Um mês após volta às aulas presenciais, escolas da rede estadual do Espírito Santo somam 300 professores com Covid-19

Somados aos casos confirmados em escolas particulares e no ensino superior, o total de contaminados chega a 648, entre alunos e professores. Três escolas estaduais já foram fechadas. Para secretário, percentual de contaminados é considerado baixo.

Vitor de Angelo e Luiz Carlos Reblin em entrevista coletiva nesta sexta-feira (13) — Foto: Reprodução/ Youtube

Por Any Cometti e Naiara Arpini, G1 ES

Um mês após a retomada das aulas presenciais nas escolas estaduais do Espírito Santo – que começou pelos alunos do Ensino Médio – 300 professores e 26 estudantes já foram contaminados pela Covid-19. A informação foi divulgada pelo secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, nesta sexta-feira (13). Até o momento, três escolas estaduais já precisaram ser fechadas.

O secretário explicou que o número é considerado baixo quando comparado à quantidade de estudantes e profissionais que voltaram às aulas. Dos 240 mil alunos da rede estadual, 36 mil retomaram.

“Hoje nós podemos dizer que, um mês depois do retorno das aulas, 0,07% dos alunos testaram positivo”, explicou o secretário.

Entre os profissionais, o percentual sobe para mais de 2%, que também é considerado baixo pelo secretário.

“No caso dos profissionais, nós temos um universo de 14 mil, dos quais mil não retornaram por serem do grupo de risco. Nesse sentido, os infectados perfazem 2,3%. Então, a primeira conclusão é que, sem desprezar o significado de ter sido positivado na pandemia, do ponto de vista estatístico, são percentuais muito baixos”.

Em três escolas, a constatação de casos confirmados da doença fez com que a Secretaria Estadual de Educação suspendesse as atividades presenciais por tempo determinado. São elas:

  • Davi Roldi, em São Roque do Canaã, em 26 de outubro (10 casos entre profissionais);
  • Angélica Paixão, em Guarapari, em 30 de outubro (três casos entre profissionais);
  • José Leão Nunes, em Cariacica, 6 de novembro

Apesar dos números, o secretário alertou que não é possível afirmar a relação entre a contaminação e o retorno das atividades presenciais nas escolas.

Para ele, essa constatação pode direcionar medidas mais eficazes de combate ao coronavírus que não envolvam o fechamento de escolas, a exemplo do que vem acontecendo em outros países.

“Nada indica que as escolas, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, constituem o vetor da Covid-19. Pelos percentuais e pelos números, tudo indica o contrário. De tal forma que uma reflexão será necessária sobre os protocolos de abertura e fechamento de diversas atividades, incluindo a educacional. Em que medida devemos fazer, como fizemos nesse ano, fechar as escolas e reabri-las como sendo a última atividade a ser retomada? Ou fazer como está sendo feito na Europa: fechar outras atividades, e não a escola, entendendo não só a importância dessa atividade, mas que ela não parece ser um vetor de propagação”, defendeu Vitor.

Antes do planejamento para a retomada, as aulas presenciais estavam suspensas em todo o estado desde meados de março por conta da pandemia do novo coronavírus.

Vitor de Angelo também acrescentou que os números levam à conclusão de que não parece se sustentar a tese de que alunos transmitem a doença para professores, uma vez que o percentual de alunos com a Covid-19 é muito pequena.

Na coletiva de imprensa, de Angelo e o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, também falaram sobre os números de contaminados nas escolas particulares, que foram autorizadas a retomar as atividades presenciais no dia 5 de outubro; e nas faculdades, que puderam voltar a partir de 14 de setembro.

No ensino superior, são 87 estudantes e 39 profissionais com resultado positivo para a doença. No caso das escolas particulares, são 70 estudantes e 126 profissionais contaminados.

O secretário de Educação também comparou os índices de contaminação entre estudantes e profissionais de escolas públicas e privadas, destacando a capacidade das instituições de manter o funcionamento mesmo em um contexto de pandemia.

“Quando observamos os números, vemos com clareza que os alunos de escolas particulares positivados constituem 55% do número de profissionais positivados, ao passo que, na escola estadual, o número de estudantes em relação aos profissionais é de 8,6%: quatro vezes menor. O que também não significa, a princípio, que as particulares não estão bem preparadas, dado que as autoridades de saúde têm monitorado esses dados, em ambas”, disse.

Por determinação da Secretaria de Educação (Sedu), as escolas onde houver eleição no domingo (15), que funcionarem como local de votação, ficarão fechadas segunda-feira (16) para a devida limpeza e higienização dos ambientes.

 

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