Vistoria encontra crianças com e sem Covid-19 internadas sem isolamento no Hospital Infantil

Durante uma visita técnica realizada na noite desta quarta-feira (24) no Hospital Infantil de Vitória, representantes dos conselhos regional de Medicina e de Enfermagem do Espírito Santo constataram que duas crianças infectadas pelo coronavírus estavam internadas sem isolamento em um mesmo ambiente onde havia outras duas, que não possuem a doença.

No momento da fiscalização havia cinco crianças internadas na UTI do Hospital Infantil, das quais somente uma estava isolada. A Covid-19 foi confirmada em dois dos pacientes que não estavam isolados e que dividiam o espaço com outros dois.

“É importante deixar claro que as crianças que têm Covid-19 já estão internadas de longa data. Elas não vieram de casa com o vírus. Foram contaminadas na instituição”, pontuou a conselheira do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) Paula Freitas.

A conselheira considera a situação “grave” por não colocar em risco somente as crianças, mas também os funcionários.

“Não é essa orientação da Anvisa. Essa situação coloca em risco os profissionais da enfermagem e outros profissionais da saúde. A orientação é de que quem cuida de pessoas com Covid cuide só de Covid”, explicou.

Leitos da UTI do Hospital Infantil de Vitória não possuem isolamento

Celso Murad, que é Presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) e médico pediatra, também avalia que o local não é adequado para tratar crianças que testam positivo e negativo para o vírus ao mesmo tempo.

“Às vezes uma criança grave, com risco de vida, que entra de repente e precisa ser atendida em uma emergência, ela vai entrar. Mas depois, se descobrir que é Covid, teria que sair tudo. Mas isso é eventual, não é rotina”, pontuou o presidente.

Murad acrescentou: “O ideal é ter um hospital para esse tipo de doença. Doenças pandêmicas, de transmissão muito aguda e muito rápida. Toda a estrutura deveria ser assim, mas isso é muito difícil”.

Hospital providenciou a separação das crianças

O deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), que acompanhou a vistoria dos conselhos, afirma que ainda na noite desta quarta-feira, a equipe do Hospital Infantil de Vitória providenciou a separação dos infectados.

“A direção do hospital teria resolvido a situação. Mas nós retornaremos para apurar, eventualmente, se todas as normas estão sendo respeitadas”, garantiu.

Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo na manhã desta quinta-feira, a supervisora médica do Hospital Infantil de Vitória, Isabel Carvalho, confirmou que as crianças foram infectadas pela Covid no próprio hospital.

Desde esta quarta-feira, no entanto, as crianças com Covid-19 passaram a ficar sozinhas na UTI e as demais foram removidas.

“Nós tínhamos naquele momento cinco crianças na UTI. Das cinco, uma estava isolada e as outras quatro estavam do lado de fora. Duas delas, durante sua internação, desenvolveram quadro respiratório, mas elas tinham outra doença de base. A partir desse momento, nossa equipe de controle de infecção hospitalar identificou essas crianças. Duas passaram a ser suspeitas de Covid-19 e outras duas eram contactantes de suspeitas, por terem tido contato com as outras no mesmo ambiente. Mas eu não posso afirmar que essas duas não tenham Covid. Nós descobrimos a positividade das duas crianças no momento da vistoria”, relatou.

Ainda segundo Isabel, mesmo com a suspeita da infecção, as crianças foram mantidas no mesmo ambiente pois não possuíam condições de se transportadas para a antiga sede do hospital, na Reta da Penha, onde há um local reservado para o tratamento de crianças com coronavírus.

“Nós adotamos uma nota técnica da Anvisa que nos autoriza, em medidas de extrema necessidade, manter pacientes no mesmo ambiente, contanto que atendamos às orientações de espaçamento e de paramentação adequadas. Não fugimos em momento nenhum das orientações técnicas da Anvisa enquanto equipe de trabalho”, justificou.

Sobre o fato de as crianças terem sido contaminadas enquanto já estavam internadas, a diretora afirma que o hospital adota todas as normas técnicas para minimizar o risco de infecção, mas pondera que não é possível eliminar o risco.

“Nós não só temos os ambientes separados, como temos os processos internos de trabalho estabelecidos e estamos prontos para atender contingências como essas, sempre com foco na vida do doente”, concluiu.

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