Histórias que inspiram atravessam gerações, e a de dona Perolina Miguel dos Santos é uma delas. Nascida no estado do Alagoas, ela construiu sua trajetória em Nova Venécia, onde completou 100 anos no último dia 6 de abril, cercada pelo carinho da família e dos amigos.
Mãe de oito filhos, avó de 20 netos e bisavó de 25 bisnetos, dona Perolina é símbolo de força, dedicação e amor. A filha mais velha, Maria Zarele, relembra com orgulho a trajetória da mãe. “Essa daqui é a nossa rainha. No dia 6 de abril, ela completou 100 anos de idade”, conta.
Ela destaca o crescimento da família ao longo dos anos e a mudança para o Espírito Santo. “Ela nasceu lá em Maceió. Casou, teve três filhos e depois veio para o Espírito Santo, porque o meu pai já estava aqui. Os outros cinco filhos nasceram em Nova Venécia”, explica.
A mudança aconteceu após o marido, que trabalhava como maquinista na construção de estradas, se estabelecer primeiro na região. Foi em Vitória que a família iniciou uma nova fase, antes de se fixar definitivamente em Nova Venécia.
Durante a infância dos filhos, dona Perolina também trabalhou fora de casa. “Por uns 10 anos, minha mãe trabalhou como servente em uma escola. Ela fazia serviços gerais, merenda… fazia tudo mesmo”, relembra Maria José, outra filha. Segundo a família, foi nesse período que ela construiu muitas amizades, sendo lembrada até hoje por pessoas da comunidade.
Habilidosa, ela também encontrou no crochê uma forma de demonstrar carinho. “Até dois anos atrás, ela fazia tapetes de barbante para os netos e bisnetos. Todo mundo ganhou”, diz Maria José.
Mesmo com o avanço da idade e algumas limitações de saúde, dona Perolina segue cercada de cuidados e amor. “Depois que ela começou a ter problemas de saúde, sempre foi muito cuidada. Acho que isso ajuda a fortalecer e prolongar a vida”, afirma a filha.
Religiosa e muito devota, ela sempre participou ativamente da vida da igreja. “Ela é católica e participou muito do Apostolado da Oração aqui em Nova Venécia”, destaca Maria Zarele.
No dia do aniversário, as comemorações foram simples, mas cheias de significado. “Ela já recebeu presentes, ganhou ovinhos de Páscoa dos netos e recebeu muitas visitas”, conta a família.
A própria dona Perolina resume o sentimento ao chegar aos 100 anos. “Tô feliz. Adoro receber a visita dos meus filhos, netos e amigos. Tenho tudo”, afirma.
Lúcida e com uma memória admirável, ela ainda surpreende os familiares. “Às vezes, ela lembra de coisas que nem a gente lembrava. É impressionante”, diz uma das filhas.
Para a família, o sentimento é de gratidão. “É agradecer a Deus pelo dom da vida dela, por ela ter chegado aos 100 anos com essa lucidez e por todas as pessoas que estiveram conosco nessa caminhada”, concluem.












