Veneciano conta como conseguiu se livrar das drogas após internação na Aaserdeq

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» Fazenda Solidariedade possui sete alqueires de terra, sendo 3.000 mil metros quadrados de área construída, localizada na Serra de Baixo

Aos 49 anos, depois de ter chegado ao fundo do poço, usado diversos tipos de drogas, ex-interno relata como vem se mantendo sóbrio, longe do álcool, da maconha, do crack e daquele mundo que o fez emergir em uma rotina quase letal. Se reinventando e com vida nova, João relata na reportagem as dificuldades de estar “limpo” e longe de tudo que possa o fazer cair. Confira o depoimento de quem hoje, tem boas histórias para contar!

Reportagem: Cintia Zaché / Rede Notícia


Quatro anos se passaram, e foram de aprendizados, lutas, muita persistência, amor próprio. Por fim, aquilo que almejava: “estar limpo”, fora do uso de drogas. Esse é o tempo que um veneciano, que preferiu não se identificar, está sóbrio, longe do álcool, da maconha, cocaína e outras drogas. Para conseguir se livrar disso tudo, ele ficou internado na Associação de Amparo Social e Educacional de Recuperação de Dependentes Químicos (Aaserdeq). Por lá, ele afirma que recebeu todo suporte necessário, para que pudesse se restabelecer na vida. E diante da história contada por ele, pode-se dizer que, aqueles dias pesados, repletos de drogas, depressão e escuridão, ficaram para trás. Com vontade de conquistar novamente a liberdade de ser uma pessoa inserida na sociedade, João (nome fictício), hoje está visivelmente bem, e o melhor, além de ter emprego fixo, tem um excelente convívio com a mãe. “Moro com ela e isso, faz toda diferença em minha vida, estamos felizes demais”.


Tudo começa com o álcool, depois um tapinha no baseado, depois cocaína

“Só por hoje. Deus conceda-me serenidade para aceitar as coisas que eu não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso e sabedoria para reconhecer a diferença. Essa é a oração da serenidade que eu faço há quatro anos, é o tempo que estou sóbrio. Hoje sou um adicto em recuperação e, hoje, não usei nenhuma substância que alterasse meu comportamento e meu humor. Um adicto é simplesmente uma pessoa cuja vida é controlada pelas drogas. Fui dependente químico durante 15 anos, o que parecia ser curtição, acabou virando minha vida de cabeça para baixo, literalmente. Quando vejo as pessoas fazendo chacota com Fábio Assunção, ou Rafael Ilha, fico muito triste, pois a adicção é uma doença incurável, progressiva e letal. Digamos que é como se a pessoa fosse diabética. Em 2017 fui acolhido pela Aaserdeq, onde fiquei em tratamento, lá não é uma clínica, na verdade é um centro de reabilitação. Graças a Deus e aos profissionais que ali atuam, eu consegui compreender o que estava acontecendo comigo, fui para lá por livre e espontânea vontade. Quando você percebe que as pessoas que você magoa são na verdade as que mais te amam, é preciso tomar uma atitude, e eu tomei. Me perguntam como eu consegui. Primeiro, o que aconteceu foi o despertar espiritual e a vontade de querer parar. Entre muitas coisas, descobri da pior forma, que meus amigos cabem nos dedos da minha mão direita, e para falar verdade, sobram dedos. Só a família fica. Um dia sem usar substâncias é uma vitória na vida de um adicto. Hoje não sinto mais vontade de usar drogas, nem álcool, mas no meu caso, três regras são necessárias: evitar pessoas do meu convívio antigo, velhos hábitos e lugares. Olhando lá atrás, e vejo que, tudo começou com o álcool, depois um tapinha num baseado, depois cocaína e, no final, a mistura de crack na maconha, o famoso “fristo”. Aí já sabe, o crack é altamente viciante. Me vi no fundo do poço, e não estava bom não, eu continuava a cavar mais e mais, fui lá para o fundo do poço, acho que além dele. Então eu descobri que, sozinho eu não poderia, eu não consigo. Foi então que busquei ajuda, e a Aaserdeq foi a minha casa, meu amparo, meu sustento naquele momento. Lá aprendi muita coisa. Decidi mudar minha vida, hoje sigo minha religião, sou católico praticante, fui batizado na Aaserdeq, eu era pagão. Agora, moro com minha mãe, administro meu dinheiro, tenho meu trabalho, tenho horário para entrar e sair dele. Além do meu trabalho fixo, eu sou músico. Não toco mais com banda, agora, só toco sozinho, e quando acabo meu som, recolho meus instrumentos e vou embora. Me afastei de tudo que possa me fazer voltar para as drogas. Aquelas pessoas que eu andava antes, dizem que estou sumido, às vezes me chamam para sair com eles e beber uma cerveja sem álcool, eu não vou, para mim não dá mais. Eu não estou sumido, estou vivo, com saúde. Passei o carnaval em casa comendo pipoca e assistindo programações que gosto na televisão, é assim que tem que ser. E agora, hoje, graças a Deus estou reinserido na sociedade, tenho meu trabalho, e às vezes, trabalho também como voluntário, porque uma coisa é certa, “só por hoje”, funciona, podem acreditar”
João (nome fictício), quatro anos de sobriedade

