Sete pessoas estão presas e duas são consideradas foragidas, suspeitas de envolvimento no sequestro de um empresário e investidor de 30 anos, em junho, em Jardim Camburi, Vitória. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil nesta quarta-feira (9), a vítima era monitorada há aproximadamente um ano pelos suspeitos.
O grupo conhecia a rotina da vítima e sabia até os horários em que ela frequentava aulas de futevôlei. Segundo a polícia, a exposição da vida pessoal e financeira do investidor nas redes sociais, incluindo sua atuação no mercado de criptomoedas, pode ter chamado a atenção dos criminosos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo planejava conseguir R$ 5 milhões com o sequestro e a extorsão, mas conseguiu retirar cerca de R$ 20 mil da vítima.
Os suspeitos identificados pela polícia são:
- Adilson de Jesus Neves Junior
- Samuel Camilo dos Santos
- Enoque Pereira Leal Filho
- Osmar de Azeredo Nunes
- Erlan Josme de Oliveira Alves
- Wilian Henrique Guimarães Gomes
- Laís de Jesus Teles
- Irlan Miguel de Souza Laranjeira
- Ana Julia da Silva
Samuel Camilo dos Santos, de 23 anos, e Ana Julia da Silva, de 21, permanecem foragidos e têm mandados de prisão em aberto. Segundo a polícia, Ana Julia era responsável por monitorar a movimentação policial durante o sequestro.
A investigação deu origem à Operação Tron, realizada pelo Deic em 27 de agosto. Na ocasião, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva na Serra.
Apesar do planejamento e do período de monitoramento, o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, afirmou que não há, até o momento, indicação de que os investigados formassem uma quadrilha especializada em sequestros ou planejassem outros crimes semelhantes.
A Polícia Civil pede que informações que possam ajudar a localizar os dois suspeitos foragidos sejam repassadas de forma anônima para o Disque-Denúncia, através do telefone 181; pelo site; ou pelo WhatsApp, enviando mensagem no número 27 99253-8181.
Vítima foi abordada em carro de luxo
O crime aconteceu em 11 de junho. A vítima dirigia um Porsche por Jardim Camburi quando teve a passagem bloqueada por um carro branco. Dois homens desceram de um veículo prata que vinha logo atrás e renderam o empresário.
Ele tentou fugir e entrou em luta corporal com os criminosos, mas foi empurrado e colocado à força no carro. Os dois veículos deixaram o local.
A vítima foi levada para Jardim Carapina, na Serra, a cerca de 15 minutos de carro do ponto onde foi abordada.
A polícia aponta Adilson de Jesus Neves Junior e Osmar de Azeredo Nunes como mentores do crime. Segundo a investigação, os dois monitoraram a rotina da vítima e, posteriormente, envolveram outras pessoas no planejamento e na execução do sequestro.
Também são apontados como executores Enoque Pereira Leal Filho e Samuel Camilo dos Santos.
Quando foi encontrado pela polícia, o influencer contou que estava em uma área de mata e conseguiu fugir de oito homens armados.
Rastreamento do celular ajudou polícia
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, a ação dos criminosos foi descoberta depois que o pai da vítima conseguiu rastrear o telefone do filho.
Durante o sequestro, a vítima chegou a transferir criptomoedas aos criminosos. Adilson teria recebido o dinheiro e repassado parte do valor para Laís de Jesus Teles, que, de acordo com a investigação, dividiu a quantia com Osmar, Erlan Josme, Enoque e Samuel.
Polícia alerta sobre exposição nas redes sociais
Para a Polícia Civil, a forma como o empresário foi escolhido reforça a importância de ter cuidado com as informações compartilhadas nas redes sociais.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, publicações sobre veículos, locais frequentados, endereço, rotina e condição financeira podem fornecer informações úteis para criminosos.
“A partir do momento em que você tem uma ampla exposição da sua condição econômica, dos locais que frequenta, expõe o lugar onde mora, o seu veículo e, por vezes, dados pessoais, isso pode chamar a atenção de um criminoso”, alertou.
O delegado-geral afirmou que os cuidados adotados no dia a dia também devem ser mantidos no ambiente virtual. A orientação é evitar a divulgação excessiva de informações que permitam identificar a rotina ou a situação financeira de uma pessoa.
No dia a dia, a polícia também recomenda atenção ao circular em vias públicas e evitar a exposição de objetos de valor, como joias e celulares.










