estado de coisas: “a democracia está doente”.

Observo que este não é um quadro relativo a governos, mas, antes, ao sistema que os gera. Houve o cuidado de isolar-se dos resultados questões momentâneas ou paroquiais.

Qual a explicação? Há várias, claro. Mas chamou-me a atenção um fator especialmente realçado pelo historiador David Olusoga, em artigo publicado no jornal britânico The Guardian:

“Quando os bancos tiveram problemas durante a crise econômica de 2008, receberam ajuda – e o resto de nós austeridade”.

Eis aí uma dura verdade. Pelo planeta afora temos visto governos legitimados pelo voto popular conferindo benesses a grandes empresas e reduzindo, absurdamente, a qualidade e a quantidade dos serviços a serem prestados pelo Estado – enquanto isso, a reboque, começam a subir descontroladamente os níveis de pobreza e desigualdade.

Faço rápida pesquisa em meu banco de dados. Retorno a 25 de outubro de 1999, quando a conceituada revista Time publicava uma séria frase de Mohammed Tariq, um motorista de taxi paquistanês de apenas 22 anos de idade: “Nós não queremos democracia. Queremos apenas lei, ordem e preços estáveis”.

Vou à janela. Vejo o mundo mergulhado em denúncias de corrupção e optando pela impunidade mais acintosa. Contemplo a epidemia então instalada no planeta – e os Estados completamente despreparados, com sistemas de saúde falidos e estruturas sucateadas. Uma vez mais começam as discussões sobre benefícios e resgates para alguns poucos – ao custo da austeridade para muitos.

A democracia não nos foi presenteada. Foi conquistada.

Daí nosso dever maior de provar ser ela compatível com o desenvolvimento econômico e social – e incompatível com a corrupção. Este não é um dever apenas cívico – é, acima de tudo, espiritual.

 

Nossa luta, por Pedro Valls
spot_img
spot_img
spot_img

Boi gordo em queda a R$ 309,20