Venezuela produzirá vacina Abdala contra Covid-19 em aliança com Cuba

A Venezuela produzirá a vacina cubana Abdala, disse, nesta quinta-feira, 8, a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, após visita de uma delegação da ilha caribenha à sede da Empresa Socialista para a Produção de Medicamentos Biológicos (Espromed Bio), em Caracas.

A produção em território venezuelano foi confirmada após a delegação cubana verificar as condições físicas e operacionais do Espromed Bio para realizar a produção em massa da vacina.

“Este é o caminho para vencer a pandemia. Solidariedade, cooperação, nenhum país pode por si mesmo, lutar e conseguir uma vitória sobre Covid-19. Devemos nos unir, devemos concentrar nossos esforços”, disse Rodríguez.

A Venezuela vai começar a fase III (última) dos testes da vacina nas próximas semanas, segundo o governo.

“Enquanto o mundo está realmente mergulhado em um processo abominável de desigualdade e iniquidade no acesso das pessoas às vacinas, aqui está Cuba dando o exemplo para o mundo”, destacou a vice-presidente venezuelana.

Rodríguez também denunciou a desigualdade com a vacinação no mundo, pois “um punhado de países ricos” concentra e acumula os imunizantes, deixando o resto das nações carentes.

“O presidente Nicolás Maduro está dando todos os passos e envidando todos os esforços para que a Venezuela e o povo venezuelano tenham acesso a este processo de vacinação, da imunidade massiva que é necessária, para derrotar o Covid-19”, frisou.

Bloqueio dos EUA limita compra de vacinas na Venezuela

Em entrevista à Agence France Press (AFP), o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, destacou que, sem as medidas coercitivas impostas por Washington, as vacinas para combater a Covid-19 de que o país necessita já teriam sido adquiridas.

“Se a Venezuela não tivesse seus recursos bloqueados no exterior, teríamos comprado as 30 milhões de vacinas há três meses”, frisou.

Ele explicou que até agora eles receberam pouco menos de um milhão de vacinas: 250.000 doses do russo Sputnik V e meio milhão da farmacêutica chinesa Sinopharm.

“Não só teríamos os 30 milhões de vacinas, mas teríamos vacinado metade da população se não tivéssemos os mecanismos represados ​​nos bancos internacionais”, acrescentou.

“Esperamos que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) receba os recursos para a compra de vacinas na Venezuela, por meio do mecanismo Covax, pelo qual vamos custear”.

A esse respeito, o diretor do Departamento de Emergências da OPAS, Ciro Ugarte, declarou que continuam as negociações e conversas para desbloquear os recursos da Venezuela no exterior e poder adquirir os medicamentos.

Neste momento, o país vive uma segunda onda de infecções, que as autoridades sanitárias afirmam ser mais contagiosa e letal, e está relacionada à presença de cepas do vírus detectadas no Brasil, informa a Prensa Latina.

 

 

(Foto: Reprodução | Reuters)

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