Você sabe o que é Nomofobia?

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Nós brasileiros ficamos em média 9 horas conectados à internet todos os dias, e metade dessas horas são dedicadas ao celular. Olhamos para ele mais de 200 vezes durante o dia e 7 de cada 10 minutos em aplicativos de redes sociais, fotos, vídeos e no TikTok. Esse índice chama a nossa atenção para um importante alerta: será que usar demais o celular faz mal? Respondo com um sonoro SIM!!!

Ter a imensidão da internet na palma da mão torna o celular quase irresistível pra nós, é ou não é verdade? Mas o uso descontrolado pode ocasionar problemas para a nossa saúde, como a dependência digital, irritabilidade, ansiedade, depressão, déficit de atenção, hiperatividade, transtorno do sono, transtornos alimentares e sedentarismo.

Nomofobia

É o nome que se dá para as pessoas que são viciadas em celular. Esse vício faz com que precisemos estar com o celular em nossas mãos o dia todo. A maioria das pessoas não notam o quanto estão utilizando o aparelho e só percebem a dependência no último estágio. Apesar de parecer “inofensivo” o objeto que faz parte da nossa vida, pode estar causando diversas complicações que podem ser percebidas agora ou a longo prazo.

Devido a problemas no dia a dia, algumas pessoas deixam de viver a realidade para se prender ao mundo virtual. Passam a ficar refém de tudo que está relacionado com o mundo digital e de sua interação dentro dele, como curtidas e comentários. Esse escape para não se sentirem sozinhas pode causar dependência, depressão e ansiedade.

As luzes e os sons emitidos pelos celulares minutos antes de dormir podem deixar o nosso corpo em estado de alerta. Isso não permite que o nosso corpo “desligue” por completo, podendo atrapalhar uma boa noite sono e descanso.

Além de problemas psicológicos, usar o celular por um longo tempo pode trazer algumas alterações físicas. A famosa posição de cabeça baixa para conferir o celular quando estamos em pé já ganhou até apelido na medicina: “test neck” ou “pescoço de texto”.

A posição do nosso pescoço ao checarmos o celular não é natural e por isso causa uma tensão muscular. Quando “mexemos” no celular não prestamos atenção na nossa postura, é ou não é verdade?!?! Essa posição errada pode causar dores no pescoço, nos ombros e até mesmo dores de cabeça. Caso você não mude de atitude, problemas mais graves podem surgir, como uma doença chamada nevralgia -dor nos nervos. Ficar com o pescoço por muito tempo inclinado para frente e para baixo, pode alterar o contorno do rosto e proporcionar a perda de elasticidade.

Riscos para a visão

Por causa das letras pequenas e o uso do aparelho à noite ou antes de dormir, os celulares podem causar problemas de visão, muitas vezes gerando a necessidade de usar óculos. Outra preocupação é o excesso de luz e foco, que pode causar secura e inflamações no globo ocular. Ficar muito tempo em frente a telinha também afeta a musculatura dos olhos, pois os músculos permanecem contraídos por longas horas, o que resulta na fadiga ocular e até mesmo no desfoque da visão ao tentar olhar para longe. Isso pode causar desvios, como miopia e astigmatismo.

Dra. Sylvia Renata Passamani @dra.sylviarpassamani reforça que “os danos decorrentes do uso excessivo de telas são variados, o mais comum é o olho seco, pois piscamos bem menos quando estamos na frente dessas telinhas, provocando irritação nos olhos, queimação, sensação de areia, cansaço visual, dor de cabeça no final do dia e diminuição do sono, devido a luz azul emitida pela tela do cellular, reduzindo a produção de melatonina -hormônio do sono. Por esses e outros motivos, usar o celular a noite é contra indicado, principalmente antes de dormir. A sugestão é você realizar exame oftalmológico periodicamente. Pois com a prescrição por um profissional qualificado do grau adequado e do uso de lágrimas artificiais, com o posicionamento correto durante o uso da tela do computador, devendo ficar um pouco abaixo da linha dos olhos e a redução do tempo na frente das telas, quando possível, principalmente à noite, podem reduzir esses sintomas desagradáveis.”

Grande parte dos problemas é decorrente do mau uso. Tudo depende da distância entre olhos e aparelho, da configuração correta do brilho, contraste, tempo e horário de utilização.

Memória prejudicada

Você sabia que o uso excessivo do celular pode alterar as nossas ondas cerebrais e consequentemente comprometer a nossa memória? Um estudo realizado na Alemanha recentemente aponta que os jovens passaram por testes cognitivos para avaliar a sua capacidade de memorização. Os resultados indicaram que a exposição à radiação do celular compromete algumas ondas cerebrais e cria dificuldades relacionadas à memória. A explicação tem a ver com um mecanismo de “recompensa” que o nosso cérebro possui associado às notificações. O nosso cérebro se sente premiado quando conferimos uma mensagem ou uma curtida. Por isso, a dica é se controlar para não ficar “refém” do celular, na verdade viciado mesmo.

O ato de checar o aparelho centenas de vezes ao dia está associado a um comportamento compulsivo

A influência do celular sobre o nosso cérebro não se dá apenas pela questão da memória. O ato de checar o aparelho centenas de vezes ao dia está associado a um comportamento compulsivo.

