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Disfunções intestinais aumentam riscos de perda urinária

Explicação está no fato de o acúmulo de fezes no intestino favorecer o aumento da pressão na bexiga

 

A incontinência urinária é um problema que afeta a vida de mais de 10 milhões de pessoas no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), uma a cada 25 pessoas pode sofrer com a condição ao longo da vida. 

Publicações recentes da International Continence Society (ICS) definem incontinência urinária como toda perda involuntária de urina. A condição causa desconforto em situações cotidianas, como espirrar, tossir, correr, rir, pular ou levantar peso, que podem causar ou intensificar a perda de urina.

Conforme a SBU, o problema é duas vezes mais comum entre as mulheres. Cerca de 40% delas, com mais de 40 anos e após a menopausa, apresentam algum grau do distúrbio. Aproximadamente 8% dos homens que necessitam de cirurgia para remoção completa da próstata, devido ao tratamento de câncer, também podem apresentar perda involuntária de urina. Para quem sofre com o problema, a recomendação é que encontre um urologista para realizar o acompanhamento.

As causas da incontinência urinária podem ser várias. Uma delas são os problemas intestinais, sobretudo a constipação crônica. A explicação está na proximidade anatômica entre os órgãos e no compartilhamento da musculatura do assoalho pélvico e da inervação. O acúmulo de fezes no intestino favorece o aumento de pressão na bexiga, o que pode contribuir para os sintomas associados à síndrome de bexiga hiperativa.

“Quando o intestino está cheio, a pressão dentro da pelve aumenta e comprime a bexiga. Isso reduz a capacidade de segurar a urina e favorece os escapes. Além disso, a constipação enfraquece o assoalho pélvico porque o esforço repetido para evacuar sobrecarrega a musculatura”, explica a urologista Fabiana Fedrizzi.

Disfunções intestinais aumentam riscos de perda urinária

 A incontinência urinária também pode ser causada por infecção urinária ou vaginal, por consequência de cirurgias, fraqueza dos músculos do assoalho pélvico, obstrução da uretra por aumento da próstata, lesões na coluna cervical e disfunções intestinais, como a constipação ou obstipação.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), a constipação ou obstipação é caracterizada pela dificuldade persistente na evacuação, que requer um grande esforço e ocorre menos do que três vezes por semana. 

O problema é comum, afetando pessoas de todas as idades, embora seja mais frequente a partir dos 65 anos. Ainda assim, as mulheres têm maior probabilidade de sofrerem com prisão de ventre do que os homens, sobretudo durante a gravidez.

Entre os sinais e sintomas da constipação estão fezes duras e secas; dor, inchaço abdominal e flatulência; náuseas e vômitos; sensação de que a evacuação não é feita completamente. A indicação é buscar ajuda de um profissional caso haja perda de sangue pelo intestino ou anemia, perda de peso ou se a obstipação se agravou sem causa aparente. Nesses casos, pode haver indicações da colonoscopia com biópsia.

Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), entre as causas da obstipação estão:

Dieta pobre em fibras

A ingestão insuficiente de alimentos ricos em fibras favorece a desregulação do trânsito intestinal. As fibras aumentam o volume das fezes e amaciam-nas, o que facilita a sua progressão pelo intestino. É importante aumentar a ingestão de fibras e também de frutas, cereais integrais e legumes.

Desidratação

O consumo insuficiente de água favorece a prisão de ventre, tendo em vista que os líquidos contribuem para hidratar as fezes e auxiliar na sua expulsão. 

Sedentarismo

A prática regular de exercício físico ajuda a promover a contração normal dos músculos da parede intestinal (peristaltismo). Logo, um estilo de vida sedentário aumenta o risco de obstipação. 

Adiar a vontade de defecar

Adiar repetidamente a vontade de ir ao banheiro contribui para a diminuição do reflexo muscular que promove a eliminação das fezes.

Medicação

Alguns fármacos, como, analgésicos, antidepressivos, tranquilizantes, antiácidos ou anti-hipertensores, podem causar ou agravar o problema.

Uso abusivo de laxantes

A utilização prolongada e regular de laxantes pode fazer com que o intestino se torne dependente destes medicamentos.

Outro fatores

A obstipação pode ser provocada por estresse ou por mudanças repentinas no estilo de vida, como uma alteração dietética ou uma viagem. Além disso, a constipação pode estar associada a doenças que afetam o sistema digestivo, doenças metabólicas e doenças neurológicas.

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