Vacina contra Covid em crianças de 3 a 5 anos: por que é tão urgente?

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da vacina Coronavac para crianças de 3 a 5 anos contra a Covid-19. Com adultos livres de máscara e circulando livremente com os filhos, a medida é urgente, na visão de especialistas.

Atualmente, duas vacinas contra Covid-19 estão autorizadas no Brasil para crianças: a versão pediátrica da Pfizer, a partir de 6 anos. Agora, o grupo de 3 e 4 anos poderá receber o imunizante do Instituto Butantan.

Em Barra de São Francisco, a secretaria municipal de Saúde iniciou a vacinação para essa faixa etária na quarta-feira, 27, nas Unidades de Saúde dos Bairros Bambé, Irmãos Fernandes e Vila Vicente, e no Pavilhão.

Qual esquema de vacinação?

São duas picadas de 0,5 ml, com o intervalo de 28 dias. Esse método é comum em imunizantes com vírus inativado, como a Coronavac e a vacina da gripe, por exemplo.

“Vacina não é por peso, como alguns medicamentos. O que é avaliado é se uma dose menor pode ser eficaz na produção de anticorpos”, explica Elcimar de Souza Alves, secretário de Saúde.

 

Por que a Coronavac? Qual a eficácia dessa vacina?

A Anvisa decidiu acolher o pedido do Instituto Butantan com base nos dados apresentados no Chile – país que está à frente desse tipo de pesquisa na América Latina. Lá, foram observadas cerca de 490 mil crianças dessa faixa etária entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022 (época do surto de Ômicron). A eficácia estimada da vacina foi de 64,6% contra hospitalização por Covid-19, e 69% na prevenção de admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI

 

Mortes infantis por Covid e por que vacinar

Houve um licenciamento de emergência da vacina, justamente porque há crianças morrendo de Covid-19. O começo pelos idosos, foi porque a letalidade entre eles era de 48%, e, nas crianças, esse índice é de 8%. Mas é preciso entender que isso não é pouco. Essa faixa etária tem dificuldade de usar máscara e agora vive em ambientes nos quais ninguém está usando essa proteção e se expondo a aglomerações. Os adultos estão mais soltos porque estão vacinados, mas eles carregam crianças para lá e para cá.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde contabilizam 17 252 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19, e 730 mortes pela mesma causa entre crianças de 6 meses e 4 anos. A população desse grupo no Brasil é de 13 milhões. Os números foram registrados no Sistema de Vigilância Epidemiológica de Gripe (SIVEP-Gripe).

Para ter uma ideia, a principal causa de internação de crianças pequenas sempre foi o Virus Sincicial Respiratório, mas a Covid já está tomando o lugar dele, segundo Isabella.

 

Crianças imunossuprimidas ou com comorbidades

Crianças com asma, doença neurológica crônica, cardiopatia crônica, imunossupressão, pneumopatias e outras doenças foram as maiores vítimas da Covid-19. Daí porque foram priorizadas diante da escassez de doses.

Até o fim do primeiro semestre desse ano, foram registrados 616 casos de Síndrome Inflamatória Multisisstêmica Pediátrica (complicação grave da Covid em crianças) e 53 óbitos nesse grupo.

De início, os pequenos imunocomprometidos foram excluídos pela Anvisa, que depois voltou atrás e autorizou a vacinação nesse subgrupo. Essa dúvida não tinha relação à segurança do produto. A questão é que não há dados de eficácia da Coronavac em crianças imunossuprimidas, mas como o risco de morte entre elas é muito elevado, optou-se por vacinar.

 

Vacina fará parte do calendário de vacinação habitual?

É difícil falar em datas e programação de calendário enquanto ainda estiver em situação de pandemia.

Hoje, sabe-se que quando a criança atinge a idade para tomar a vacina contra a Covid, ela deve ser levada ao posto.  Mas ainda não se conhece quando será preciso tomar a dose de reforço. Além disso, tudo depende dos números de casos no mundo, o surgimento ou não de novas variantes.

Outros imunizantes virão? E os bebês?

Também utilizada por aqui nos pequenos de 5 a 11 anos, a Pfizer está concluindo estudos antes de pedir autorização para vacinar essa faixa etária mais jovem. Isso deve ocorrer primeiro nos Estados Unidos. Ela também poderá ser utilizada em bebês com mais de seis meses.

No entanto, até todas essas aprovações e recomendações rolarem, alguns meses devem se passar.

 

 

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