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Jovem de 18 anos está desaparecido no balneário de Guriri

Um jovem de 18 anos está desaparecido no balneário de Guriri, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Yuri da Silva Araújo, natural...

Querem trabalho, por Pedro Valls

Dia desses meditava sobre a “economia informal”. Há, em torno dela, uma série de preconceitos – principalmente por parte do denominado “mundo das leis”, nele incluída a administração pública. Mas teriam eles algum fundamento?

Fala-se, por exemplo, que a atividade econômica informal é de pequena importância dentro do cenário macroeconômico. Nada mais falso!

Pelo mundo afora até 50% do PIB dos países vem deste setor – que, não por acaso, começa a receber estímulos oficiais em lugares tão distintos como Holanda e Vietnam.

Vejamos o caso do nosso país: nos idos de 2016, segundo levantamento realizado pela FGV, o mercado informal atingiu a espantosa marca de 16,3% do PIB – mais, portanto, do que a participação das regiões Norte (5,8%), Nordeste (12,3%) e Centro-Oeste (9,5%).

Uma segunda forma de preconceito vem da afirmação de que os trabalhadores informais seriam pobres e teriam formação educacional deficiente. Que inverdade!

No Brasil, por exemplo, 7% da denominada “classe média” trabalham na informalidade. No Vietnam, 30%. Na Costa do Marfim, 40%. São trabalhadores já bastante distantes da linha da pobreza, cujo poder aquisitivo não deve ser desconsiderado.

Aliás, por falar em “desconsiderar”, como ignorarmos o fato de que 43% dos brasileiros no mercado de trabalho estão em situação informal? Este dado, apurado pelo IBGE em 2018, deveria nos servir de sério alerta.

Como explicar-se este quadro? De acordo com dados colhidos pelo Banco Mundial, sobre a realidade brasileira, em sua origem estariam principalmente a estabilidade das regras jurídicas e os elevados índices de criminalidade – além, é claro, dos óbvios e tradicionais problemas de excesso de burocracia e carga tributária insuportável.

Dois dados simples mas bastante sérios: no Brasil o esforço para garantir-se o cumprimento de um contrato consome, em média, 620 dias – na China, apenas 300.

Na Austrália abre-se uma empresa em dois dias – no Brasil em até 152, três vezes a média mundial. Só superamos, neste quesito, o Suriname, a Guiné-Bissau, o Haiti, o Laos e o Congo.

Pois é. Talvez seja o momento de, ultrapassando as barreiras da arrogância e da insensibilidade, olharmos com mais carinho para estes nossos irmãos, amparando-os e legalizando-os— afinal, eles só querem o direito de trabalhar em paz!

 

Querem trabalho, por Pedro Valls
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