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Estratégia de imunização contra VSR já impacta diretamente o número de óbitos de crianças no Estado

A estratégia combinada de imunização contra o vírus sincicial respiratório (VSR) com a oferta da vacina contra a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez e do anticorpo Monoclonal a bebês prematuros ou com comorbidades já traz impactos positivos à saúde capixaba. De janeiro deste ano a primeira quinzena de maio (até a semana epidemiológica 19), o Espírito Santo não registrou óbitos por decorrência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por VSR em crianças de até 4 anos de idade.

Os dados, que são do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP – GRIPE), apontam ainda uma redução no número de casos de SRAG por VSR de quase 25% neste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Da semana epidemiológica 01 a 19 deste ano foram registrados 181 casos em crianças de 0 a 4 anos. No mesmo período, em 2025, foram 3 óbitos nesta faixa etária e 241 casos de SRAG por VSR. Já em 2024 foram 08 óbitos e 647 casos.

A estratégia de imunização contra o VSR teve início em dezembro do ano passado. Primeiramente, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ofertar a vacina contra o VSR às mulheres a partir da 28ª semana de gravidez. O imunizante foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação das Gestantes e auxilia na proteção dos bebês, uma vez que ao imunizar as mães, os anticorpos são transferidos, garantindo a proteção nos primeiros meses de vida.

Em seguida, a partir de fevereiro deste ano, a outra estratégia foi incorporada ao SUS, com a oferta do anticorpo Monoclonal, também conhecido como Nirsevimabe, a bebês prematuros nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, com qualquer peso corpóreo, além de crianças de até 24 meses que apresentem pelo menos umas das seguintes comorbidades, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.

“Temos verificado que a estratégia combinada de proteção contra este vírus já traz um impacto direto nos desfechos de óbitos, com nenhuma morte registrada até a primeira quinzena de maio no Estado. Acreditamos ainda que em relação aos casos teremos um impacto ainda mais positivo a partir da próxima sazonalidade da doença, no próximo ano”, explicou a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Sesa, Danielle Grillo.

Até abril, o Espírito Santo já havia alcançado uma cobertura vacinal de 93,14% com mais de 16 mil doses administradas em gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório. Esse imunizante possui meta de 80%. Além disso, foram administradas 2.515 doses do anticorpo Nirsevimabe no público-alvo.

A referência técnica destacou ainda a participação dos municípios e dos serviços de saúde no trabalho conjunto ao Estado na sensibilização das gestantes e dos pais e responsáveis para a proteção contra esse vírus. “É um vírus que sua complicação pode levar a casos graves e ao óbito. Só no ano passado 8 crianças perderam a vida por causa do VSR. A adesão das gestantes e das famílias nessa estratégia é um trabalho conjunto a ser destacado, entre o PEI e a Atenção Primária à Saúde, com os municípios e os serviços de saúde. Todos juntos para podermos alcançar o máximo de crianças possíveis e seguirmos avançando com trabalho técnico e compromisso com a proteção dos nossos bebês”, comemorou Danielle Grillo.

 

Dados VSR em crianças no Estado

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das maiores causas de infecções respiratórias em recém-nascidos e crianças pequenas, sobretudo bebês. É um dos principais vírus associados à bronquiolite.

No Espírito Santo, segundo dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP – GRIPE), foram registrados 197 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por VSR neste ano de 2026, até a semana epidemiológica (SE) 19, considerando todas as faixas etárias. Neste mesmo período foi confirmado um (01) óbito (18 a 59 anos). Em relação às crianças de 0 a 4 anos de idade, foram 181 casos (91,87%) e nenhum óbito.

Em 2025, durante todo o ano e faixas etárias, foram 719 casos, sendo 660 (91,7%) em crianças de 0 a 4 anos de idade. Em relação aos óbitos, foram 20 óbitos durante todo o ano, sendo 08 (40%) deles em crianças dessa faixa etária.

Já em 2024, também considerando todo o ano e faixas etárias, foram registrados 896 casos, sendo 793 (88,5%) deles em crianças de 0 a 4 anos. Além disso, foram registrados durante todo o ano 16 óbitos pela doença no Estado, sendo 10 (62,5%) deles em crianças desta faixa etária.

 

Atenção ao VSR deve continuar

O cuidado e a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR) deve ser contínuo, mesmo no cenário positivo de redução de óbitos em crianças, isso porque, segundo aponta dados do Informe Epidemiológico da Vigilância de vírus respiratórios, da Secretaria da Saúde (Sesa), o VSR tem sido causa de aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas demais faixas etárias, especialmente idosos e adultos com comorbidades. É o que explica a referência a médica pediatra e referência técnica da Vigilância da Influenza e Meningites do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Mariana Ribeiro Macedo.

“Apesar de as estratégias de prevenção incorporadas ao SUS constituírem ferramentas importantes para a redução das complicações causadas pelo VSR, especialmente na faixa etária pediátrica, o vírus ainda é responsável por infecções em diferentes grupos etários. Nos últimos anos, tem se destacado como causa relevante de complicações também em idosos e em adultos com comorbidades”, informou a profissional.

Ela pontuou que, neste contexto, as medidas de prevenção não farmacológicas “se tornam especialmente necessárias durante os períodos de maior circulação viral”, e completou: “Ademais, a vacinação em outros grupos populacionais contribui para a redução da circulação do VSR na comunidade. As crianças, quando sintomáticas, desempenham papel importante na transmissão do vírus. Vale lembrar ainda que outros agentes virais também podem causar bronquiolite em menores de quatro anos, como o vírus Influenza, para o qual há vacina disponível no SUS.”, pontuou a profissional.

Entre as medidas de prevenção, tem-se a higienização das mãos; o uso de etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, utilizando o antebraço ou um lenço descartável; evitar locais aglomerados e/ou fechados, especialmente durante a sazonalidade do vírus; e o distanciamento de sintomáticos, isto é, pessoas com sintomas gripais (coriza, tosse, febre) devem evitar contato próximo com os mais vulneráveis.

 

Casos de SRAG por Influenza crescem

O Informe Epidemiológico da Vigilância de vírus respiratórios tem apresentado o aumento de casos associado à Influenza, em diferentes faixas etárias. Dos 61 óbitos registrados por SRAG em 2026, 15 (24,5%) foram por Influenza, sendo que nas últimas semanas (SE 15 a 18), os três óbitos confirmados foram apenas por Influenza.

Dos 15 óbitos por Influenza já confirmados, 10 (66,6%) foram em idosos, um dos públicos prioritários para a vacinação.

A campanha de vacinação contra a Influenza teve início em março com doses disponíveis aos grupos que recebem na estratégia de rotina, como idosos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestante, e aos grupos que compõem a estratégia especial. Entretanto, apenas os grupos da rotina possuem metas de cobertura a serem alcançadas, de 90% para ambos os públicos.

Até esta sexta-feira (22), segundo dados do Sistema Vacina e Confia (VeC), o Estado havia alcançado a cobertura de 32,64% no público infantil; 37,51% em idosos; e 50,78% em gestantes.

 

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