Valteri Bottas vence GP da Áustria em dia de protestos contra o racismo

Depois de um hiato de 217 dias, a Fórmula 1 finalmente voltou à ativa com o Grande Prêmio da Áustria, neste domingo, 5. Uma prova à moda antiga, recheada de problemas mecânicos. Apenas 11 pilotos receberam a bandeirada, menor número desde o GP da Austrália de 2015, quando o mesmo número de carros completou a prova.  Manifestação contra o racismo foi outro destaque do domingo na F1. (Saiba mais no final do texto)

Na pista, deu a Mercedes Pantera Negra. Mas não aquela que todos esperavam: Valtteri Bottas provou sua vocação para bons inícios de campeonato e venceu a corrida em Spielberg. Na pista, Lewis Hamilton chegou em segundo, mas caiu para quarto após ser punido com o acréscimo de cinco segundos pelo toque com Alexander Albon, da RBR. Com isso, Charles Leclerc, que sobreviveu com uma lenta Ferrari, foi o segundo, e Lando Norris, com um final espetacular, foi o terceiro com a McLaren.

Foi a segunda vitória de Bottas no GP da Áustria. E este triunfo começou a ser construído ainda no treino classificatório, quando o finlandês largou na pole. Neste domingo, largou bem, segurou firme a pressão do companheiro e ainda conseguiu administrar um problema de câmbio, segundo os rádios da equipe para os dois pilotos da Mercedes. Uma vitória consistente de Bottas, assim como no GP da Austrália, abertura da temporada do ano passado. A questão agora é saber se o finlandês vai conseguir manter este nível de desempenho ou será engolido pelo companheiro Hamilton nas próximas etapas. Isto, aliás, foi exatamente o que aconteceu nos últimos anos. A vantagem para Bottas é que o próximo GP também será em Spielberg, pista onde sempre anda bem.

Lewis Hamilton na cola de Bottas: uma cena vista durante quase toda a corrida (Foto: Clive Mason/F1 via Getty Images)

E Lewis Hamilton? O dia ruim para o inglês começou ainda antes da largada, quando a RBR protestou contra a absolvição após a polêmica das bandeiras amarelas pela escapada de Bottas no treino classificatório. Os comissários, então, julgaram o caso novamente e o puniram com a perda de três posições no grid: de segundo para quinto. É claro que isso atrapalhou o início de corrida do inglês, mas a infinidade de entradas do safety car o ajudaram a ficar próximo do companheiro. A tentativa, entretanto, não vinha, até vir a polêmica ordem de economizar equipamento nos dois carros por causa de um problema nos câmbios. Após muita discussão pelo rádio, os dois sossegaram.

Mas uma dessas relargadas após o safety car deixou Hamilton em uma posição desconfortável. Foi atacado por Alexander Albon, da RBR, por fora na curva 5. Os dois se tocaram e o tailandês levou a pior. Para mim, incidente de corrida, mas não foi o que os comissários avaliaram. O inglês recebeu um acréscimo de cinco segundos ao tempo final de prova e, por causa disso, acabou perdendo o pódio. Depois da prova, nas entrevistas, se desculpou pelo incidente com Albon e lamentou o toque. Boa postura do inglês, ainda que tenha sido, a meu ver, uma disputa dura, com toque, mas normal. Só que os comissários não viram assim.

Só que, para mim, o grande destaque da corrida foi Lando Norris. O inglês já tinha colocado a McLaren na quarta posição do grid na classificação – terceiro depois da punição a Hamilton. Na corrida, teve um desempenho consistente, sempre à frente do companheiro Carlos Sainz, e deu um show após o último safety car. Ultrapassou Sergio Pérez na marra e, avisado pela equipe da punição de cinco segundos a Hamilton, acelerou tudo o que podia, encerrou a prova com a volta mais rápida e, de quebra, subiu pela primeira vez ao pódio. O piloto do dia, a meu ver.

Outro destaque foi o desempenho de Charles Leclerc com a péssima Ferrari. O monegasco começou a corrida discretamente, mas foi se aproveitando dos inúmeros problemas mecânicos dos adversários. No fim, trocou os pneus em uma das entradas do safety car e partiu para o ataque. Chegou em segundo, também beneficiado pela punição a Hamilton. É essa a realidade da Ferrari neste momento: ser regular e tentar marcar pontos. Desempenho… Bem, talvez só com o novo pacote aerodinâmico que está previsto para o GP da Hungria.

Por outro lado, uma corrida complicada para Sebastian Vettel. O alemão errou e rodou em uma tentativa de ultrapassagem, mas nunca teve ritmo para ameaçar ninguém na prova. Nas câmeras onboards do carro do tetracampeão, era nítida a diferença de acerto entre ele e Leclerc: enquanto o monegasco pilotava suave o carro, Vettel parecia estar em uma verdadeira luta de MMA com o volante em um carro super instável. E como a relação com a Ferrari já azedou após a demissão por telefone, o alemão colocou a boca no trombone após a prova: disse que deu sorte de rodar apenas uma vez. O chefe Mattia Binotto não curtiu. Diria que os fãs de Vettel vão ter um longo ano com ele na equipe italiana. Duvido que o deixem superar o já renovado Leclerc neste ano. A conferir.

Ato antirracista divide pilotos antes do GP

Depois de falar da corrida, vale mencionar tudo o que a Fórmula 1 fez neste fim de semana em prol da diversidade. Além da campanha #WeRaceAsOne (Nós corremos como um, em português), da presença das cores do arco-íris em todos os carros, a categoria organizou um ato antes da largada deste domingo para que os pilotos marcassem suas posições. Liderados por Hamilton, que vestia uma camisa com os dizeres Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), a ideia era que todos, também com blusas negras, se ajoelhassem, um símbolo antirracista. Do grid de 20, apenas Max Verstappen, Antonio Giovinazzi, Daniil Kvyat, Carlos Sainz Jr., Charles Leclerc e Kimi Raikkonen não quiseram se ajoelhar. A meu ver, atitude polêmica e desnecessária. Quem se negou a participar do protesto atraiu uma enorme antipatia. Erro crasso.

Globo Esporte

Valteri Bottas vence GP da Áustria em dia de protestos contra o racismo

Pilotos fazem protesto antirracista em Spielberg antes do GP da Áustria (Foto: Getty Images)

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