Veneciana desafia a Transamazônica sobre duas rodas: “É incrível!”

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A veneciana, Rayana Cristina Schneider Barcelos, 35 anos, mostrou, mais uma vez, a força da mulher sobre duas rodas. Desta vez, ela andou quase 10 mil quilômetros em 18 dias e cortou a maior parte da BR 230, conhecida como a Transamazônica, em cima de uma Tyger 800 XRX, da Triumph. A reportagem é de Jhon Martins, da Rede Notícia.

Após sair de Guriri no dia 10 de setembro, sozinha, a veneciana passou por Bahia, Piauí e no Maranhão, no município de Balsas, ela iniciou o objetivo da sua aventura, que era andar na Transamazônica, estrada que, para quem não sabe, pode ser vista até da lua. Somente no município de Curuá-Una, no Pará, ela encontraria um amigo, que seguiu viagem com ela até Santo Antônio do Matupi, no Amazonas.

Entre os objetivos da viagem, um dos principais, e cumprido, por Rayana, foi conhecer Álter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, onde ela chegou no dia 15. Após ter percorrido mais de 3,5 mil quilômetros, ela chegou naquela que já foi considerada a praia de água doce mais bonita do planeta e, atualmente, é um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil.

“Em Álter, conheci um grupo de motociclistas de Recife que também estava fazendo a Transamazônica. Fiquei em Álter para curtir a praia e esse grupo seguiu viagem, ficando um dia à minha frente, momos mantendo contato pelo WhatsApp e eles me diziam como a estrada estava”, falou.

“Um fato engraçado é que, em Álter, eu comprei dois pratos de cerâmica que achei muito bonito. Normalmente, eu compro imãs de geladeira, mas os pratos eram realmente lindos. A funcionária embrulhou muito bem, mas eu não sabia se eles sobreviveriam à Transamazônica. Enfim, apenas no Espírito Santo eu descobriria, e sobreviveram”, contou.

De Álter em diante, Rayana seguiu viagem até o município de Lábrea, no Amazonas, onde se encerra a Transamazônica. “Eu me perguntava por que eu estava fazendo aquilo comigo e com a moto, e quando lembrava que eu não estava nem na metade da Transamazônica, o desânimo era maior. Nunca pensei em desistir, mas queria entender o porquê de estar fazendo aquilo. Aí me perguntei o por que uma pessoa faz o Rali Dakar ou o Rali dos Sertões e a resposta que encontrei foi a mesma: para testar a sua própria dureza. E é isso, testamos a nossa dureza quando nos desafiamos assim. Sofremos, superamos e vemos que somos muito mais fortes do que imaginávamos. De todas as viagens que fiz, essa sem dúvida foi a mais desafiadora. É preciso ter dureza, resistência, força. Além de difícil, são mais de 1,5 mil quilômetros de estrada de chão. Felizmente, depois de Jacareacanga, no Pará, a estrada melhora muito e o trecho restante rende bem mais”, falou.

“O trecho no Pará é desafiador, mas a Floresta Amazônica se mostra linda, exuberante e fica bem na beira da estrada. É incrível! Você, de fato, está no meio da selva! Claro que dá um pouco de medo. Em alguns trechos eu sentia um odor semelhante ao de urina de gato, mas imaginava que era algum felino que teria demarcada o território por ali – uma onça talvez”, disse.

Após 13 dias de viagem, a veneciana, enfim, chegou a Lábrea, no dia 21 de setembro, onde ela considerou uma cidade muito tranquila. “Me deu vontade de ficar alguns dias para conhecer mais, mas eu precisava voltar. Um povo simples em uma cidade que está quase isolada no meio da Amazônia. Espero retornar algum dia”.

No dia seguinte, Rayana retornou para casa. “Passei pela Chapada dos Guimarães e peguei temperaturas altas no Mato Grosso. Próximo a Rondonópolis, cheguei a pegar 34 graus de temperatura ambiente e que caia bruscamente para 21 graus ao entrar em uma nuvem de chuva. Minha garganta, que é mais sensível, sentiu essas diferenças de temperatura. Por isso a importância de beber bastante água, se alimentar e manter a imunidade em alta. Ficamos expostas a chuva, vento, poeira, altas e baixas temperaturas”, falou ela, que demorou cinco dias para chegar em casa passando pelos estados de Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais.

Para se preparar para a viagem, a veneciana fez uma revisão completa da moto na oficina e colocou um par de pneus Michelin Anakee, que são 80% para asfalto e 20% para terra. “Sobre ferramentas, eu nunca fui de levar muita coisa: sei trocar o óleo, o filtro, retirar carenagens e conheço um pouco da moto, mas, dependendo do problema mecânico certamente eu teria que levar a moto em uma oficina. Então, eu nunca fui de levar muita coisa. Sinceramente, nem se eu tivesse uma moto menor e simples eu carregaria muita ferramenta. Primeiro: sempre aparece alguém para te ajudar. Segundo: mesmo sabendo muito de mecânica, consertar a moto no meio “do nada” sem as ferramentas de uma oficina, é para poucos. Terceiro: é bom levar o mínimo na moto (não temos muito espaço e pouco peso é sempre melhor). Basicamente, levo um spray para o caso de o pneu furar, um jogo de chave Allen e um kit da Gedore. Eu imaginei que eu precisaria retirar o para-lama e a capa corrente caso pegasse lama e essas ferramentas simples que citei me permitiam fazer isso. Acrescentei mais um kit para o caso de o pneu furar (o famoso “macarrão”) também. Por fim, acrescentei um “calibrador tipo caneta”, pois eu andaria muito no asfalto e de repente entraria na estrada de chão, então seria necessário murchar os pneus. Essas foram as ferramentas que levei”.

Ela ainda contou que costumo levar poucas roupas, também. “Uso muito blusas tipo segunda pele, pois são fáceis de lavar, secam rápido e ocupam pouco espaço na mochila. Recomendo levar um par de luvas e uma bota na mochila para o caso de pegar uma chuva e encharcar a luva e a bota num dia de viagem. Pelo menos, no dia seguinte de viagem, você sairá de moto com a mão e os pés secos”.

Para os 18 dias de viagem, Rayana gastou quase 500 litros de gasolina e perdeu mais de dois quilos, mesmo com uma preparação intensa, fisicamente.

 

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