Separamos algumas dicas bem legais para ajudar você a controlar o uso excessivo do celular

Para nós adultos que usamos o celular diariamente por mais de 3 horas, indicamos pausas de 20 a 40 minutos entre uso. Já para crianças acima de dois anos, o ideal é passar apenas 1 hora por dia no celular. Bebês menores que isso não devem nem chegar perto. Fica ligado(a) aí.

  • Reconhecer o seu vício

As distrações oferecidas pelo celular normalmente são melhores do que atividades físicas, mas é extremamente importante reconhecer os benefícios de limitar o uso do aparelho para você conseguir desenvolver e manter a motivação para a mudança. Faça controle do seu tempo na frente do aparelho. Preste atenção também em qual tipo de atividade você gasta mais tempo, se é interagindo em redes sociais ou navegando pela internet. Dessa forma, fica mais fácil identificar qual o comportamento a ser melhorado.

  • Estabeleça limites

Por que você está passando tanto tempo no celular? Coloque um alarme para estabelecer seu tempo limite para tais atividades. Para todo comportamento que desejamos mudar, existe algo que está desencadeando e o tornando gratificante. Dessa forma, descobrir, por exemplo, que você está usando o celular para combater o tédio ou algum outro problema psicológico poderá ajudar a você encontrar outras formas de enfrentar o que originou o vício.

  • Acabe com o medo de estar perdendo algo

Se você não está conseguindo deixar o celular de lado, está na hora de questionar de onde vêm esses temores. Quais as consequências de não estar conectado e perder alguma coisa por isso? Você tem medo de deixar passar uma notificação de aniversário de alguém? A melhor maneira de combater esses medos é pensar em outras formas de se conectar com as pessoas. Melhorar a qualidade do seu tempo online também tem a ver com selecionar as pessoas com quem você interage pelo celular.

  • Escolha atividades saudáveis

Mudanças de comportamento são mais bem sucedidas quando substituímos um hábito antigo por outro. Se você está sentindo falta de ficar navegando aleatoriamente no celular, pense em três coisas que poderia fazer ao invés disso, como ler um livro, se exercitar ou arrumar algo em casa, por exemplo.

  • Tente se livrar do celular por um tempo

Comece fazendo esse exercício, no horário das refeições ou no período da noite você não irá usar o celular. Outra forma é impor limites físicos, como não permitir telefone nos espaços compartilhados com a família durante determinadas horas do dia.

  • Desative as notificações

Não ter lembretes recorrentes de mensagens e outras notificações ajuda a diminuir a “tentação” e o tempo de uso do celular.

  • Faça uma higiene do sono

A maioria das pessoas usam o celular como despertador, mas deixar o telefone por perto na hora de dormir é outra “tentação” que pode ser evitada. Tente voltar ao bom e velho despertador analógico ou digital.

  • Por fim e não menos importante peça ajuda

Se nenhuma das dicas anteriores resolver o seu problema, procure ajuda. Pode ser amigos, familiares ou de profissionais. Mudar um comportamento que está consumindo muito tempo e energia tem a ver com identificar e valorizar o que realmente importa para nós. É ou não é verdade?!?!

Do ponto de vista comercial e tecnológico

O celular continua a quebrar recordes em todas as categorias, tempo gasto em frente as telinhas e as vendas de aparelhos, por exemplo. Em 2021 foram aproximadamente 230 bilhões de downloads de aplicativos em todo o mundo, com gastos na casa de R$ 940 bi. O app mais baixado em 2021 foi o TikTok, onde os usuários passaram 90% de tempo a mais em comparação com 2020. A expectativa é de que o TikTok passe de 1,5 bilhão de usuários ativos mensais no segundo semestre deste ano.

Apps de finanças

Aplicativos de finanças em que mercados emergentes como o brasileiro chamam a atenção, cresceram muito. Embora o Brasil é um dos países que teve o maior crescimento nos últimos quatro anos nesse segmento. O percentual foi de 175%, principalmente em bancos e plataformas de pagamento digitais, como Nubank e PicPay.

Apps de compras

Totalmente relacionado à pandemia, o uso de aplicativos de entrega de comida teve um crescimento expressivo. O número de sessões nesses apps foi de 194 bilhões em 2021, um aumento de 50% em relação a 2020.

Aplicativos de saúde e bem-estar

Também cresceram em popularidade, em um momento em que muitas pessoas tiveram de ficar em casa por mais tempo do que antes. Vale destacar, que foram gastos US$ 4 bilhões com uso de apps de namoro e encontros no ano passado, um aumento de 95% comparado a anos anteriores.

Os celulares se tornaram nossos melhores amigos. Eles nos acompanham aonde vamos, sabem tudo sobre nossas vidas e registram nossos melhores momentos. Por toda essa convivência, parece impossível viver sem celular hoje em dia. Porém, com tudo o que foi dito aqui hoje não vamos esquecer de reservar um tempo de qualidade com a nossa família e até com nós mesmos, longe das telinhas.

Texto: Jackson Galvani/Folhavitoria

Você sabe o que é Nomofobia?

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