“Uma solução para a Venezuela é ser uma extensão do território econômico chinês”, diz Elias Jabbour


O professor Elias Jabbour, especialista na análise da China, afirmou à TV 247 que a Venezuela pode ser, se quiser, um tipo de extensão do território econômico chinês na América Latina.

Segundo Jabbour, este plano estava em vias de ser realizado, mas foi interrompido por conta da pandemia. Mesmo assim, a parceria entre os dois países continua existindo. A Venezuela é um dos países que recebe doação de vacinas contra Covid-19 da China e, com isso, tem tido bom desempenho no combate ao coronavírus. “A Venezuela está entre os 57 países nos quais a China está doando vacinas. A Venezuela já deve muito dinheiro para a China e a China está sendo arrastada para uma situação em que não tem como largar a Venezuela. Acho que uma solução para a Venezuela é ela se tornar uma extensão do território econômico chinês. E os chineses têm focado muito nesse ponto de a Venezuela se transformar em um centro de inovação tecnológica aqui na América do Sul”.

Questionado se uma aliança ainda mais próxima entre China e Venezuela não poderia se tornar uma relação centro-periferia, na qual os chineses seriam os “tutores” dos venezuelanos, o professor afirmou que, na realidade, a China é quem está caindo na “armadilha”. Ele explica: “a China virou um exportador de bens públicos. Cabe aos países do mundo observar essa oportunidade para se industrializarem. O Irã fechou um acordo no qual está obrigando a China a transferir cadeias produtivas da China para o Irã, construir o metrô de Teerã e ligar o país com trens de alta velocidade. A mesma coisa é a Argentina, que está fazendo um acordo semelhante com a China, um acordo em que os argentinos fazem exigências aos chineses”.

China e Rússia

Jabbour falou também da aliança entre China e Rússia que, apesar de suas diferenças, se uniram em função de resistir contra o poder norte-americano, que passa agora a estar ameaçado. “Existe um casamento estratégico entre dois projetos nacionais, com projetos de mundo, ou seja, Nova Rota da Seda e União Eurasiática. Acho que existe esse casamento e um inimigo comum, porque os americanos estão conseguindo ser piores que os generais na guerra do Vietnã. Eles são tão inteligentes que conseguiram colocar os dois maiores países do mundo unidos. E olha, Rússia e China teriam motivos para serem inimigos, mas como são dois estadistas ali no comando do processo, Xi Jinping [presidente da China] e [Vladimir] Putin [presidente da Rússia], eles colocam as diferenças entre eles para a história resolver”.

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Nicolás Maduro, Xi Jinping e Elias Jabbour

Nicolás Maduro, Xi Jinping e Elias Jabbour (Foto: Divulgação)

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