Levantamento mostra que o SaaS já é o principal modelo de negócios entre startups; especialistas atribuem avanço à receita recorrente e à facilidade de escalar operações
O modelo de Software as a Service (SaaS) lidera entre as formas de receita adotadas pelas startups brasileiras. Segundo o Startup Report Brasil 2025, elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 39,1% dos negócios inovadores do país operam com esse formato, à frente de vendas diretas (27,9%), modelos transacionais (9,4%) e marketplaces (6,6%).
O SaaS consiste na oferta de softwares pela internet, sem a necessidade de instalação local ou aquisição de licenças permanentes. Em vez de comprar um programa para uso definitivo, os clientes pagam pelo acesso à solução, geralmente por meio de assinaturas mensais ou anuais.
Empresas que adotam esse modelo podem atuar em diferentes segmentos, como sistemas de gestão empresarial, soluções para recursos humanos, ferramentas de cobrança recorrente ou ainda como plataforma para vender online. Essas soluções permitem que empresas administrem produtos, pedidos e pagamentos em um único ambiente, sem a necessidade de desenvolver sistemas próprios.
Flexibilidade e receita recorrente impulsionam avanço do SaaS
A flexibilidade é um dos fatores que ajuda a explicar o avanço desse modelo, de acordo com o Sebrae. Diferente do formato tradicional de comercialização de softwares, os clientes podem contratar soluções de forma gradual, ampliando recursos conforme o crescimento da operação e reduzindo a necessidade de grandes investimentos iniciais.
Já entre as startups, a consolidação do modelo está ligada à busca por previsibilidade financeira, fidelização de clientes e capacidade de construir crescimento sustentável. “Com uma base recorrente, a empresa consegue ter clareza sobre fluxo de caixa e capacidade de investimento, além de criar uma relação contínua com o consumidor”, aponta Michelle Oliveira, cofundadora e diretora de operações da Digital Manager Guru.
Enquanto modelos baseados em vendas pontuais dependem da conquista constante de novos clientes, empresas que trabalham com assinaturas conseguem estimar com maior precisão suas receitas futuras, facilitando o planejamento financeiro e reduzindo riscos. “Manter clientes ativos também tende a ser mais barato do que depender constantemente da aquisição de novos consumidores”, acrescenta Oliveira.
Escalabilidade exige maior controle sobre receitas e clientes
Apesar dos benefícios, o crescimento da receita baseada em assinaturas também traz desafios operacionais. À medida que a base de clientes aumenta, as empresas precisam acompanhar cobranças, renovações, casos de inadimplência e indicadores de retenção sem perder visibilidade sobre toda a jornada do consumidor.
De acordo com Oliveira, um dos principais obstáculos está na falta de integração entre sistemas. “Muitas empresas ainda operam com processos desconectados, o que gera retrabalho, perda de dados e decisões tomadas sem assertividade”, afirma.
Nesse cenário, contar com uma plataforma de cobrança para SaaS pode ajudar a centralizar a gestão de assinaturas e pagamentos recorrentes. Esse tipo de solução permite processar cobranças por cartão, Pix e boleto, reduzir cancelamentos involuntários, calcular planos de uso e automatizar a emissão de notas fiscais.
“Além disso, recursos como portais de autoatendimento reduzem a dependência do suporte e melhoram a experiência do cliente. Escalar passa por transferir atividades operacionais repetitivas para a tecnologia, permitindo que o time concentre esforços em produto, crescimento e retenção”, acrescenta Oliveira.
Mercado latino-americano de SaaS pode atingir US$ 46 bilhões até 2027
Segundo dados do instituto de pesquisa Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), o mercado de SaaS na América Latina deve alcançar US$ 46 bilhões até 2027. O estudo, divulgado em 2025, aponta que a região registrou crescimento de cerca de 23% em 2024, acima da média global. O desempenho superou mercados como Europa (19%), América do Norte (17%) e Ásia (16%).
O Brasil é visto como principal motor do crescimento da América Latina, já que o mercado nacional de SaaS deve alcançar US$ 22 bilhões em 2027. Esse movimento é impulsionado pela digitalização acelerada e pela ampla adoção do Pix, utilizado por cerca de 80% da população do país. O pagamento instantâneo já responde por 61% da receita das empresas de SaaS que operam com o EBANX no Brasil.
Para a CRO do EBANX, Marie-Elise Droga, oferecer diferentes meios de pagamento também tem sido um dos fatores que contribuem para o avanço das empresas de SaaS na região. Segundo a especialista, negócios que combinam opções tradicionais, como cartões de crédito e débito, com alternativas locais, como carteiras digitais e sistemas de pagamento instantâneo, tendem a aproveitar o potencial de crescimento do mercado.










