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Indústria farmacêutica deve crescer mais de 10% em 2026

Projeções de investimento bilionário, avanço tecnológico e mudanças no perfil de consumo sustentam a expansão do setor e reforçam o protagonismo do Brasil entre...

Indústria farmacêutica deve crescer mais de 10% em 2026

Projeções de investimento bilionário, avanço tecnológico e mudanças no perfil de consumo sustentam a expansão do setor e reforçam o protagonismo do Brasil entre os maiores mercados farmacêuticos

A expansão vivida pela indústria farmacêutica brasileira nos últimos anos consolidou o país entre os dez maiores mercados globais. Diante desse cenário, a expectativa é de continuidade no ritmo de crescimento: para este ano, a projeção é de alta de 10,6%. A consultoria IQVIA apresentou os dados durante evento promovido pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

O crescimento do setor nacional é impulsionado por políticas públicas; mudança nos hábitos de consumo, com pessoas buscando mais cuidados com a saúde. Além disso, podemos citar inovações tecnológicas, que incluem desde produtos e equipamentos, como o agitador mecânico para laboratórios, até o uso de Inteligência Artificial (IA) nos processos de produção.

O cenário reflete diretamente no faturamento, que cresceu 11,5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, passando de R$ 124 bilhões para R$ 138,3 bilhões, segundo dados da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac).

Investimentos de R$ 16 bilhões no setor 

De acordo com a InvestSP, o setor privado deve aplicar R$ 16 bilhões até o final deste ano. Do montante previsto, R$ 7,5 bilhões serão destinados à pesquisa e ao desenvolvimento, enquanto R$ 8,5 bilhões irão para a ampliação de fábricas e aquisição de equipamentos.

Um dos equipamentos no radar de investimentos é o Dispersor Ultra Turrax, usado em laboratórios e em indústrias para homogeneização, emulsificação, dispersão e trituração de amostras.

Já a política industrial Nova Indústria Brasil, do governo federal, prevê R$ 300 bilhões em aportes no setor industrial. Com isso, o objetivo passa a ser garantir que 70% dos medicamentos e vacinas consumidos no país sejam produzidos nacionalmente.

Inovação tecnológica

A inovação tecnológica tem impulsionado o ritmo de expansão da indústria farmacêutica. O fato evidencia a necessidade crescente de investimentos em modernização de laboratórios e em processos mais rigorosos de controle de qualidade. Esse movimento acompanha a busca do setor por mais eficiência, confiabilidade e rapidez no desenvolvimento de novos produtos.

“A modernização tecnológica é o alicerce para a agilidade que o setor exige hoje. O monitoramento contínuo das variáveis medidas por equipamentos de laboratório e de processo impacta diretamente em três fatores centrais do controle de qualidade e da pesquisa e desenvolvimento: velocidade, precisão e custo. Para 2026, a tendência é uma maior integração dos equipamentos a softwares avançados, com análises em tempo real, tornando a indústria farmacêutica mais ágil, competitiva e orientada por dados”, afirma Robson Ferreira, engenheiro químico e especialista técnico da Biovera.

Segundo dados do setor, 55% das farmacêuticas brasileiras já utilizam inteligência artificial no desenvolvimento de produtos e serviços. Em paralelo, 33% do setor aplicam a tecnologia em análises de doenças. Entre os principais ganhos associados à inovação estão a aceleração das pesquisas, a redução de custos operacionais e a ampliação das possibilidades de tratamento.

Hábitos de consumo e envelhecimento da população

Com relação à mudança de comportamento do consumidor, que tem papel decisivo no crescimento do setor, dados da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), apontam que, entre 2024 e 2025, as vendas de suplementos cresceram 37%. 

A expectativa da associação é de que o segmento de produtos para sono deve atingir US$ 3,6 bilhões até 2030. O valor é impulsionado pela busca por saúde preventiva.

Assim, de acordo com projeções da IQVIA, o rápido envelhecimento da população brasileira surge como outro fator determinante para impulsionar o mercado farmacêutico nas próximas décadas. Atualmente, o país soma 24,7 milhões de pessoas com 65 anos ou mais; no entanto, a expectativa é que, até 2050, esse contingente alcance 50 milhões, ampliando a demanda por medicamentos e serviços de saúde.

Expansão da rede de farmácias

O avanço da indústria acompanha, de maneira direta, a expansão da rede de farmácias no país. Atualmente, enquanto há uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para cada 4.430 habitantes, existe uma farmácia para cada 2.282 brasileiros. Nesse contexto, o varejo é beneficiado. Segundo o Sindusfarma, o crescimento, em valores, projetado pelas empresas nas vendas de medicamentos para o varejo é de 9,4% neste ano.

Em paralelo, no mercado “não varejo”, as empresas também mantêm expectativas positivas e estimam que as vendas avancem 10,3% em 2026. Já segundo dados da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o setor faturou R$ 220,9 bilhões em 2024. O levantamento indica que os medicamentos genéricos movimentaram R$ 20,4 bilhões no período, o que corresponde a 43% de todos os produtos vendidos.

Dados da Alanac mostram que os genéricos produzidos no país avançaram de 1,9 bilhão de unidades em 2024 para 2 bilhões em 2025, representando alta de 5,3%. Os similares nacionais também mostraram expansão, subindo de 2 bilhões para 2,1 bilhões de unidades, crescimento de 5,0%. Já os medicamentos de referência cresceram 0,7%, passando de 303 milhões para 305 milhões de unidades.

O Brasil conta, atualmente, com mais de 93 mil farmácias e, desse total, 47,3% pertencem às grandes redes, segundo a IQVIA. Além disso, as vendas online seguem em expansão e já detêm 18,7% de participação no mercado, reforçando o avanço da digitalização no setor.

Produção nacional de medicamentos

A Alanac estima que o segmento de medicamentos desenvolvidos por laboratórios brasileiros seguirá crescendo. A associação calcula que o vencimento de 1,5 mil patentes até 2030 deve acelerar os ganhos para o setor. Com o fim das patentes, será possível fabricar novos medicamentos genéricos e similares. 

Atualmente, essas categorias lideram o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), do varejo e de programas governamentais. Ao todo, concentram 74% das unidades vendidas no país.

A projeção indica que a indústria nacional passará a produzir nove em cada dez medicamentos comercializados no Brasil com a chegada desses novos produtos.

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