» Dependência química deve ser tratada, isso pode salvar muitas vidas

AAserdeq já recuperou cerca de 70 pessoas

Uma unidade de tratamento para dependentes químicos, que já tirou muita gente das drogas, trazendo de volta a dignidade, e restabelecendo de forma gradual, a vida de muitas pessoas. Esse é o Centro da Reabilitação da Fazenda Solidariedade ou Associação de Amparo Social e Educacional de Recuperação de Dependentes Químicos (Aaserdeq), que já recuperou até o ano passado, cerca de 70 pessoas.

Pode parecer pouco, se a soma for tratada apenas como número. Mas, recuperar esses ex-internos, significa um quantitativo muito mais alto, se for analisado, quantas famílias hoje vivem com seus filhos, pais, irmãos, netos, e amigos, longe do álcool, e de todos os tipos de drogas
Afirmando que ainda é possível acreditar na superação do ser humano, a Aaserdeq trata quem tem a intenção de sair deste submundo, dando oportunidade ao indivíduo a deixar a dependência química, e como consequência, retornar o convívio social com seus familiares, e uma mudança de vida.

Com capacidade para 25 internos a entidade surgiu através de voluntários, e a Fazenda Solidariedade completa no dia 17 de outubro deste ano, sete anos de funcionamento, já a Aaserdeq foi criada há 12 anos.

Centro de Reabilitação precisa de doações para terminar a obra de quartos e outros cômodos

A rotina

Com rotinas disciplinares a serem seguidas e horário fixo para acordar ao amanhecer, os internos contam com seis refeições. Por lá, cada um lava sua roupa, e é responsável pelo quarto onde está hospedado. As iniciativas e regras estão no código de funcionamento da Aaserdeq, com objetivo em criar uma espécie de valorização familiar, ajudar a cada um a ter planejamento e disciplina. Os três primeiros meses de internação, é preciso ficar sem receber visita de familiares, uma das regras do local.

Atualmente, a Fazenda Solidariedade conta com 20 internos, vindos de diversos estados, localidades. Para fazer parte da instituição, há uma triagem. A demanda de integrantes no local é encaminhada pelas igrejas, pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), ou pelo Centro de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAAD), em Vitória.

Entre as linhas de tratamento, o Centro utiliza o Programa de 12 Passos, estratégia que serviu inicialmente para o tratamento do alcoolismo e mais tarde, estendido para praticamente todos os tipos de dependência química e compulsões no mundo.


Estrutura

A Fazenda Solidariedade possui sete alqueires de terra, sendo 3.000 mil metros quadrados de área construída. São dois prédios localizados na Serra de Baixo, no interior de Nova Venécia, e o local disponibiliza atendimento social, psicológico, com equipe médica, enfermeiro, técnico de enfermagem e nutricionista. A casa possui seis quartos, sala de oração, cozinha, banheiros, e salão de jogos. Na parte externa, um dos atrativos é a horta, que é produzida pelos internos.

A Fazenda Solidariedade também conta com laboratório de informática, de artesanato e é atuante na questão da espiritualidade, tendo momentos de oração, além de Missas e cultos.


Doações podem salvar vidas e famílias

A Aaserdeq é presidida pelo Luiz Antônio Rodrigues, e é uma entidade filantrópica. Para se manter, a Fazenda Solidariedade conta com convênio com o Governo do Estado, tem processo em andamento com a aprovação do convênio da Prefeitura, e um quadro de sócios. Qualquer pessoa pode ajudar a entidade, se tornando sócio ou disponibilizando qualquer quantia, pois o local precisa terminar a obra de quartos e outros cômodos.

Para doar:
Banestes
Conta: 19269968
Agência: 0129
Contato: (27) 99958-7810

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