Toda enfeitada, Vila Pavão vive mais uma edição da Pomitafro, que é considerada o maior evento étnico-cultural da região, e acontecerá nos dias 29, 30 e 31 deste mês, no Parque de Festas de Vila Pavão, celebrando a integração e as heranças pomerana, italiana e africana, que moldam a identidade do município.
A primeira Pomitafro foi realizada no dia 27 de agosto de 1989 no CIER e foi registrada por A Notícia. Mas, antes da festa se tornar esse estouro, muita gente trabalhou para iniciar uma tradição, que promete aumentar a cada ano.

Como surgiu a Pomitafro?
No final da década de 1980, o então Distrito de Córrego Grande, município de Nova Venécia, vivia culturalmente muito isolado. A Juventude tinha poucas opções de lazer, e necessitava de algo mais histórico e cultural. Chegava à localidade, o Centro Integrado Estadual de Educação Rural/CIER que foi construído no mesmo período da emancipação e do surgimento da Pomitafro.
Um professor pavoense, Jorge Kuster Jacob, que estudou 12 anos no Rio Grande do Sul, voltou em 1987 e trazia sua tese de conclusão do curso de Sociologia na UNISINOS (São Leopoldo-RS); “A Imigração e Aspectos da Cultura Pomerana no Espírito Santo” (que virava em1992 o primeiro livro sobre os pomeranos no Brasil) e era literalmente aplicado na comunidade onde havia realizado a referida pesquisa. Com essa ideia, pela primeira vez, passou-se a usar a denominação “Pomerano” uma vez que mais de 95% dos pomeranos de Vila Pavão, se autodenominava “alemão”.
Em 1988, os jovens luteranos tinham fundado o Grupo Folclórico Pomerano de Vila Pavão. O único grupo que participou de todas as festas da Pomitafro. E ele tinha que ser permanente, e tinha que ter uma festa para sua apresentação local e a Pomitafro cumpria essa demanda.
Jorge Kuster Jacob também trazia consigo a influência do “movimento nativista gaúcho.” Movimento que valorizava muito o gauchismo, a cultura local, a cultura dos pampas. Essa influência propunha um movimento da Cultura local. E a referida escola do CIER realizava há três anos uma “Festa Caipira”, que não tinha identidade local. Foi assim que os professores, observando a origem dos seus alunos pomeranos, italianos e afrodescendentes, viram que, suas famílias que deveriam, literalmente, “subir ao palco”.
Assim, os professores do CIER designaram um Pomerano (Jorge Kuster Jacob), Italiana (Lucinete Buge Zucatelli) e Cirléia de Oliveira (afro) a construírem o nome do evento.
A 1ª Pomitafro aconteceu no dia 27 de agosto de 1989. A 1ª, 2ª e a 3ª edição do evento era uma festa escolar. A 4ª foi transferida para a rua do centro de Vila Pavão, que tinha se emancipado em 1990, mas o prefeito eleito, Erno Dieter, só assumiu o comando do município em 1993. Então, até 1992, as festas foram realizadas e consideradas como sendo da escola CIER.
“A Pomitafro é um espaço para diversas manifestações culturais do nosso município, região norte e todo nosso estado. Sua denominação contempla os três grupos que colonizaram o nosso município. Mas com muito carinho, ela é um movimento cultural que convida índios, portugueses, poloneses, alemães, japoneses e outros grupos que enriquecem a grande diversidade cultural, que é esse país maravilhoso, soberano, chamado Brasil”, disse o secretário Municipal Gil Leandro Breger.












