Vila Pavão completa 31 anos de emancipação política

O município de Vila Pavão está completando 31 anos de emancipação política. Desmembrado de Nova Venécia no dia 01 de julho de 1990, o então distrito de Córrego Grande virou cidade através de um plebiscito. A primeira eleição municipal aconteceu em 03 de outubro de 1992.

A cidade é cortada pela rodovia ES 220, que faz a ligação da região Central do País com as praias do litoral norte capixaba. Seu extraordinário paisagismo natural, com magníficas formações rochosas, a ‘Igrejona’, com sua enorme torre, o clima bucólico das propriedades rurais ao longo da rodovia, os resquícios de Mata Atlântica, entre outras características, de imediato, chamam a atenção de visitantes.

Fazer festa, a pandemia não permite, mas Vila Pavão tem muito a comemorar. E já que estamos falando de pandemia é oportuno lembrar que a cidade está conseguindo controlar a Covid-19, sem registrar óbito pela doença há quase três meses.

Vila Pavão é um dos menores municípios capixabas, no entanto, a sua estrutura agrária e cultural o colocam em lugar de destaque no Estado do Espírito Santo e até do Brasil.

O município se destaca, também, na educação, com uma das melhores avaliações no ensino capixaba, segundo levantamentos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), através do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

A força motriz da economia local é a agricultura,com um parque cafeeiro em franca expansão. A pecuária, a fruticultura e o extrativismo mineral também colaboram com o processo de desenvolvimento, impulsionando o comércio e gerando emprego e renda para a população.

Nesses 31 anos, muitas coisas mudaram. A cidade cresceu e se desenvolveu em muitos aspectos, porém, não perdeu o foco nas bandeiras que impulsionaram a sua emancipação, pelo contrário, a luta por uma identidade cultural própria, a preservação ambiental e a valorização da agricultura familiar é constante.

Ao comentar a data, o prefeito Uelikson Boone, o Bolinha, disse que a emancipação possibilitou uma discussão mais localizada, com foco em um projeto de desenvolvimento local sustentável, conferindo a cada cidadão pavoense um sentimento de pertença maior, um envolvimento espontâneo na vida ativa do município e um amor incondicional à terra.

“Tive a honra de acompanhar o movimento de emancipação política, na época, como estudante e membro do Grêmio Estudantil do CIER. A emancipação nos trouxe autonomia, mas, também, aumentou nossas responsabilidades enquanto lideranças políticas. Me sinto muito honrado por estar como prefeito, dando minha contribuição por esse período de tempo que a população me outorgou”, disse.

O prefeito prosseguiu afirmando o seu compromisso de coordenar com afinco o projeto traçado para os próximos anos, deixando claro que irá valorizar cada ideia, cada cidadão na sua singularidade, cada segmento da sociedade civil organizada com muito empenho, dedicação e amor.

Para o sociólogo e historiador, Jorge Kuster Jacob, atual secretário de Educação do município, a palavra emancipação política tem vários significados, um deles é ocupar um lugar na história e no caso de Vila Pavão, isso foi inevitável.

O historiador recorda que bem antes do desmembramento, o território que agora é chamado de Vila Pavão, já se destacava no cenário regional. “Apesar de termos perdido cerca de 40% da nossa população para estados do norte do país, especialmente, Rondônia, nos anos 70, tínhamos uma estrutura econômica que garantia nossa subsistência. Além disso, éramos conhecidos por nossa diversidade étnico-cultural, culinária e uma estrutura agrária pungente composta por agricultores familiares e isso foi determinante para o processo de conscientização e emancipação política”, pontuou.

“Lógico que depois surgiram diversas outras manifestações culturais, especialmente, dos três povos predominantes, o pomerano, o italiano e africano, que foram ocupando seus espaços na música, dança, nas tradições ancestrais como os casamentos tradicionais pomeranos, a culinária e arquitetura típica e, finalmente, a Pomitafro, que é uma tradução da alma do povo pavoense”, acrescentou o historiador.

A secretária de Cultura e Turismo, Libian Timm Paganoto Rossim, analisa que o processo de emancipação político administrativa do município aconteceu paralelamente ao surgimento do movimento cultural Pomitafro.

Segundo ela, essas duas ações possibilitaram o reencontro da comunidade com suas origens e possibilitaram a construção da identidade cultural e social pavoense tal como a conhecemos hoje. “O resgate do orgulho de suas origens fossem elas pomerana, italiana, afro-brasileira ou qualquer outra  por meio de um intenso movimento cultural associado a todas as ações que envolvem o surgimento de um novo município promoveu uma onda de crescimento social, cultural e econômico sem precedentes para toda comunidade de Vila Pavão”, afirma

Vila Pavão está localizado a 268 quilômetros de Vitória, 29 quilômetros de Nova Venécia e 48 quilômetros de Barra de São Francisco. A área do seu território é de 435 km2, distribuídos entre a sede, onde está localizada a Prefeitura Municipal, os distritos de Praça Rica e Todos Santos e os patrimônios de Todos os Anjos e Conceição do XV, que, juntos, concentram as principais aglomerações urbanas.

Além da linda paisagem natural, o aspecto hidrográfico chama a atenção com centenas de córregos e, ainda, os rios XV de Novembro e Cricaré, que proporcionam a formação de cachoeiras, lagos e represas e também delimitam a área geográfica do município.


Leia mais

Leia também