Vacina cubana contra Covid deve estar disponível em julho


247 com Agência PT –  A última fase dos testes em humanos da Soberana 02, vacina cubana contra a Covid-19, completa oito dias nesta terça-feira (16). Primeiro da América Latina e do Caribe a atingir esse estágio, o imunizante deve ter a aplicação em massa iniciada em julho. A vacina, se bem sucedida, poderia quebrar o controle de vacinação da “Big Pharma”, mas o embargo contra o país prejudica sua produção, segundo Pedro Marin, no site da Revista Opera. 

O país também deve começar em breve a etapa final de testes de outra fórmula, a Soberana 01, tornando-a disponível em agosto.

Em janeiro passado, o diretor-geral do Instituto Finlay de Vacinas (IFV), Vicente Vérez Bencomo, previu a produção de 100 milhões de doses da vacina este ano. Agora, ele estima que os testes clínicos de Fase III da Soberana 02 dure três meses, com voluntários também no exterior. Segundo ele, a vacina teve um desenvolvimento farmacêutico e pré-clínico, seguido de testes clínicos de Fases I e II, com resultados que mostraram uma resposta imunológica poderosa e neutralizante do novo coronavírus.

“Isso nos permitiu avançar para a fase III, aprovada em 3 de março pelo Centro de Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos (Cecmed)”, explica. “A autorização marca uma etapa crucial no propósito de demonstrar a eficácia da vacina contra o vírus do SARS-COV-2, uma vez que tentará mostrar que os vacinados não ficam doentes e quem não for vacinado, sim”, completa.

Crianças e adolescentes

O IFV considera que será possível proteger as pessoas das variantes do vírus que surgiram em diferentes países com a aplicação de duas doses da Soberana 02 mais uma da Soberana Plus, quinta vacina criada pelo Instituto Finlay.

Em abril devem ser iniciados testes em crianças e adolescentes de 5 a 18 anos, com as melhores formulações da Soberana 01 e 02. “Para demonstrar a eficácia de um candidato de vacina que forneça uma resposta imune, é necessário realizar uma alta cobertura vacinal, que inclui estudos em populações pediátricas”, diz Dagmar García Rivero, diretora de Pesquisas do Finlay.

“Avançar nesse sentido implica maior rigor e, no momento, o teste se encontra sob análise pelo Comitê de Ética em Pesquisa”, detalha García Rivero. “A princípio, passaríamos na faixa de 12 a 18 anos, e uma vez contemplada a segurança nessa população, iríamos para o estudo entre 5 e 11 anos.”

Prioridade

O desenvolvimento de vacinas é prioridade para o governo cubano, que busca alternativas diante do cerco financeiro imposto pelo bloqueio norte-americano. O país também criou o Nasalferon, medicamento em gotas que fortalece o sistema imunológico. Em reunião do grupo de trabalho temporário instituído para acompanhar a pandemia, o governador de Havana, Reinaldo García Zapata, afirmou que o remédio continua sendo fornecido aos pacientes de Covid-19 na ilha.

Vérez Bencomo comenta que, na população cubana, existe uma percepção de confiança em relação às candidatas, sustentada pela própria história de vacinação que se desenvolveu após o triunfo da Revolução e o prestígio da ciência cubana.

O diretor-geral do IFV destaca que o espírito de Cuba sempre foi de solidariedade com os demais países, e que a Soberana 02 não será negada a quem solicitar. Ele também lembrou que é incrível como um país pequeno, pobre em recursos materiais, mas muito rico em capacidade humana e talento, alcance esse desempenho.

“Quando nos perguntam como isso é possível, além de fazer boa ciência, gosto de tomar como referência uma frase de Che Guevara: ‘Uma revolução como a nossa é, antes de tudo, uma obra de amor ao próximo’. Essa é a resposta”, diz o cientista.

(Foto: Divulgação)

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