Veleiro interceptado com 2,2 toneladas de cocaína foi usado por casal do ES para dar volta ao mundo antes de ser vendido

Veleiro Guruçá, em foto de arquivo, durante viagem à Samoa Americana — Foto: Reprodução/Facebook

Interceptado a 270 quilômetros da costa do Recife com 2,2 toneladas de cocaína, o veleiro Guruçá Cat já foi utilizado para dar uma volta ao mundo. O barco foi construído em 2010 por um casal de velejadores, que lamentou, nesta terça-feira (16), o uso da embarcação para tráfico internacional de drogas.

Durante quatro anos, entre 2012 e 2016, Guta Favarato e Fausto Pignaton navegaram ao redor do planeta e passaram por mais de 30 países. O Guruçá Cat foi vendido pelo casal há quase um ano – eles comunicaram a venda nas redes sociais em março de 2020.

“Soubemos que ele já foi vendido outras duas vezes depois disso. Não sabemos quem são essas pessoas. O que nos conforta é saber que tivemos uma história tão verdadeira e honesta com esse veleiro”, relatou Guta por telefone.

Segundo ela, o veleiro foi o lar do casal por uma década. Feito todo de madeira, com capacidade para até 10 pessoas, o Guruçá Cat passou por lugares como Polinésia Francesa, Samoa Americana, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia, Tailândia, Madagascar e Moçambique.

Nas redes sociais, construtores de veleiro encontrado com toneladas de cocaína relataram que venderam embarcação e lamentaram uso para tráfico internacional — Foto: Reprodução/Instagram

As aventuras foram documentadas nas redes sociais e acompanhadas por muita gente. Com a página do Guruçá Cat ainda ativa nas redes sociais, os antigos donos comunicaram a venda e lamentaram o destino do barco.

“Uma pena. O Guruçá era considerado um dos principais veleiros do Brasil. Muitas histórias vividas através deles. Espero que em breve esteja em boas mãos novamente”, escreveu um internauta.

Antes da venda, sacramentada em 2020, o casal, que é do Espírito Santo, vivenciou um episódio traumático a bordo do veleiro. O Guruçá Cat sofreu um assalto em 2019, nas imediações do município de Maraú, no litoral da Bahia. Guta foi amarrada numa cadeira e agredida pelos criminosos, que roubaram dinheiro.

Apesar disso, Guta e o marido preferem ficar com as boas lembranças do Guruçá Cat. Vivendo atualmente na cidade de Anchieta (ES), eles trabalham na construção de outra embarcação. E esperam que o veleiro apreendido pela Polícia Federal e pela Marinha do Brasil tenha um final feliz.

“Não acredito que seja o fim do Guruçá. Ele é um barco muito forte, com uma história de vida bonita. Ele foi usado. Não é uma pessoa. Não tem culpa de nada. Esperamos que o barco seja leiloado logo e que possa ficar em boas mãos”, afirmou a velejadora.

Apreensão em alto-mar

O veleiro com 2,2 tonelada de cocaína foi interceptado, na noite do domingo (14), em uma operação conjunta da Polícia Federal e da Marinha do Brasil, com apoio de informações de agências de Portugal, Estados Unidos e Reino Unido.

Na segunda-feira (15), a Marinha havia estimado que havia 1,5 tonelada de droga, mas a Polícia Federal fez a pesagem do material e constatou que havia 2,216 toneladas.

No momento da abordagem, a 270 quilômetros da costa do Recife, cinco pessoas, todas brasileiras, que estavam na embarcação foram presas. Segundo a Marinha, o barco teria como destino a Europa.

Escoltado, o barco com a droga e a tripulação chegou à capital pernambucana na manhã desta terça-feira (16). Os tripulantes foram encaminhados para a sede da Superintendência da Polícia Federal, no Cais do Apolo, no Bairro do Recife. Depois de prestar depoimento, eles devem ser encaminhados para audiência de custódia.

Informações: G1

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