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Investidor deve reservar capital para ações do agronegócio

Historicamente, o agronegócio tem uma importante participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e, em 2023, não foi diferente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou crescimento de 2,9% da geração de riqueza em relação ao ano anterior, sendo que 15,1% desse aumento foi atribuído ao desempenho do setor agropecuário. 

Diante disso, especialistas passaram a incentivar investimentos em ações do agronegócio. 

A alocação de recursos para o setor pode ser uma estratégia de diversificação, considerando que a atividade engloba desde a indústria até a distribuição de produtos agrícolas e pecuários. 

As informações do mercado mostram que o agronegócio brasileiro é um dos mais competitivos do mundo, e sua resiliência frente às crises econômicas é reconhecida. Os produtos que se destacam nas safras são a soja e o milho.

Outro atrativo desse mercado é a variedade de opções disponíveis que atende diferentes perfis de investidores, com produtos de renda fixa e ativos de renda variável. Além das ações de empresas do agronegócio, há os fundos de investimento especializados no setor, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), a Cédula do Produtor Rural (CPR) e outras alternativas. 

É uma boa ideia investir em 2024? 

O agronegócio tem enfrentado um período de incertezas, com a recente queda das ações. A situação é consequência das perspectivas cada vez mais desfavoráveis para a produção de grãos no Brasil. No início do ano, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu a previsão para a safra, em razão dos efeitos do El Niño. O fenômeno climático trouxe problemas, principalmente, no norte do Mato Grosso e no norte do Brasil.

Outro fator que contribuiu para a queda das ações foi a desvalorização das commodities nas bolsas internacionais. Após o aumento dos preços das commodities agrícolas durante a pandemia da Covid-19, intensificado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços caíram devido à maior oferta mundial e à demanda estagnada.

Com a queda, as ações relacionadas ao agronegócio tornaram-se mais acessíveis para investidores iniciantes. No entanto, nem todas representam uma boa oportunidade de investimento. Por isso, a orientação de especialistas financeiros é fazer uma seleção cuidadosa dos ativos que podem trazer vantagens no futuro. 

Principais ações do setor

No cenário do agronegócio, algumas ações se destacam. A BrasilAgro (AGRO3), por exemplo, é uma líder no setor, com foco na aquisição e no desenvolvimento de propriedades rurais. O ativo iniciou o ano com uma cotação aproximada de R$ 26,04.

A 3Tentos (TTEN3), especializada em agropecuária, tem uma atuação diversificada que abrange segmentos como sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas e comercialização de grãos. Apesar de alguns desafios, a empresa tem mostrado resiliência e continua sendo uma referência no setor.

Outra ação que merece atenção é a Agrogalaxy (AGXY3), empresa focada em tecnologia para o agronegócio. Plataformas de gestão agrícola e monitoramento de lavouras estão entre seus serviços ofertados.

A Minerva Foods (BEEF3) se destaca no processamento de carne bovina, e a BRF Foods (BRFS3) é uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Outros nomes importantes do mercado incluem: JBS (JBSS3), Kepler Weber (KEPL3), Marfrig (MRFG3) e Raízen (RAIZ4). 

Sustentabilidade é tendência para os próximos anos

Apesar das incertezas, o potencial de crescimento do agronegócio brasileiro continua em alta. Em entrevista à imprensa, o economista e especialista em investimentos, Gustavo Araújo, citou algumas áreas que estão no topo das tendências para os próximos anos, com atenção especial para a sustentabilidade. Para ele, a demanda por fontes de energias renováveis é um dos principais pontos de atenção.

Gustavo fala sobre o etanol de milho como uma opção promissora. Ele explica que a alternativa está alinhada com os esforços globais para combater as mudanças climáticas. “Além disso, a produção de etanol de milho pode contribuir para a diversificação da matriz energética e promover o desenvolvimento econômico nas regiões produtoras”, completa. 

O especialista também destacou outros investimentos impulsionados pela agenda ESG (ambiental, social e de governança) e pela crescente demanda dos consumidores por alimentos orgânicos e provenientes de fontes sustentáveis. 

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