Por Cíntia Zaché, da Rede Notícia
Moradores de Vitória, Oswaldo Baldin, 44 anos, guia e instrutor de escalada, escalador há 30 anos e Sandro Souza, 51 anos, Analista de Meio Ambiente, escalador há 29 anos, subiram a Pedra da Rapadura, em Vila Pavão. Ao total, a dupla escalou uma via de 1.100 metros de altura, até chegar ao topo. A pedra, até então, era virgem, e a subida aconteceu no último dia 23. De acordo com a dupla, a via escalada, é a segunda maior do Estado.
Dos quatro dias de percurso, a dupla começou escalando os dois primeiros dias, instalando cordas na parede, subindo pelas cordas para alcançar mais alguns metros. Já os outros dois dias, quando atingiram 450 metros, a estratégia foi alterada. “Partimos para o “estilo alpino”, que é subir e pernoitar na montanha, para otimizar a progressão e, assim, conseguir alcançar o objetivo. Mas isso demanda mais esforço, pois temos que carregar mais peso com material de pernoite, alimentação, água e material de conquista. Cada um carregou uma mochila com cerca de 20kg”, contam.
Foi daí que, no terceiro dia, às 22h, eles conseguiram encontrar um platô (uma plataforma natural), em uma matinha, local onde pernoitaram, à cerca de 700 metros. “Já no quarto e último dia, começamos a escalar cedo, conquistando o último trecho na montanha pela bela face de tom esbranquiçado, que fica voltada para a cidade de Vila Pavão. Atingimos o cume às 13h30 e ficamos por lá até às 15h30. Depois foi uma longa e difícil jornada para descer da montanha com todo o material, recolhendo as cordas da parede. Foram seis horas de rapel, chegamos na base da montanha exaustos, às 22 horas”, fala.
Equipamentos e escalada
Em relação aos equipamentos usados, a dupla garante que são seguros para a prática da escalada em rocha. “Todos certificados e com resistência superior a 2.000kg. Mas, além dos equipamentos é preciso ter uma grande bagagem de experiência no manuseio desses equipamentos, através de procedimentos técnicos”, garantem.
Sobre a maior dificuldade, eles respondem. “Uma conquista desse porte, em uma parede tão grande, requer habilidades diversas quanto aos procedimentos técnicos de escalada. Mas, também exige muito condicionamento físico e psicólogo, para resistir ao cansaço. Temos que levar tudo pra cima, material de conquista com as ancoragens, furadeira, muitas cordas, material de pernoite, alimentação, tudo isso pesava mais de 20kg na mochila de cada um de nós”, pontuam.
Sobre a experiência, os escaladores esclarecem. “Existem algumas satisfações envolvidas. Uma delas é traçarmos a linha na parede rochosa e irmos conquistando metro a metro, envolvendo superação física e mental. A parceria entre nós, que estamos na parede um dependendo do outro é algo engrandecerdor como seres humanos. Atingir o cume promove uma sensação de vitória com nós mesmos, não uma vitória sob a montanha. A escalada é uma atividade onde não se tem adversários, a superação é pessoal e, a montanha nos dá a oportunidade de ser um belo e desafiador ambiente, para isso acontecer. A visão do cume complementa tudo isso, faz concretizar que todo empenho vale a pena”, explicam.
O convite
Antes da dupla subir a Pedra da Rapadura, em 2021, a Secretaria de Turismo de Vila Pavão fez um convite à Associação Capixaba de Escalada (ACE), para visitar o município, afim de levantar as possibilidades para escaladas. “Fiz essa visita técnica na ocasião com minha esposa, Ghiany Loss, e ficamos impressionados com a quantidade de montanhas. A Pedra da Rapadura me chamou muito a atenção pela grandiosidade, fazendo plano de fundo da cidade. Eu sabia que essa escalada seria muito longa, e essas paredes de grandes extensões me atraem. Nessa ocasião mesmo, iniciamos a conquista da via de escalada, abrindo os primeiros 120 metros, instalando os primeiros pontos de ancoragem de segurança para ascensão. Mas por termos pouco tempo disponível, não conseguimos avançar mais. Agora, para atingir o cume da Pedra da Rapadura, fiz a escalada com o Sandro”, narra.












