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Aluguel de carros por motoristas de aplicativos cresce 76%

O aluguel de carros para motoristas de aplicativo no Brasil cresceu 76,5% nos últimos três anos, segundo dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA). O total de veículos alugados para essa finalidade passou de 170 mil, em meados de 2021, para mais de 300 mil no segundo semestre de 2024. O volume representa cerca de 20% da frota das locadoras no país.

A principal razão apontada pela entidade para esse avanço é a viabilidade econômica do modelo. Ao alugar um carro, o motorista transfere à locadora despesas como IPVA, emplacamento, manutenção e depreciação. Em muitos casos, o contrato também prevê um veículo reserva em caso de pane, colisão ou problemas mecânicos, o que garante maior segurança para quem depende do automóvel como fonte de renda.

A demanda reflete o comportamento dos usuários de transporte. Pesquisa do Datafolha encomendada pela Uber aponta que seis em cada dez moradores da região metropolitana paulista utilizam o aplicativo com regularidade, e 96% deles veem a plataforma como uma fonte de renda extra. 

Para quem está em busca de um carro para Uber em São Paulo, o aluguel aparece como alternativa, já que elimina a necessidade de desembolso inicial alto, transfere custos de manutenção e oferece carro reserva em caso de imprevistos. 

Expansão do uso de apps no Brasil favorece mercado

O Brasil se consolidou como o principal mercado da Uber no mundo, abrigando seis das dez cidades mais movimentadas da plataforma e contabilizando mais de 1,4 milhão de motoristas ativos. Os dados foram apresentados pelo CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, durante evento do BTG Pactual. 

O avanço da companhia no país reflete a ampliação do serviço e o aumento do número de trabalhadores que veem na atividade uma alternativa de geração de renda, sobretudo em meio à instabilidade econômica. Diante desse cenário, cresce a busca por soluções que reduzam os custos da operação. 

Alternativa de renda

Para muitos motoristas, especialmente em grandes capitais, a locação tem se mostrado uma opção. A possibilidade de obter um carro para aplicativo em Porto Alegre, por exemplo, sem necessidade de valor de entrada, representa a possibilidade de ingresso imediato na atividade sem um compromisso a longo prazo com o pagamento de parcelas de um financiamento.

Segundo a ABLA, fatores como o preço dos combustíveis e as políticas tarifárias das plataformas também influenciam diretamente na decisão dos motoristas. De acordo com o vice-presidente da entidade, Paulo Miguel Júnior, a previsibilidade nos gastos é um atrativo na escolha pelo aluguel. Com isso, a procura por veículos locados tende a acompanhar o crescimento da demanda por serviços de transporte por aplicativo em todo o país.

Aluguel como estratégia financeira para motoristas autônomos

O perfil dos motoristas que optam pelo aluguel revela uma escolha estratégica. Muitos percebem que, ao fazer as contas, o aluguel é mais econômico do que a compra. É o caso de milhares de trabalhadores em São Paulo que, segundo a pesquisa “Mãos ao Volante”, realizada pelo Instituto Badra, têm renda líquida mensal entre R$2,5 mil e R$4,5 mil, dependendo da jornada de trabalho, que pode chegar a 12 horas por dia.

A realidade, porém, é desafiadora. Os custos operacionais, como combustível, aluguel do carro, pedágios, estacionamento e manutenção, impactam diretamente os ganhos. Ainda assim, cerca de 80% dos entrevistados afirmaram que não trocariam a atividade por um emprego com carteira assinada, destacando a flexibilidade como um dos principais atrativos.

Esse cenário, no entanto, é visto com cautela por especialistas em trabalho. Para o sociólogo da Universidade de Campinas (Unicamp), Ricardo Antunes, a flexibilidade oferecida pelas plataformas de transporte é, muitas vezes, ilusória. Para ele, os motoristas trabalham jornadas extensas e intensas, sem garantias trabalhistas ou previsibilidade de renda. Por isso, estão submetidos a algoritmos que determinam suas condições de trabalho e remuneração, como afirma em artigo.

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