Usuários frequentes do SUS avaliam melhor os serviços de Atenção Primária à Saúde

Quem utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) com maior frequência avalia mais positivamente a qualidade dos serviços prestados na área de Atenção Primária à Saúde (APS). A conclusão foi tirada de um levantamento feito no ano passado e divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que coletou, pela primeira vez na história, informações sobre a APS. Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019) mostraram que pessoas com morbidades, como hipertensão e diabetes, pontuaram melhor os serviços do que pessoas que não tinham nenhuma dessas doenças.   

Em parceria com o Ministério da Saúde, a PNS foi a campo no ano passado com um novo módulo de avaliação dos cuidados médicos prestados nas unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família. O questionário foi composto por 26 quesitos. Foram esses quesitos que possibilitaram aos pesquisadores um cálculo para tentar alcançar a pontuação média de 6,6, que indica excelência na atenção à saúde. Mas numa escala de zero a dez, o Brasil pontuou em 5,9, abaixo do esperado. 

Os entrevistados que indicaram doença do coração deram nota 6,4; diabetes, 6,3; hipertensão, 6,2; depressão, 6,1 – ou seja, notas superiores aos que não possuem estas morbidades. Aqueles que recebem visitas de agentes comunitários de saúde e/ou visitas de agentes de endemias também atribuíram nota superior à média alcançada pelo País. “São pessoas que utilizam mais o SUS e que o utilizam de forma mais intensa”, avalia a analista do IBGE Flávia Vinhaes. 

Para o médico Gonzalo Vecina Neto, também professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) e um dos idealizadores do SUS, a pesquisa só reforça a importância da área preventiva do Sistema. “Vejo como positiva essa resposta. Indica que estamos no caminho certo, que temos que melhorar a assertividade da atenção primária.” 

Na opinião dele, reconhecer o SUS como essencial é um dos legados que a pandemia deixou. “De repente descobrimos que ter um sistema de saúde de base universal e gratuita é fundamental para que consigamos construir uma sociedade melhor e mais evoluída. Nós já sabíamos que educação, por exemplo, é uma questão muito importante, mas não tínhamos essa percepção da saúde”, pontua Vecina.    

De acordo com os dados da PNS 2019, 17,3 milhões (10,7%) de pessoas de 18 anos de idade ou mais procuraram algum serviço da Atenção Primária à Saúde nos seis meses anteriores à entrevista. Entre elas, cerca de 70% eram mulheres, 53,8% não tinham uma ocupação e 64,7% tinham renda domiciliar per capita inferior a um salário-mínimo. 

Ainda segundo a pesquisa, mais de 25% da população com 18 anos ou mais de idade (41,2 milhões de pessoas) estava obesa, sendo 29,5% mulheres e 21,8% homens. Cerca de 60,3% da população nesse grupo etário (96 milhões de pessoas) estava com sobrepeso. Essa proporção entre as mulheres (62,6%) superou a dos homens (57,5%).

O excesso de peso ocorria em quase 20% dos adolescentes de 15 a 17 anos, sendo em 22,9% das moças e em 16% dos rapazes. A obesidade ocorria em 6,7% dos adolescentes: 8% no sexo feminino e 5,4 % no sexo masculino.

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“Os hábitos alimentares e o sedentarismo podem ser as principais causas desse retrato que a PNS 2019 apresenta, mas é fundamental que, a partir dos dados, os especialistas em saúde pública e as autoridades estruturem políticas e programas de combate ao excesso de peso e à obesidade”, sugere Flávia Vinhaes. 

A especialista em direito médico Mérces Nunes acredita que a PNS 2019 é de “absoluta relevância” para que se conheça a realidade da saúde de brasileiros e brasileiras. “Ela tem um significado muito relevante nesse contexto de saúde. Os resultados certamente vão orientar as autoridades de saúde, principalmente em relação às políticas públicas que deverão ser desenvolvidas e implementadas em toda a rede”, projeta. 

No entendimento de Mérces, houve efetiva melhora na prestação dos serviços na APS. “Houve uma melhora do próprio sistema. Além disso, a pesquisa evidencia o aumento da confiança da população no SUS”, afirma a especialista. “É sempre por meio da atenção primária que são tomadas ações e medidas preventivas, educativas e orientativas, entre outras, capazes de enfrentar as causas e os fatores de risco à saúde, tanto individualmente quanto no âmbito populacional, sempre buscando que se evite uma condição clínica ou agravamento de uma já existente”, completa. 


 
Obesidade e subnutrição

Entre 2003 e 2019, os resultados de duas pesquisas do IBGE, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e a PNS, mostraram que a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade do país saltou de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2% e se manteve acima da masculina, que subiu de 9,6% para 22,8%.

A proporção de pessoas com excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade no País subiu de 43,3% para 61,7% nesse mesmo período. “Há evidências epidemiológicas de que a incidência de várias doenças, como as cardiovasculares e diabetes, aumentam significativamente com o crescimento do índice da massa corporal”, avisa Flávia Vinhaes, analista do IBGE. 

Em contrapartida, Mérces Nunes destaca que houve aumento no que diz respeito à insegurança alimentar. “Os dados mostram que houve um aumento no grau de desnutrição de uma determinada parcela da população, e isso é extremamente preocupante. A fome deve ser combatida com programas específicos e por todos os meios, especialmente de forma conjunta para eliminar essa condição indigna e ultrajante em que parte da população ainda está submetida”, alerta. 

Segundo a pesquisa, a prevalência de déficit de peso em adultos com 18 anos de idade ou mais foi de 1,6%, (1,7% para homens e 1,5% para mulheres), ficando, portanto, bem abaixo do limite da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5% esperado na população para indivíduos constitucionalmente magros.

O levantamento apontou que, em quase todos os grupos de idade, a prevalência de déficit de peso dos homens é sempre um pouco mais elevada. A exceção são os idosos (60 anos ou mais). Nesse grupo, a prevalência das mulheres é ligeiramente maior (2,9%) que a dos homens (2,2%). 

Foto: Agência Brasil

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